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quinta-feira, 18 de junho de 2026

O DIA DA REVELAÇÃO (DISCLOSUSE DAY) de Steven Spielberg











Daniel tem em seu poder documentos secretos que provam a existência de vida noutros planetas e, com o apoio de um tal Hugo, pretendem revelar a verdade ao mundo. Claro que os “maus da fita” querem travá-los, mas com a ajuda inesperada de Margaret, a menina da meteorologia, eles talvez tenham uma chance de revelar tudo.

Steven Spielberg está de volta à ficção-científica e só temos a ganhar com isso. Não diria que este é um dos seus melhores filmes, mas ainda assim é muito bom. Emoção, aventura, suspense, humor, está cá tudo em doses recomendáveis. Claro que duas horas e meia de filme é muito tempo e talvez não houvesse necessidade, mas vale sobretudo pela excelência do elenco, onde Emily Blunt brilha como a grande e versátil actriz que é. Blunt é, para mim, a melhor coisa do filme e adorava vê-la nomeada para o Óscar. A seu lado, Josh O’Connor continua a conquistar com segurança e talento o seu lugar na ribalta. A secundá-los Colin Firth (a tentar ser o mau da fita), Colman Domingo e Eve Hewson vão muito bem.

Mais que um filme de ficção-científica, diria que é uma experiência quase religiosa, pois a fé tem um lugar muito importante na história e, tal como nos X FILES, a verdade anda aí e todos merecemos sabê-la. Num mundo repleto de “notícias falsas” era bom que houvesse alguém que viesse repôr a verdade.

Classificação: 7 (de 1 a 10)









HUNGRY: 4 TONELADAS DE RAIVA (HUNGRY) de James Nunn











Um grupo de turistas numa tour pelos pântanos de Louisiana, para verem os crocodilos, acabam perdidos e começam a ser perseguidos por uma terrível hipopótamo, que está disposta a dar cabo deles todos.

Filmes com animais em fúria é um subgénero do cinema de terror, que tanto podem ser bons (OS PÁSSAROS, TUBARÃO, GRIZZLY) ou maus (BARRACUDA, PIRANHA 2). Este fica a meio caminho, não é bom, mas também não é mau. Tem a seu favor um grupo de actores (o nosso Joaquim de Almeida é um deles) razoáveis, que pouco mais são que “carne para canhão”... bem, neste caso “carne para hipopótamo”. 

O que eu gostei mais foi do cenário e tem um ou dois bons momentos de suspense. Julgo que se o realizador/argumentista James Nunn tivesse levado a coisa menos a sério, poderia ter sido melhor. 

Classificação: 4 (de 1 a 10)





quarta-feira, 3 de junho de 2026

BACKROOMS – O LABIRINTO (BACKROOMS) de Kane Parsons

Clark, que trabalha numa loja/armazém de móveis, descobre um labirinto de salas por detrás de uma das paredes da cave do armazém. Quando este desaparece sem rasto, a sua terapeuta decide ir procurá-lo e descobre que ele falava a verdade sobre a existência do labirinto de salas.

Desconhecia e desconheço os vídeos de YouTube que estão na base deste novo filme e, até agora, o Kane Parsons era um ilustre estranho para mim, um daqueles que faço intenções de ser um fiel seguidor da sua promissora carreira cinematográfica.

Este BACKROOMS não é para toda a gente, pois é um objecto estranho, livre de várias interpretações. Tenho de confessar que após o prometedor princípio, quase que me deixei adormecer, mas depois despertei e deixei-me levar neste pesadelo, de onde parece não haver saída. Diria que os cenários são o principal protagonista deste filme, eles têm vida própria e a forma como disturbam os personagens é assustadora e sufocante, claustrofóbica. Que existe algo de vivo e perigoso naquele estranho labirintos de salas, portas e janelas, é mais que óbvio, mas o filme não é sobre mais uma criatura ou psicopata. 

Atrevo-me a dizer que é algo de diferente, que por vezes me fez lembrar os corredores do hotel do SHINING com um cheirinho de ficção-científica.

No elenco Chiwetel Ejiofo e Renate Reinsve convencem como os principais protagonistas encurralados não só naquelas salas, mas também nas suas vidas.

Entre o sonho e a realidade, é um novo conceito de filme de terror. Não será do agrado de toda a gente, mas eu gostei.  

Classificação: 7 (de 1 a 10)

















O PASSAGEIRO DO INFERNO (PASSENGER) de André Øvredal


Um jovem casal, que decide fazer vida pela estrada fora numa roulotte, assistem a um acidente e, a partir daí, começam a ser perseguidos por uma identidade maléfica que os quer matar.

O tema de perigo na estrada já foi abordado várias vezes no cinema de terror e noutros géneros, com bons e maus resultados. Este novo filme é um bom resultado.

Sem muito sangue, nem muitas mortes, o realizador mantém o suspense e a atmosfera do princípio ao fim, com alguns calafrios pelo caminho. O facto de o casal de protagonistas ser simpático ajuda à festa e preocupamo-nos pelo que lhes irá acontecer. A entidade malévola é suficientemente “creepy” para nos assombrar os sonhos e o final está à altura das expectativas.

Jacob Scipio e Lou Llobell vão bem como o casal e, num papel secundário, Melissa Leo dá-lhe todo o apoio que necessitam. Quanto ao dito Passageiro, acredito que possa voltar para mais umas viagens sombrias na estrada.

Classificação: 6 (de 1 a 10)





MOTHER MARY de David Lowery

A estrela pop Mother Mary, está prestes a regressar aos palcos, mas para isso necessita de um vestido super especial. Visita então a sua velha amiga e designer de moda, Sam Anselm, a fim de estar lhe fazer o vestido. Mas entre elas existem coisas por resolver e algo de estranho parece assombrar ambas.

Aqui está um filme difícil de classificar; eu diria que é um drama com contornos fantásticos, mas também pode ser visto como algo de psicadélico. Seja lá o que for, tem uma premissa interessante, mas o seu ritmo lento deu-me um bocado de sono e ainda dei umas “cabeçadas”. Plasticamente é muito bonito, mas falta-lhe qualquer coisa... é como se a ideia tivesse lá, mas não sabiam muito bem o que fazer com ela. Nunca é suficientemente dramático e a parte fantástica é deliberadamente artificial, nunca explicada (o que me agradou).

O melhor é mesmo é o “duelo” entre as duas protagonistas, com Anne Hathaway em grande forma, demonstrando a sua grande versatilidade, e Michaela Coel uma verdadeira revelação. 

Se estão à procura de algo diferente, este filme poderá ser para vocês... eu não fiquei convencido. Mas adoro o cartaz com a Mother Mary a cair acompanhada por uma faixa de tecido vermelho...

Classificação: 4 (de 1 a 10)




terça-feira, 2 de junho de 2026

STAR WARS: THE MANDALORIAN AND GROGU de Jon Favreau

O Mandalorian e o Grogu têm como missão resgatar o filho de Jabba the Hutt e entregá-lo aos seus tios, com o fim destes revelarem a identidade de um membro do antigo Império. Mas depressa percebem que há mais em jogo...   

Prontos para mais um filme da interminável saga do STAR WARS? Estejam ou não, aqui está mais um, este “nascido” da série de televisão THE MANDALORIAN. Se, como eu, são fãs da série, acho que vão gostar deste filme, que na realidade é como se fosse um episódio longo da mesma. 

O universo do STAR WARS está cá todo, com a eterna ameaça do Império (já não há paciência) a pairar no ar. Confesso que, por momentos, pensei que iria ser mais uma politiquice, mas o realizador Jon Favreau optou pelo espírito da aventura e disso eu gosto. 

Temos muitas criaturas, naves, perseguições, porrada, explosões... nada de novo, mas é bom para entreter. O melhor é a sequência (com os dois protagonistas praticamente sozinhos) passada na floresta do planeta onde vivem os Hutt.

Pedro Pascal é sempre bom de se ver, Sigourney Weaver é sempre bem-vinda, mas ambos são ofuscados pelo pequeno Grogu.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



domingo, 31 de maio de 2026

AS PROVADORAS DE HITLER (LE ASSAGGIATRICI) de Silvio Soldini

Nos anos finais da Alemanha Nazi, Rosa (cujo marido está desaparecido na guerra) e mais seis mulheres são escolhidas para provarem a comida que é servida a Hitler e assim evitarem que o mesmo seja envenenado. 

Não há dúvida, a Alemanha Nazi e a Segunda Guerra Mundial têm servido de cenário para 1001 filmes e parece que há sempre algo de novo para nos ser revelado. Não sou nem nunca fui muito dado a História, por isso desconhecia que o Hitler tinha um grupo de mulheres que provava a sua comida. O mais curioso é que estas mulheres eram alemãs como ele e não judias; talvez ele achasse, nos seus delírios da raça ariana, que o veneno que o pudesse matar não faria mal a judias. 

O filme retrata isto de forma quase casual, sendo o mais importante as relações que se criam entre as provadoras, bem como o “affair” entre Rosa (Elisa Schlott) e um oficial Nazi (Max Riemelt). Mas o que eu gostei mais, é da relação de cumplicidade que se cria entre Rosa e Elfriede (uma excelente Alma Hasun), que vem a revelar ser judia. 

Uma boa história, um bom filme!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


MAIS FORTE QUE EU (I SWEAR) de Kirk Jones

O jovem John Davidson é diagnosticado com o síndrome de Tourette, uma desordem neurológica (tiques, espasmos e linguagem obscena descontrolada) não compreendida ou aceite por sua família e pessoas no geral. Com a ajuda de Dottie, mãe de um ex-colega de escola, ele aprende a lidar com o problema e começa a ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo e a lutar para que este seja compreendido por todos.

Baseado na história verdadeira de John Davidson, é um drama que nos fala, ou melhor, nos ensina sobre o síndrome de Tourette e as suas consequências na vida de quem vive com ele. Felizmente, o realizador/argumentista Kirk Jones não cai na armadilha do filme didáctico ou lamechas. Com humor e sensibilidade, conquista a nossa simpatia e tenta abrir a nossa mente para que sejamos mais tolerantes perante o que não desconhecemos.

No papel principal, Robert Aramayo é uma revelação; não é propriamente um personagem simpático, mas depressa cria empatia connosco e é brilhante, ao ponto de por vezes interrogar-me se ele sofreria deste problema. A seu lado, Shirley Henderson é a maternal Dottie e Shirley Henderson a sofrida mãe de John. Aconselho a verem, e preparem-se para derramar uma lágrima ou duas.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




sábado, 16 de maio de 2026

AS OVELHAS DETETIVES (THE SHEEP DETECTIVES) de Kyle Balda

George é um pastor solitário que adora as suas ovelhas, para quem lê romances policiais. Quando um dia ele morre em estranhas circunstâncias, as ovelhas decidem armar-se em detectives e ajudar a polícia a descobrir o assassino.

A ideia pode parecer absurda, um “whodunit” com ovelhas? Mas sabem uma coisa, funciona, funciona mesmo muito bem. O realizador Kyle Balda (MINIONS) dá-nos uma comédia misteriosa, divertida, comovente (as lágrimas vieram-me aos olhos) e com uma inocência que há muito não via no cinema. O argumento, baseado num livro, está bem construído e, acreditem ou não, não descobri a identidade do/a assassino/a.

No elenco humano, que inclui Hugh Jackman e Emma Thompson, sobressaem Nicholas Galitzzine como o jornalista e, principalmente, Nicholas Braun como o polícia meio-tonto. Mas o filme pertence por direito às ovelhas e estas são brilhantes; apesar de ser estranho falarem, esse facto é esquecido ao fim de segundos e facilmente somos conquistados por elas. Até fiquei a pensar em adoptar uma ovelha...

PS: Adoro os cartazes das ovelhas inspirados noutros filmes.

Classificação: 7 (de 1 a 10)