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quinta-feira, 26 de março de 2026

FESTA DO CINEMA ITALIANO 2026: OS CARTAZES

A 19ª Edição da FESTA DO CINEMA ITALIANO começa dia 9 de Abril no Cinema São Jorge em Lisboa, onde ficará até dia 19 de Abril com sessões também nos UCI Cinemas do Corte Inglês, Cinemateca Portuguesa (até 30 de Abril com um ciclo dedicado a Claudia Cardinale), e Coliseu Club.

A FESTA também terá sessões em muitas outras cidades, pelo que aconselho a visitarem o site do Festival para mais informações: https://festadocinemaitaliano.com/









quarta-feira, 4 de março de 2026

OS FILMES DE FEVEREIRO 2026















Em Fevereiro estrearam em Lisboa 31 longas-metragens de ficção, o que deu mais que um filme novo por dia.

Aqui ficam uns breves comentários sobre as 11 estreias que vi:











AINDA FUNCIONA? (IS THIS THING ON?) de Bradley Cooper

Um casal de meia-idade separa-se. A fim de enfrentar a sua nova vida, ele começa a fazer “stand-up comedy” e ela decide voltar ao desporto... mas será que a sua relação ainda poderá funcionar?  Uma comédia íntima sobre um casal em crise, muito bem escrita e dirigida por Bradley Cooper, onde o principal são os actores e o casal Will Arnett & Laura Dern não podia ser melhor. Faz rir e pensar. Aconselho.

Classificação: 7 (de 1 a 10)











BLUE MOON de Richard Linklater

Broadway 1943. No bar nova-iorquino Sardi’s, Lorenz Hart fala da sua paixão por uma jovem e bonita rapariga, ao mesmo tempo que tenta disfarçar a sua infelicidade com o sucesso de OKLAHOMA!, o novo musical do seu antigo parceiro Richard Rodgers.

A história é simples, mas os diálogos são deliciosos e o elenco não podia ser melhor, com Ethan Hawke a dar a interpretação da sua carreira e uma radiante Margaret Qualley a iluminar o cenário. Não tem cenas de acção, mortes ou efeitos especiais, apenas personagens interessantes filmados com intimidade e amor por Richard Linklater. Um dos filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)











O CASO DOS ESTRANGEIROS (I WAS A STRANGER) de Brandt Andersen

O realizador e argumentista Brandt Andersen dá-nos uma perspectiva crua e dramática sobre a guerra na Síria e as suas terríveis consequências. Sem dúvida um olhar humano sobre os refugiados que apenas procuram sobreviver e ter uma vida melhor. No filme, a vida de cinco personagens cruza-se numa noite de esperança e medo. Um elenco fantástico, algumas sequências bem fortes (o bombardeamento de um apartamento é um momento duro), e o resultado é um dos melhores filmes do ano, devidamente premiado em diversos festivais internacionais. De visão obrigatória!

Classificação: 8 (de 1 a 10)











ENTERRAMOS OS MORTOS (WE BURY THE DEAD) de Zak Hilditch

Uma mulher (Daisy Ridley) procura o esposo no meio dos mortos após um terrível desastre militar, claro que os mortos têm tendência para acordar... Pois é, mais um filme de zombies, mas diferente. Custa a arrancar e, mesmo quando arranca, é muito aborrecido. O elenco vai bem, mas na realidade as personagens não me cativaram.

Classificação: 3 (de 1 a 10)











GRITOS 7 (SCREAM 7) de Kevin Williamson

Neve Campbell (o cheque deve ter sido chorudo) está de volta à saga do SCREAM, naquele que para mim é o filme mais fraco da série. Sim, prega sustos e tem umas mortes criativas, mas é mais do mesmo. Os novos personagens são praticamente “carne para o Ghostface”, o argumento preguiçoso e algumas coisas são praticamente inverosímeis. Mas sabem uma coisa? Diverti-me.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











HAMNET de Chloé Zhao

Inspirado na vida de William Shakespeare, é uma história de amor e um drama sobre a perda de um filho e de como cada pessoa faz o luto de forma diferente. É também um filme sobre o teatro e como através dele é possível as pessoas enfrentarem os seus demónios. Confesso que ao princípio, apesar da beleza das imagens, me estava a custar entrar no filme, mas uma vez lá dentro deixei-me levar pelas suas emoções e comovi-me com o seu belíssimo final. Quanto ao elenco, estão todos muito bons, com destaque para Jessie Buckley, Paul Mescal e Emily Watson.

Classificação: 8 (de 1 a 10)











LOUCA-MENTE (FOLLEMENTE) de Paolo Genovese

Imaginem o INSIDE OUT (filme de animação da Pixar) transformado em comédia romântica para adultos. A ideia tem potencial e podia dar coisas muito giras, infelizmente o resultado é fraquito e não tem muita graça. O casalito romântico, Edoardo Leo e Pilar Fogloati, é simpático e tem química, mas isso não chega. O problema é que os personagens/emoções que vivem nos seus cérebros não são muito divertidos (principalmente eles) e acabam por arrastar a acção.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











O MONTE DOS VENDAVAIS (WUTHERING HEIGHTS) de Emerald Fennel

Nova versão do clássico de Emily Brontë, sobre a paixão possessiva/obsessiva entre Cathy e Heathcliff. Em termos visuais o filme é por vezes deslumbrante e artificial, mas isso não é o suficiente para esta história de amor. O principal é mesmo a química entre os protagonistas, mas não senti muito isso entre Margot Robbie e Jacob Elordi; na realidade há mais química entre Elordi e Alison Oliver (como Isabella). Achei o filme um pouco arrastado e não me arrebatou; falta-lhe paixão.

Classificação: 5 (de 1 a 10)











SE EU TIVESSE PERNAS DAVA-TE UM PONTAPÉ (IF I HAD LEGS I’D KICK YOU) de Mary Bronstein

Em grandes planos que enchem o ecrã, Rose Byrne é uma mulher/mãe à beira de um ataque de nervos, a tentar lidar com a doença da filha (praticamente e habilmente sempre fora de câmara), com a ausência do marido, a loucura dos seus pacientes, obras em casa e o seu esgotamento nervoso. É um drama estranho, por vezes surreal, que causa angústia, faz rir e que mexe com o nosso sistema nervoso. Voltando a Byrne, é uma verdadeira revelação!

Classificação: 6 (de 1 a 10)











SEM ALTERNATIVA (EOJJEOLSUGA EOBSDA / NO OTHER CHOICE) de Park Chan-Wook

Nesta comédia negra, um pai de família é despedido e, com o intuito de conseguir novo emprego, decide “despachar” a concorrência. A ideia é boa e vindo de quem vem ia à espera de algo muito bom, mas fiquei decepcionado. O filme arrasta-se por mais de duas horas com um humor que me passou a lado e achei as personagens todas demasiado exageradas. Talvez o problema seja cultural e eu não tenha compreendido o humor...

Classificação: 4 (de 1 a 10)











SHELBY OAKS de Chris Stuckmann

Uma mulher, cuja irmã desapareceu há uns anos enquanto filmava uma assombração, tem novas pistas sobre o seu possível paradeiro e decidi investigar sozinha. O filme começa na linha do “found footage”, mas depressa deixa essa vertente e opta pela abordagem tradicional. Não é muito bom, mas tem uma atmosfera “creepy”, provoca alguns calafrios e tem em Camille Sullivan uma protagonista convincente. Mas tinha potencial para ser melhor.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ALFRED HITCHCOCK: CARTAZES À PORTUGUESA

No Cinema Nimas, em Lisboa, está a ser exibido um ciclo de filmes do grande mestre do suspense, o realizador Alfred Hitchcock. Assim, parece-me ser uma boa altura para partilhar uma série de cartazes dos filmes dele, neste caso publicados na imprensa portuguesa. Infelizmente, não encontrei de todos os filmes, mas entre o meu arquivo pessoal e o Diário de Lisboa, estão aqui mais que uma dezena. 

Espero que gostem e não posso deixar de destacar a frase publicitária, relativa a PSICO: "Não é apenas um Hitchcock... é um autêntico Hitch-CHOQUE!"