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domingo, 3 de maio de 2026

O DIABO VESTE PRADA 2 (THE DEVIL WEARS PRADA 2) de David Frankel

A reputação da fabulosa e terrível Miranda Priestly, bem como da revista em que trabalha, está a ser posta em causa e então cabe a Andy Sachs, agora uma jornalista bem cotada, tentar salvar a situação. Mas ela e Miranda vão ter muito mais coisas com que se preocupar.

Vinte anos depois do primeiro filme, a mesma equipa está de volta com uma sequela que, para mim, está praticamente ao nível do primeiro. É divertido, foca assuntos actuais, tem um os dois momentos lamechas e, em termos de produção, é tudo muito cuidado.

Mas o mais importante é o elenco, e as três fabulosas estão de volta e, ao contrário de Stanley Tucci, parecem não ter envelhecido muito. Como sempre, Meryl Streep consegue dizer tudo com um simples olhar, mas Anne Hathaway e Emily Blunt estão à sua altura e as três divertem-se muito. 

Não é um novo clássico, nem uma grande comédia, mas sabe sempre bem ver um elenco destes no grande ecrã e passar cerca de duas horas na sua companhia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


SONHOS (DREAMS) de Michel Franco

Uma americana rica e filantropa envolve-se com um bailarino mexicano, que com a sua ajuda entra nos Estados Unidos sem documentos. Mas quando este não aceita viver “escondido” as coisas complicam-se. 

Temos aqui um drama de forte componente erótica onde Jessica Chastain brilha como uma mulher obcecada e ressabiada, capaz de tudo para ter o que quer. A seu lado Isaac Hernández é o objecto de desejo e um excelente bailarino. A acção corre lentamente, num crescendo de tensão que não adivinha nada de bom para ambos os protagonistas. A questão da emigração ilegal é tratada de uma forma muito pessoal, mas na mesma revoltante.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


CASO 137 (DOSSIER 137) de Dominik Moll

A Stéphanie, uma investigadora policial, é atribuído o caso de um jovem que foi alvejado indevidamente (ou talvez não) pela polícia. 

Inspirado num caso real, é um drama que depressa capta o nosso interesse. Os problemas que Stéphanie enfrenta para apurar a verdade, aliados à atitude defensiva dos polícias visados, são muito enervantes e causam revolta. Diria que o realizador Dominik Moll nos manipula, pondo-nos do lado dela, mas ao mesmo tempo até parece que pode haver uma justificação para os actos dos polícias... 

Sem dúvida um filme que dá que pensar e que tem em Léa Drucker uma excelente actriz, justamente premiada com o César para Melhor Actriz. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)


O CATIVO (EL CAUTIVO) de Alejandro Amenábar

Antes de escrever o famoso “Don Quixote”, Miguel de Cervantes esteve cativo na Algéria, onde o seu “dono” era um poderoso Pachá, que se interessou por ele em vários aspectos. É durante o seu tempo em cativeiro que ele começa a contar histórias. Com excepção do seu “Dom Quixote” (que nunca li, mas vi o filme na sua versão musical), confesso que desconhecia totalmente a vida de Miguel de Cervantes; graças a este drama histórico, já fiquei a saber um pouco. 

Partindo do princípio que os factos retractados no filme correspondem à verdade, é curioso perceber de onde veio a sua inspiração para os personagens principais do seu “Dom Quixote”. Mas, para mim, o mais interessante é a história de amor/atracção entre Cervantes e o Pachá (um muito jeitoso e sexy Alessandro Borghi) e a forma sensual como evolui; não fazia a mínima ideia de que Cervantes era gay ou pelo menos bissexual. Na verdade, o filme tem uma atmosfera muito queer, revelando-nos uma cidade argelina onde o sexo flui sem tabus. É também interessante ver como a sombra da religião católica se faz sentir e não de forma muito positiva. 

No papel de Cervantes, Julio Peña, com o seu olhar de “carneiro mal morto”, faz lembrar o jovem Joseph Fiennes; o seu Cervantes é um homem apaixonado pela vida e pelo poder das palavras. Apesar de ter achado o filme demasiado longo, a verdade é que nunca aborrece e é um bom exemplo do género.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


A CHARADA DA MORTE (THE LAST OF SHEILA) de Herbert Ross

Com argumento de Stephen Sondheim e Anthony Perkins, este “whodunit” de 1973, que nunca tinha conseguido ver, é um bom exemplo do género, na linha do melhor de Agatha Christie.

Há uns anos atrás, Sheila foi atropelada e morreu, nunca se chegando a saber quem foi o assassino; agora, o seu marido reúne os amigos presentes nesse dia e dá-se início a um perigoso jogo, com todos a terem algo a esconder. 

Como é costume nestes filmes, o elenco é de luxo: James Mason, Raquel Welch, Richard Benjamin, Dyan Cannon, James Coburn, Joan Hackett e Ian McShane (nomes bem conhecidos nos anos 70) vão todos muito bem. 

O mistério vai-se adensando, as hipóteses começam a ser várias e é uma pena já não fazerem filmes destes.

Classificação: 7 (de 1 a 10)


OS DOMINGOS (LOS DOMINGOS) de Alauda Ruiz de Azúa

Quando a jovem Ainara anuncia à sua família que quer ir para freira, as reações não são as melhoras e os conflitos familiares multiplicam-se. 

Este drama, entre muitos outros prémios, foi o grande vencedor dos Goya (os Óscars espanhóis) deste ano, cinco no total incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actriz (Patricia López Arnaiz). 

Quando o tema é a religião e a fé, as opiniões divergem muito e julgo que a realizadora do filme tem uma posição parecida com a minha; ou seja, a fé é muito bonita, mas o fanatismo não e quando alguém começa a dizer que Deus fala com ela, é sempre de desconfiar. O filme levanta questões pertinentes e morais, praticamente obrigando-nos a tomar um dos lados, sendo muito eficaz e, por vezes, revoltante. 

O elenco é todo muito bom, com destaque para Patricia López Arnaiz, fantástica como a tia descrente.

Classificação: 7 (de 1 a 10)


O DRAMA (THE DRAMA) de Kristoffer Borgli

Emma e Charlie estão prestes a casar-se, mas, quando durante um jogo, ela revela um segredo do seu passado, as coisas complicam-se. 

Temos aqui uma comédia negra que aborda um assunto quase tabu, os tiroteios nas escolas norte-americanas, e que consegue o equilíbrio certo entre o incomodativo e o humorístico. A dar vida ao apaixonado casalito temos Zendaya e Robert Pattinson, ambos em grande forma e talvez nos dando aqui as melhores interpretações das suas carreiras. 

No final fica uma pergunta no ar: “se fosse comigo como é que eu iria reagir?”

Classificação: 7 (de 1 a 10)


MICHAEL de Antoine Fuqua

Dos primeiros anos da vida de Michael Jackson até à sua fama mundial, este drama musical biográfico é, na minha opinião, demasiado insonso. Com excepção da relação intensa com o seu pai (um forte Colman Domingo), é tudo muito cor-de-rosa e isso irritou-me. Claro que ficou muito por contar e penso que, numa possível sequela, o lado escandaloso da sua vida nos seja revelado. 

Fica-nos a sua música e alguns excelentes momentos musicais, nos quais Jaafar Jackson brilha como bailarino (o moço é dobrado com a voz do seu tio). Se são fãs do Michael e da sua música, este filme não vos vai decepcionar.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


GOOD BOY – TERAPIA DE CHOQUE (GOOD BOY / HEEL ) de Jan Komasa

Um jovem criminoso é raptado por uma família que vive isolada no campo; aí vão obrigá-lo a reabilitar-se e a tornar-se uma melhor pessoa. Claro, que a família tem as suas razões para o fazer. 

O realizador Jan Komasa dirige aqui um thriller dramático e tenso, por vezes tocando o cinema de terror, conseguindo nos manipular. Confesso que o clássico LARANJA MECÂNICA veio-me várias vezes à cabeça, pelo que acredito que tenha inspirado o realizador. Ao contrário desse filme, este tem um lado humano e comovente, que contrasta com o lado negro da história. 

Um excelente elenco dá vida aos personagens e não se envergonhem se eles os fizerem derramar uma lágrima ou duas.

Classificação: 7 (de 1 a 10)


A MÚMIA DE LEE CRONIN (LEE CRONIN’S THE MUMMY) de Lee Cronin

Esqueçam a múmia do Boris Karloff, Christopher Lee, Brendan Fraser e Tom Cruise, este nada tem a ver com as múmias desses filmes; o espírito aqui é na linha do EVIL DEAD RISE (também dirigido por Lee Cronin). Uma miúda americana é raptada no Cairo e reaparece oito anos depois dentro de um túmulo, envolta em ligaduras; o que não sabem é que dentro dela está um terrível demónio desejoso de se soltar. 

Se gostam de filmes de terror sujos, peganhentos e doentios, este é um bom exemplo do género. Acho que não tinha necessidade de ser tão longo e Jack Reynor como o pai da criança não me convenceu, mas mesmo assim deixei-me levar por este pesadelo e tem algumas boas cenas (o funeral da avó é muito bom).

Classificação: 6 (de 1 a 10)


NINO de Pauline Loquès

Nino, um homem jovem, descobre que tem um cancro e que o tratamento do mesmo deve começar dentro de três dias; apanhado de surpresa, não sabe como lidar com o assunto, nem a quem falar do mesmo. 

Um tema dramático tratado de forma muito natural, sem lamechices sem filtros, com humor e de forma muito humana pela realizadora Pauline Loquès. No papel de Nino, Thédore Pellerin revela-se um jovem cheio de talento, que facilmente cria empatia connosco.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


PREDADOR DOMINANTE (APEX) de Baltasar Kormákur

A história é simples. Uma mulher vai sozinha descer uns rápidos na Austrália selvagem e acaba a ser caçada por um louco. Verdade, não há muito para dizer sobres este filme. 

Charlize Theron e Taron Egerton vão bem, as paisagens são bonitas, temos uns laivos de cinema de terror, mas na verdade é um thriller eficaz com suspense suficiente para nos manter interessados. São cerca 90 minutos intensos e bem passados.

Classificação: 6 (de 1 a 10)