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domingo, 3 de maio de 2026

LOUCA-MENTE (FOLLEMENTE) de Paolo Genovese



















Imaginem o INSIDE OUT (filme de animação da Pixar) transformado em comédia romântica para adultos. A ideia tem potencial e podia dar coisas muito giras, infelizmente o resultado é fraquito e não tem muita graça. 

O casalito romântico, Edoardo Leo e Pilar Fogloati, é simpático e tem química, mas isso não chega. O problema é que os personagens/emoções que vivem nos seus cérebros não são muito divertidos (principalmente eles) e acabam por arrastar a acção.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


domingo, 5 de maio de 2024

PROFISSÃO: PERIGO (The Fall Guy) de David Leitch

Um duplo cinematográfico, que regressa ao activo depois de um acidente, é tramado enquanto tenta recuperar o amor da sua vida. Acção e comédia em dose certas, num filme que não pretende ser mais do que puro entretenimento. 

O melhor é a química irresistível entre Ryan Gosling e Emily Blunt; espero que voltem a contracenar juntos. E vivam os duplos!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


terça-feira, 9 de abril de 2024

O GÉNIO DO MAL: O INÍCIO (The First Omen) de Arkasha Stevenson

A História: Uma jovem noviça vai para um convento em Roma, sem saber que a igreja está a planear o nascimento do anticristo, na esperança que assim consigam ganhar mais seguidores para a sua religião, e que ela tem um papel importante nos seus planos.

O Elenco: Nell Tiger Free convence como a jovem noviça e está bem secundada por Sonia Braga, Bill Nighy, Ralph Ineson. Mas não há nenhuma interpretação digna de nota alta.

O Filme: Apesar de previsível, a história é interessante e prestava-se a ser uma boa prequela ao original, mas a ausência de suspense, o facto das mortes serem praticamente cópias das do filme original e a má montagem não ajudam. Algumas cenas arrastam-se sem necessidade, sem tensão e o final era dispensável. Acima de tudo, falta-lhe o sentido de sobrenatural do GÉNIO DO MAL (The Omen).

Vale a Pena Ver? É preferível verem o original de 1976 e as suas duas sequelas, mas o filme até que está a ser bem recebido, portanto o defeito deve ser meu.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

sábado, 3 de fevereiro de 2024

O FALSIFICADOR (Der Passfälscher) de Maggie Peren

A História: Cioma Schönhaus é um jovem judeu a viver na Alemanha Nazi, e vai escapando à Gestapo graças à sua habilidade de mentiroso; entretanto, o seu talento para falsificar passaportes, salva a vida a muitos.

O Elenco: No papel principal, Louis Hofmann consegue ser irritante e emotivo, acabando por captar a nossa empatia. É bem secundado por uma interessante galeria de personagens onde se destacam Jonathan Berlin como o seu amigo Det Kassriel (que me pareceu estar apaixonado por ele), Luna Werdler como a sua namorada Gerda e Nina Gummich como a senhoria dura mas de bom coração.

O Pior do Filme: O nunca sentirmos que a vida de Cioma possa estar mesmo em risco e isso não tem a ver com o facto de se tratar de uma história verídica.

O Melhor do Filme: A cena no restaurante onde Cioma vê o seu amigo Det a ser interrogado por um Nazi.

Veredicto Final: Baseado na biografia de Cioma Schönhaus, é mais uma viagem a um passado negro da história, que infelizmente parece querer repetir-se mudando apenas os protagonistas, onde o facto de se ser judeu era só por si motivo para se ser eliminado. Curiosamente, o seu herói é tudo menos isso; ele é um habilidoso mentiroso que parece viver sem medo e é acima de tudo um sobrevivente. Talvez por isso falta ao filme mais emoção e os momentos de grande tensão não nos afligem muito, mas segue-se com interesse e sempre gostei de histórias desta época.

Classificação: 5 (de 1 a 10)




sábado, 27 de janeiro de 2024

FOE de Garth Davis

A História: Num futuro próximo, um casal que vive meio isolado numa quinta é visitado por um agente do governo que lhes diz que o marido foi escolhido para fazer parte de uma missão para salvar a raça humana. Para que a mulher não fique sozinha, propõem criar um androide igual ao marido.

O Elenco: Saiorse Ronan (de quem não sou grande fã) e Paul Mescal dão o seu melhor como o casal que se vê perante uma situação complicada e são ambos fantásticos.

O Pior do Filme: A história custa a arrancar e é um pouco longo.

O Melhor do Filme: A química e a intimidade realista entre os dois actores.

Veredicto Final: Visualmente forte, com paisagens inóspitas, a acção decorre lentamente, num crescendo emocional que não nos prepara para o surpreendente final. Verdade, o realizador Garth Davis estica um pouco a corda deste drama de ficção científica sem necessidade disso, mas a beleza plástica de algumas cenas compensa..., ainda assim acho que ganhava se fosse mais curtinho.

 Classificação: 6 (de 1 a 10)

terça-feira, 29 de agosto de 2023

FALA COMIGO (Talk to Me) de Danny & Michael Philippou

Um grupo de amigos descobre uma espécie de mão embalsamada através da qual conseguem contactar o além. O que começa como uma simples brincadeira cheia de adrenalina, depressa se torna em algo mortalmente perigoso.

A ideia de objectos que nos ajudam a contactar o além não é nova, sendo o mais conhecido o tabuleiro Ouija, e já foi usada muitas vezes no cinema, mas neste novo filme os irmãos Danny & Michael Philippou conseguem dar-lhe uma nova “roupagem” e o resultado surpreendeu-me pela positiva.

Sim, não é original, tem pouco suspense e é previsível, mas consegue prender a nossa atenção, provocar alguns calafrios e a história está muito bem construída. Tem a grande vantagem de, contra o que seria de esperar, não se transformar num matadouro “gore” de adolescentes e tem um elenco bastante convincente. É provável que venha a ter sequelas, mas não precisa delas para nada. Se gostam de bom cinema de terror não percam! 

Classificação: 7 (de 1 a 10)





domingo, 13 de agosto de 2023

FINALMENTE O VERÃO (Cet Été-Là) de Eric Lartigau

É Verão, uma família (pai, mãe e filha) regressa à sua casa de férias, onde se reúne com velhos amigos. A relação do casal não está muito bem e a filha, com a sua amiga, percorrem a localidade descobrindo segredos dos adultos.

O realizador do excelente LA FAMILE BÉLIER, Éric Lartigau, dá-nos um retrato humorístico, por vezes dramático, de um casal em crise, visto pelo olhar inocente e ingénuo de uma miúda pré-adolescente, cuja espírito começa a despertar para a sexualidade. Para mim o problema é que não existe propriamente uma história, mas sim episódios de um Verão onde tudo pode acontecer. O elenco é muito bom (as miúdas são óptimas) e dei algumas boas gargalhadas, mas precisava de me sentir emocionalmente mais ligado às personagens. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)



quarta-feira, 5 de julho de 2023

FARTA DE MIM MESMA (Syk Pike) de Kristoffer Borgli

Ao ver o seu namorado, um artista contemporâneo, a tornar-se famoso e a ser sempre o centro de atenções, Signe (Kristine Kujath Thorp) decide fazer tudo por tudo para chamar a atenção para si e se tornar famosa. Assim, consome uma droga russa que provoca danos terríveis no corpo e com a sua nova deformidade acredita conseguir os seus objetivos.

Este filme norueguês passou despercebido quando estreou nos nossos cinemas e vim agora a descobri-lo na Filmin e é uma agradável surpresa! Uma comédia negra, muito negra, a roçar o cinema de terror (a sombra de David Cronenberg paira por aqui), realizada com humor e nunca caindo no gratuito. Na verdade é uma sátira aos tempos em que vivemos, em que as pessoas fazem tudo para terem likes e aparecerem nas revistas e televisão, independentemente das sequências que o seus actos possam ter para as suas vidas. No papel principal, Kristine Kujath Thorp é uma revelação e é com um misto de empatia, fascínio e repugnância que seguimos o seu percurso. Pode não ser para toda a gente, mas recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)





segunda-feira, 26 de junho de 2023

THE FLASH de Andy Muschietti

O jovem Flash volta atrás no tempo para tentar impedir o assassinato da sua mãe e provar a inocência do seu pai. No passado encontra a sua versão com menos uns anitos e devido ao seu distúrbio temporal tem que unir forças com o velho Batman (versão Tim Burton) e com a jovem Supergirl para combater o terrível General Zod.

Duas horas e meia depois de drama adolescente, humor sem graça e de um festival de CGI, cheguei à conclusão de que estou cansado de super-heróis, sejam eles DC ou Marvel; já não tenho paciência para as suas histórias intermináveis que ligam a outros filmes e séries de televisão. Mas quem é que se consegue manter a par disto tudo? 

O jovem Ezra Miller faz o que pode como Flash e devem ter pago bem ao Michael Keaton para voltar a vestir o fato do Batman. Quanto ao argumento, não precisavam do esticar tanto, 90 minutos era mais que suficiente. Só para fãs incondicionais.

Classificação: 1 (de 1 a 10)




quarta-feira, 19 de abril de 2023

THE FORGIVEN de John Michael McDonagh / IMPÉRIO DA LUZ (Empire of Light) de Sam Mendes

Nunca percebi o que se passa na cabeça das pessoas por detrás das distribuidoras cinematográficas portuguesas, mas, sem aviso, estes dois filmes vão diretamente para streaming, tirando-nos o prazer de os puder ver num cinema. O primeiro está disponível nos clubes de vídeo do MEO e companhia e o segundo no Disney+. Ambos merecem ser descobertos e apreciados!

No primeiro, um grupo de ricalhaços pretenciosos e insuportáveis vão a uma festa num palacete no meio do deserto algures em Marrocos; mas um dos casais atropela um nativo num acidente mortal e alguém vai ter que apagar as consequências.

O segundo passa-se na década de 80, numa cidade costeira em Inglaterra; os empregados de um gigantesco e decadente cinema, vivem os seus dramas e enfrentam os seus medos.

Para além de serem dois bons exemplos do chamado cinema de autor (olha para mim armado em intelectual), ambos têm ritmo lento, mas nunca são aborrecidos e partilham dois temas: o racismo e a solidão. No primeiro a morte do jovem indígena é descartada como algo sem importância, no segundo um negro é alvo do ódio de skinheads. Quanto à solidão, os personagens principais de ambos os filmes lidam com ela de forma diferente.

A “loucura” excessiva da festa do primeiro, contrasta com a melancolia nostálgica do segundo. Ambos são produções muito cuidadas e a fotografia do segundo é notável (foi nomeada para os Óscars). Comum aos dois é a excelência dos elencos. Em THE FORGIVEN, Ralph Fiennes demonstra continuar a ser um dos melhores actores da actualidade e Jessica Chastain não lhe fica atrás. Em IMPÉRIO DA LUZ, Olivia Colman brilha sem excessos e a seu lado Micheal Ward é uma revelação.

Dois bons filmes a não perder!

Classificação de ambos os filmes: 7 (de 1 a 10)


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

JORGE VAI AOS FILMES: OS ÚLTIMOS FILMES DE 2022
















Antes de me debruçar sobre as minhas usuais listas dos melhores do ano, aqui vai uma rápida viagem pelos últimos filmes que vi em 2022.

OS FABELMANS (The Fabelmans) de Steven Spielberg – o regresso à boa forma de Steven Spielberg, num filme auto-biográfico sobre a sua infância e adolescência, que é uma fabulosa carta de amor ao cinema. Um elenco notável (Óscar para Michelle Williams?) num filme com momentos mágicos que só são possíveis de se viverem no escuro de uma sala de cinema. A não perder!  – Classificação: 8 (de 1 a 10)

GLASS ONION: UM MISTÉRIO KNIVES OUT (Glass Onion: A Knives Out Mystery) de Rian Johnson – o detective privado Benoit Blanc (Daniel Craig) está de volta em mais um divertido “whodunit”, desta vez passado numa luxuosa mansão numa ilha mediterrânea e com um colorido grupo de personagens. Fiquei com a ideia de que os actores se divertiram mais a fazer o filme que eu a vê-lo, mas gostei do que vi e só tenho pena de ter logo desconfiado de quem seria “culpado” – Classificação: 6 (de 1 a 10)

GUILLERMO DEL TORO’S PINOCCHIO de Guillermo del Toro e Mark Gustafson – com uma notável banda sonora e visualmente brilhante, este é a versão mais negra deste clássico da literatura. Del Toro e Mark Gustafson estão, felizmente, a milhas de distância da insonsa nova versão da Disney e dão-nos uma nova interpretação da história, com um humor e uma magia muito próprias. Não ficarei surpreendido se ganhar o Óscar para Melhor Filme de Animação e tem uma canção, “Better Tomorrows”, que simplesmente adorei!  – Classificação: 7 (de 1 a 10)

I WANNA DANCE WITH SOMEBODY de Kasi Lemmons – Whitney Houston leva o tratamento biográfico de Hollywood, numa versão mais doce do que foi a sua vida real. O filme é essencialmente uma homenagem emocional a essa grande voz e nesse campo não falha. Preparem-se para se sentirem emocionados com alguns dos números musicais e Naomi Ackie vai bem como a famosa diva – Classificação: 7 (de 1 a 10)

AS LINHAS TORTAS DE DEUS (Los Renglones Torcidos de Dios) de Oriol Paulo – uma jornalista (Bárbara Lennie) dá entrada num hospital psiquiátrico fingindo-se de “louca”, na realidade está a investigar um crime... Bem, nem tudo é o que parece neste thriller espanhol, onde a cada “linha” somos surpreendidos e baralhados. Com suspense suficiente para nos manter presos ao ecrã e um excelente elenco, aconselho a quem gosta de bons mistérios – Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATILDA (Roald Dahl’s Matilda the Musical) de Matthew Warchus – o grande sucesso dos palcos de Londres recebe uma imaginativa adaptação cinematográfica, curiosamente dirigida pelo responsável pelo musical teatral, Matthew Warchus. Ele dá nova vida ao musical e o filme segue-se com um sorriso nos lábios e Emma Thompson, como a terrível Mrs. Trunchbull, rouba o filme ao restante elenco. Um bom musical! – Classificação: 7 (de 1 a 10)

WHITE NOISE de Noah Baumbach – o dia a dia de uma banal família americana, onde os pais se preocupam com a morte, um vírus ameaçador paira no ar, novos medicamentos têm efeitos secundários indesejáveis e onde os finais felizes acontecem no supermercado. Uma comédia que faz rir e pensar ao mesmo tempo, com um ritmo um pouco lento para o meu gosto, mas bem escrita e com um elenco em perfeita sintonia com o espírito do filme – Classificação: 6 (de 1 a 10)


quinta-feira, 3 de novembro de 2022

JORGE FOI AOS FILMES: DOIS TÍTULOS LGBT

FOGO-FÁTUO VS PETER VON KANT

No meu blog FITAS & VIDA QUEER podem ler a minha opinião sobre estes filmes de temática LGBT, algo de raro de se encontrar no nosso circuito cinematográfico, bem como ver uma pequena galeria de imagens/cartazes dos mesmos: https://fitas-queer.blogspot.com/2022/11/fofo-fatuo-vs-peter-von-kant.html

 

domingo, 4 de setembro de 2022

A FÚRIA DO ASSASSINO (Alla Ricerca del Piacere / Amuck / Hot Bed of Sex) de Silvio Amadio

O quarto filme dos seis que vi, mais ou menos seguidos, nas sessões da meia-noite do cinema Lumiar, foi também o meu primeiro “giallo”; claro que na altura não só não conhecia o termo, como não fazia a mínima do que o mesmo significava. Hoje em dia, praticamente todos sabemos que é um termo que serve para designar thrillers de mistério e terror “made in Italy”, onde há sempre jovens desnudadas, um assassino à solta e vários suspeitos.

Neste filme, uma bela loira (Barbara Bouchet) vai trabalhar como secretária para casa de um escritor (Farley Granger), mas na realidade o que ela pretende é investigar o que aconteceu à sua amiga/amante, que desapareceu sem rasto na mesmo cargo que ela agora exerce. Depressa se vê alvo da atenção sexual do escritor, bem como da sua esposa (Rosalba Neri), ao mesmo tempo que percebe que pode ser a próxima vítima do assassino.

Acho que, até então, nunca tinha visto tantas mamas num filme, mas a sua componente erótica assim “obrigava”. Quem não achou muita piada foram os meus pais que, juntamente com um casal de primos, me acompanharam nessas sessões. Mas do que me recordo melhor foi o filme me deixar os nervos em frangalhos com a sua forte componente de suspense e, claro, estava a torcer pela vida da jovem protagonista.

Não sei se o filme sobreviveu ao teste do tempo ou se será demasiado datado com o seu vibe anos 70, mas é uma sessão que recordo com saudade e tenho alguma curiosidade em revê-lo, ao mesmo tempo receio que isso possa matar esta bela memória cinéfila.

E já lá vão quatro dos seis filmes que vi. Os anteriores foram A IMAGEM DO MEDO, A ILHA DO TERROR, e O VAMPIRO NEGRO. Faltam dois.