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quinta-feira, 2 de abril de 2026

OS FILMES DE MARÇO 2026

Em Março estrearam em Lisboa 24 longas-metragens de ficção, menos filmes que em Fevereiro.

Aqui ficam uns breves comentários sobre as 10 estreias que vi e mais alguns filmes que vi em Março:

THE BLUFF de Frank E. Flowers

Fazia muito tempo que não via um filme de piratas. Neste caso temos uma “piratona” durona que, quando a ilha onde vive é invadida por um terrível bando de piratas, é obrigada a revelar a sua identidade. O resultado tem muita acção, violência e não muito mais, mas Priyanka Chopra Jonas demonstra ser uma melhor de armas e o resultado segue-se com algum gozo e descrédito.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

BOA SORTE, DIVERTE-TE, NÃO MORRAS (GOOD LUCK, HAVE FUN, DON’T DIE) de Gore Verbinski

Num restaurante em Los Angeles, chega um homem que diz vir do futuro e que precisa de ajuda para salvar o mundo da inteligência artificial; um pequeno grupo de clientes acaba por ser voluntário à força e espera-os uma estranha noite. Esta comédia de ficção científica  é uma estranha maluquice, com algumas ideias engraçadas, cenas “creepy” como a dos estudantes agarrados aos telemóveis, coisas disparatadas e mensagem moralista: larguem a Internet e as redes sociais. Devia ser mais divertido, mas Sam Rockwell e o resto do elenco estão em sintonia com o espírito da coisa.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

ELES MATAM-TE (THEY WILL KILL YOU) de Kirill Sokolov

Uma mulher, Asia, vai trabalhar como criada para um imponente prédio em Nova Iorque e depressa descobre que os seus inquilinos precisam de um sacrifício humano para essa noite. Oh pá, isto é divertido e sangrento à brava! Ao mesmo tempo tem uma história consistente e um bom elenco (onde se destacam Zazie Beetz como Asia e Patricia Arquette como a “governanta”). Não se levando nada a sério, são cerca de 90 minutos de acção e violência ao estilo do Sam Raimi, com algumas cenas hilariantes que me fizeram rir à gargalhada. Para fãs de cinema de terror!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

O ESTRANGEIRO (L’ÉTRANGER) de François Ozon

Algeria, anos 30. Um francês, a quem recentemente faleceu a mãe, mata um árabe e enfrenta a justiça pelo seu crime. Antes de mais, confesso que nunca li o livro de Albert Camus, nem vi as versões cinematográficas anteriores a esta. Apesar de ter uma cuidada fotografia a preto e branco, achei o filme um bocado arrastado. Tal como o seu personagem, é frio e nada emocional, daí o meu distanciamento quanto aos acontecimentos narrados. O mais interessante, é ver como um homem é mais criticado pela sua falta de emoções do que pelo seu crime. Quanto às razões do crime, tendo em conta como a cena é filmada, atreveria a dizer-me que tem a ver com uma possível homossexualidade. O elenco vai bem e os dois protagonistas principais, Benjamin Voisin e Rebecca Marder, são bonitos de se ver.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

A NOIVA (THE BRIDE) de Maggie Gyllenhaal

Chicago anos 30. A criatura de Frankenstein pede à Dra. Euphronius que lhe crie uma noiva. O corpo escolhido é de uma jovem recentemente assassinada, cuja mente encerra segredos perigosos sobre um senhor do crime. Este é daqueles filmes que se percebe que foi feito a pensar na possibilidade de se tornar um título de culto, e é bem possível que isso aconteça. A escolha de Jessie Buckley e Christian Bale para os papéis principais não podia ter sido melhor e ambos estão fantásticos. Sem ser um grande filme, segue-se sempre com interesse, com momentos de pura loucura (o número musical no restaurante fino) e um incentivo à luta pela justiça.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

10 DANÇAS (TEN DANCE) de Keishi Otomo 

Shinya Suzuki é especialista em danças latino-americanas (samba, rumba, etc), Shinya Sugiki é especialista em danças clássicas (valsa, foxtrot, etc) e são uma espécie de rivais. Um dia, Sugiki desafia Suzuki para competirem no “10 Danças”, propondo que cada um ensine ao outro (e às suas parceiras) o tipo de dança em que são especialistas. Durante as aulas apaixonam-se um pelo outro.

O universo das danças de salão serve de cenário a uma história de amor contida e o resultado é agradável à vista e ao coração. Nos papéis principais, Ryoma Takeuchi e Keita Machida não podiam ser mais diferentes, um “caliente” o outro “frio”, mas quando dançam juntos o erotismo e a sensualidade transpiram por todos os seus poros e, claro, acabamos a torcer para que o seu amor se concretize. Tudo isto com muita dança e a “pirosice” associada ao universo das danças de salão. Gostei!

Classificação: 6 (de 1 a 10)

MÁQUINA BÉLICA (WAR MACHINE) de Patrick Hughes

Um grupo de recrutas parte para o exercício final do seu curso, mas acabam por enfrentar uma máquina vinda de outro planeta que quer dar cabo deles todos. Com suspense e carnificina quanto baste, este filme de acção é isso mesmo; sem qualquer tipo de pretensões, temos muitas explosões, muitos mortos e um herói (Alan Ritchson) com um passado dramático. Dentro do género não vai mal e cumpre o seu objetivo de entreter. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)

PALESTINE 36 de Annemarie Jacir

Na Palestina, os habitantes começam a revoltar-se contra o Império Britânico, principalmente quando estes lhes começam a tirar terras para as dar aos judeus que estão a invadir o país. Este é daqueles filmes que não podia ter estreado em melhor altura. 

De forma quase documental, ficamos a saber muitas das coisas que estão por detrás do eterno conflito entre a Palestina e Israel. Para verem a minha ignorância, eu pensava que a invasão da Palestina pelos judeus tinha acontecido só após a 2ª Guerra e não logo em 1936. Um elenco maioritariamente de caras desconhecidas, com alguns actores conhecidos (Jeremy Irons) para chamar o público, tornam tudo muito realista e é fácil sentirmo-nos revoltados pelos acontecimentos retratados. Pessoalmente, prefiro narrativas mais emocionais e menos documentais, mas tendo em conta o que se passa neste momento no mundo, acho que é de visão obrigatória.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

PILLION de Harry Lighton 

Colin é um homem gay, tímido e um pouco inocente, que um dia conhece Ray, um motoqueiro giraço que se interessa por ele e o torna o seu “escravo”. Nasce assim uma relação de poder e submissão entre os dois.

Não, “pillion” não é uma prática sexual, é o nome dado ao lugar de trás (ou do pendura) das motos; lugar que no filme é ocupado por Colin. Mas não se preocupem, há diversas práticas sexuais e bem explícitas neste drama gay, onde um homem se deixa subjugar por outro, num jogo sado-maso que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis. Diria que é um filme forte, corajoso, que julgo não deixará ninguém indiferente. Nos papéis principais, Harry Melling (que entrou nos Harry Potters) é uma revelação como Colin e Alexander Skarsgård é um deus sexual capaz de despertar o guloso que há em nós. Decididamente, não é um filme para mentes fechadas.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PROJETO HAIL MARY (PROJECT HAIL MARY) de Phil Lord & Christopher Miller

Um professor de ciências, Ryland, acorda sozinho numa nave especial, cuja missão é descobrir algo que salve o nosso moribundo sol e outras estrelas; mas não está sozinho, uma nave extra-terrestre com a mesma missão, intercedo-o e trava conhecimento com o seu estranho habitante, Rocky

Verdade, ao princípio dei muitas cabeçadas e pensei que o filme ia ser uma estopada, mas Ryan Gosling consegue segurar a coisa e lá despertei para esta aventura de ficção-científica, com bons efeitos especiais. O aspecto mais interessante é a amizade que se cria entre o Ryland e Rocky, sendo a relação deles o coração do filme. Sim, por vezes roça o inverossímil, mas isso não importa. Gosland é a alma do filme e prova que até com uma rocha ele consegue ter química (veio-me à memória a sua relação com uma boneca insuflável em LARS AND HE REAL GIRL). 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

O RAPAZ DA ILHA AMRUM (AMRUM) de Fatih Akin

1945. Na ilha isolada de Amrum, um puto de 12 anos, que pertence à Juventude Nazi, tenta arranjar pão branco, mel e manteiga para a sua mãe; entretanto a Alemanha perde a guerra. Com uma fotografia belíssima, é um drama bucólico sobre uma adolescência vivida numa ilha onde quase nada acontece e onde a natureza tem uma forte presença. O que mais me despertou o interesse é a forma como a violência é mostrada de forma crua, sem qualquer tipo de rodeios, por vezes de forma incomodativa. O elenco porta-se bem, mas o pequeno Jasper Billerbeck não me conquistou. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)

SALTITÕES (HOPPERS) de Daniel Chong

Uma jovem que adora animais e que está disposta a tudo para salvar um pequeno lago, “rouba” uma nova tecnologia e consegue meter a sua mente no corpo de um castor robot. Assim disfarçada, tenta convencer os animais de uma floresta próxima a ajudarem-na, com resultados imprevisíveis. Não é o melhor filme de animação da Pixar, mas revela-nos um divertido mundo animal e tem dois bons vilões. Para além de toda a diversão, há uma mensagem ecológica importante e uma lagrimazita ao canto do olho. Os miúdos vão gostar e os adultos não se vão aborrecer.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

O TESTAMENTO DE ANN LEE (THE TESTAMENT OF ANN LEE) de Mona Fastvold

Amanda Seyfried vai muito bem como a líder fundadora do movimento religioso Shaker Movement. Os seus seguidores acreditam que ela é um Cristo feminino e aceitam tudo o que ela diz, incluindo a total abstenção sexual. Tudo isto com muitas canções, danças meio loucas e fanatismo cego. Este movimento existiu na realidade e o filme narra a sua história, o problema é que é chato e comprido... chegou a um ponto em que eu já não suportava as suas canções. Uma curiosidade sobre o fanatismo e suas consequências.

Classificação: 3 (de 1 a 10)

YOUNG HEARTS - O PRIMEIRO AMOR (YOUNG HEARTS) de Anthony Schatteman

Elias, um puto de 12/13 anos, começa a ter sentimentos pelo seu novo vizinho Alexander, um rapaz da sua idade, e acaba por se apaixonar por ele, não sabendo muito bem como lidar com isso.

A inocência e o amor andam de mãos dadas neste delicioso drama romântico. A realização de Anthony Schatteman é cuidada e revela um enorme amor pelos seus personagens. No papel de Elias, Lou Goossens é fantástico como o puto que não sabe o que fazer com os seus sentimentos, entre a vergonha, o amor e o receio do que os outros possam pensar. Como Alexandre, Marius DeSaeger é um puto com a sua sexualidade bem resolvida e sem medos. A história desenrola-se com sensibilidade, apontamentos de humor e, lá mais para o final, algumas lágrimas emocionais. Sabe bem ver um filme destes que fala sem medos de ser-se gay, e que o faz com grande respeito e carinho. Saí do cinema com o coração cheio. A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)


quinta-feira, 26 de março de 2026

FESTA DO CINEMA ITALIANO 2026: OS CARTAZES

A 19ª Edição da FESTA DO CINEMA ITALIANO começa dia 9 de Abril no Cinema São Jorge em Lisboa, onde ficará até dia 19 de Abril com sessões também nos UCI Cinemas do Corte Inglês, Cinemateca Portuguesa (até 30 de Abril com um ciclo dedicado a Claudia Cardinale), e Coliseu Club.

A FESTA também terá sessões em muitas outras cidades, pelo que aconselho a visitarem o site do Festival para mais informações: https://festadocinemaitaliano.com/









quarta-feira, 4 de março de 2026

OS FILMES DE FEVEREIRO 2026















Em Fevereiro estrearam em Lisboa 31 longas-metragens de ficção, o que deu mais que um filme novo por dia.

Aqui ficam uns breves comentários sobre as 11 estreias que vi:











AINDA FUNCIONA? (IS THIS THING ON?) de Bradley Cooper

Um casal de meia-idade separa-se. A fim de enfrentar a sua nova vida, ele começa a fazer “stand-up comedy” e ela decide voltar ao desporto... mas será que a sua relação ainda poderá funcionar?  Uma comédia íntima sobre um casal em crise, muito bem escrita e dirigida por Bradley Cooper, onde o principal são os actores e o casal Will Arnett & Laura Dern não podia ser melhor. Faz rir e pensar. Aconselho.

Classificação: 7 (de 1 a 10)











BLUE MOON de Richard Linklater

Broadway 1943. No bar nova-iorquino Sardi’s, Lorenz Hart fala da sua paixão por uma jovem e bonita rapariga, ao mesmo tempo que tenta disfarçar a sua infelicidade com o sucesso de OKLAHOMA!, o novo musical do seu antigo parceiro Richard Rodgers.

A história é simples, mas os diálogos são deliciosos e o elenco não podia ser melhor, com Ethan Hawke a dar a interpretação da sua carreira e uma radiante Margaret Qualley a iluminar o cenário. Não tem cenas de acção, mortes ou efeitos especiais, apenas personagens interessantes filmados com intimidade e amor por Richard Linklater. Um dos filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)











O CASO DOS ESTRANGEIROS (I WAS A STRANGER) de Brandt Andersen

O realizador e argumentista Brandt Andersen dá-nos uma perspectiva crua e dramática sobre a guerra na Síria e as suas terríveis consequências. Sem dúvida um olhar humano sobre os refugiados que apenas procuram sobreviver e ter uma vida melhor. No filme, a vida de cinco personagens cruza-se numa noite de esperança e medo. Um elenco fantástico, algumas sequências bem fortes (o bombardeamento de um apartamento é um momento duro), e o resultado é um dos melhores filmes do ano, devidamente premiado em diversos festivais internacionais. De visão obrigatória!

Classificação: 8 (de 1 a 10)











ENTERRAMOS OS MORTOS (WE BURY THE DEAD) de Zak Hilditch

Uma mulher (Daisy Ridley) procura o esposo no meio dos mortos após um terrível desastre militar, claro que os mortos têm tendência para acordar... Pois é, mais um filme de zombies, mas diferente. Custa a arrancar e, mesmo quando arranca, é muito aborrecido. O elenco vai bem, mas na realidade as personagens não me cativaram.

Classificação: 3 (de 1 a 10)











GRITOS 7 (SCREAM 7) de Kevin Williamson

Neve Campbell (o cheque deve ter sido chorudo) está de volta à saga do SCREAM, naquele que para mim é o filme mais fraco da série. Sim, prega sustos e tem umas mortes criativas, mas é mais do mesmo. Os novos personagens são praticamente “carne para o Ghostface”, o argumento preguiçoso e algumas coisas são praticamente inverosímeis. Mas sabem uma coisa? Diverti-me.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











HAMNET de Chloé Zhao

Inspirado na vida de William Shakespeare, é uma história de amor e um drama sobre a perda de um filho e de como cada pessoa faz o luto de forma diferente. É também um filme sobre o teatro e como através dele é possível as pessoas enfrentarem os seus demónios. Confesso que ao princípio, apesar da beleza das imagens, me estava a custar entrar no filme, mas uma vez lá dentro deixei-me levar pelas suas emoções e comovi-me com o seu belíssimo final. Quanto ao elenco, estão todos muito bons, com destaque para Jessie Buckley, Paul Mescal e Emily Watson.

Classificação: 8 (de 1 a 10)











LOUCA-MENTE (FOLLEMENTE) de Paolo Genovese

Imaginem o INSIDE OUT (filme de animação da Pixar) transformado em comédia romântica para adultos. A ideia tem potencial e podia dar coisas muito giras, infelizmente o resultado é fraquito e não tem muita graça. O casalito romântico, Edoardo Leo e Pilar Fogloati, é simpático e tem química, mas isso não chega. O problema é que os personagens/emoções que vivem nos seus cérebros não são muito divertidos (principalmente eles) e acabam por arrastar a acção.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











O MONTE DOS VENDAVAIS (WUTHERING HEIGHTS) de Emerald Fennel

Nova versão do clássico de Emily Brontë, sobre a paixão possessiva/obsessiva entre Cathy e Heathcliff. Em termos visuais o filme é por vezes deslumbrante e artificial, mas isso não é o suficiente para esta história de amor. O principal é mesmo a química entre os protagonistas, mas não senti muito isso entre Margot Robbie e Jacob Elordi; na realidade há mais química entre Elordi e Alison Oliver (como Isabella). Achei o filme um pouco arrastado e não me arrebatou; falta-lhe paixão.

Classificação: 5 (de 1 a 10)











SE EU TIVESSE PERNAS DAVA-TE UM PONTAPÉ (IF I HAD LEGS I’D KICK YOU) de Mary Bronstein

Em grandes planos que enchem o ecrã, Rose Byrne é uma mulher/mãe à beira de um ataque de nervos, a tentar lidar com a doença da filha (praticamente e habilmente sempre fora de câmara), com a ausência do marido, a loucura dos seus pacientes, obras em casa e o seu esgotamento nervoso. É um drama estranho, por vezes surreal, que causa angústia, faz rir e que mexe com o nosso sistema nervoso. Voltando a Byrne, é uma verdadeira revelação!

Classificação: 6 (de 1 a 10)











SEM ALTERNATIVA (EOJJEOLSUGA EOBSDA / NO OTHER CHOICE) de Park Chan-Wook

Nesta comédia negra, um pai de família é despedido e, com o intuito de conseguir novo emprego, decide “despachar” a concorrência. A ideia é boa e vindo de quem vem ia à espera de algo muito bom, mas fiquei decepcionado. O filme arrasta-se por mais de duas horas com um humor que me passou a lado e achei as personagens todas demasiado exageradas. Talvez o problema seja cultural e eu não tenha compreendido o humor...

Classificação: 4 (de 1 a 10)











SHELBY OAKS de Chris Stuckmann

Uma mulher, cuja irmã desapareceu há uns anos enquanto filmava uma assombração, tem novas pistas sobre o seu possível paradeiro e decidi investigar sozinha. O filme começa na linha do “found footage”, mas depressa deixa essa vertente e opta pela abordagem tradicional. Não é muito bom, mas tem uma atmosfera “creepy”, provoca alguns calafrios e tem em Camille Sullivan uma protagonista convincente. Mas tinha potencial para ser melhor.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)