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sábado, 4 de julho de 2026

HOKUM – A MALDIÇÃO OCULTA (HOKUM) de Damien McCarthy

Um escritor de novelas de terror vai até à Irlanda com o intuito de deixar lá as cinzas dos seus falecidos pais. Fica no hotel onde eles fizeram a lua de mel, mas depressa percebe que algo assombra os corredores escondidos do mesmo.

Aqui temos um filme de terror carregado de atmosfera, momentos que causam calafrios... a palavra certa para o descrever é “creepy”. Como eu gosto destas coisas! Assombrações, passagens secretas, personagens sinistras e, como não podia deixar de ser, algumas mortes, mas nada de gore e nem é preciso.

À frente do elenco, Adam Scott dá-nos uma das suas melhores interpretações, como o arrogante, insuportável e antipático escritor. Mas mesmo assim, ele consegue a proeza de nos fazer preocupar com o que lhe possa acontecer.

Diria que 2026 está a revelar-se um excelente ano para filmes de terror originais! 

Classificação: 7 (de 1 a 10)








MAGALHÃES (MAGELLAN) de Lav Diaz

Sabem, aqueles filmes que ao fim de dois minutos já sabemos que vai ser chato e desinteressante? Pois é este o caso e, durante as quase três horas de filmes, fui várias vezes tentado a desistir, mas estava fresquinho dentro da sala e fui ficando.

Os Descobrimentos Portugueses são ricos em histórias que poderiam dar grandes filmes, e acho que foi isso que eu fui à procura neste MAGALHÃES. Sim, conta-nos mais ou menos a história de Fernão Magalhães na sua última grande viagem. Mas fá-lo de forma demasiado parada, sem espírito de epopeia, aventura ou drama. Presumo que não era isso que interessava ao realizador Lav Diaz.

O que temos aqui é um filme (demasiado longo e parado) sobre os horrores do colonismo e, só no final, é que percebi que o assunto não era propriamente o Magalhães, mas sim a conquista da liberdade por parte de um escravo.

Perdoem-me, mas o elenco é muito mau e nem o geralmente excelente Gael García Bernal se safa. Julgo que lhe devem ter pago muito bem para aceitar o papel. Mas o problema deve ser meu, pois o filme até não está nada mal cotado no IMDb. Por isso, vão ver por vossa conta e risco.

Classificação: 1 (de 1 a 10)




segunda-feira, 29 de junho de 2026

POLSKA MOSTRA DE CINEMA POLACO

No dia 2 de Julho chega ao Cinema São Jorge a que julgo ser a primeira Mostra de Cinema Polaco em Lisboa. 

Deixo-vos aqui uma pequena galeria com os cartazes dos filmes que por lá vão passar, bem como umas breves palavras da organização da Polska Mostra.

"A Polska Mostra de Cinema Polaco é uma iniciativa organizada pela Embaixada da Polónia em Lisboa e pela Associação Il Sorpasso, com o objetivo de aproximar o público português da riqueza, diversidade e vitalidade da cinematografia polaca, tanto contemporânea como clássica.

De 2 a 5 de julho, no Cinema São Jorge, a mostra propõe uma viagem por algumas das vozes mais marcantes do cinema polaco, cruzando memória, história e contemporaneidade. O programa reúne estreias recentes, documentários premiados e obras fundamentais da história do cinema europeu, num diálogo entre gerações de cineastas e linguagens cinematográficas."

Mais informações no site: polskamostra.pt






quinta-feira, 18 de junho de 2026

O DIA DA REVELAÇÃO (DISCLOSUSE DAY) de Steven Spielberg











Daniel tem em seu poder documentos secretos que provam a existência de vida noutros planetas e, com o apoio de um tal Hugo, pretendem revelar a verdade ao mundo. Claro que os “maus da fita” querem travá-los, mas com a ajuda inesperada de Margaret, a menina da meteorologia, eles talvez tenham uma chance de revelar tudo.

Steven Spielberg está de volta à ficção-científica e só temos a ganhar com isso. Não diria que este é um dos seus melhores filmes, mas ainda assim é muito bom. Emoção, aventura, suspense, humor, está cá tudo em doses recomendáveis. Claro que duas horas e meia de filme é muito tempo e talvez não houvesse necessidade, mas vale sobretudo pela excelência do elenco, onde Emily Blunt brilha como a grande e versátil actriz que é. Blunt é, para mim, a melhor coisa do filme e adorava vê-la nomeada para o Óscar. A seu lado, Josh O’Connor continua a conquistar com segurança e talento o seu lugar na ribalta. A secundá-los Colin Firth (a tentar ser o mau da fita), Colman Domingo e Eve Hewson vão muito bem.

Mais que um filme de ficção-científica, diria que é uma experiência quase religiosa, pois a fé tem um lugar muito importante na história e, tal como nos X FILES, a verdade anda aí e todos merecemos sabê-la. Num mundo repleto de “notícias falsas” era bom que houvesse alguém que viesse repôr a verdade.

Classificação: 7 (de 1 a 10)









HUNGRY: 4 TONELADAS DE RAIVA (HUNGRY) de James Nunn











Um grupo de turistas numa tour pelos pântanos de Louisiana, para verem os crocodilos, acabam perdidos e começam a ser perseguidos por uma terrível hipopótamo, que está disposta a dar cabo deles todos.

Filmes com animais em fúria é um subgénero do cinema de terror, que tanto podem ser bons (OS PÁSSAROS, TUBARÃO, GRIZZLY) ou maus (BARRACUDA, PIRANHA 2). Este fica a meio caminho, não é bom, mas também não é mau. Tem a seu favor um grupo de actores (o nosso Joaquim de Almeida é um deles) razoáveis, que pouco mais são que “carne para canhão”... bem, neste caso “carne para hipopótamo”. 

O que eu gostei mais foi do cenário e tem um ou dois bons momentos de suspense. Julgo que se o realizador/argumentista James Nunn tivesse levado a coisa menos a sério, poderia ter sido melhor. 

Classificação: 4 (de 1 a 10)





quarta-feira, 3 de junho de 2026

BACKROOMS – O LABIRINTO (BACKROOMS) de Kane Parsons

Clark, que trabalha numa loja/armazém de móveis, descobre um labirinto de salas por detrás de uma das paredes da cave do armazém. Quando este desaparece sem rasto, a sua terapeuta decide ir procurá-lo e descobre que ele falava a verdade sobre a existência do labirinto de salas.

Desconhecia e desconheço os vídeos de YouTube que estão na base deste novo filme e, até agora, o Kane Parsons era um ilustre estranho para mim, um daqueles que faço intenções de ser um fiel seguidor da sua promissora carreira cinematográfica.

Este BACKROOMS não é para toda a gente, pois é um objecto estranho, livre de várias interpretações. Tenho de confessar que após o prometedor princípio, quase que me deixei adormecer, mas depois despertei e deixei-me levar neste pesadelo, de onde parece não haver saída. Diria que os cenários são o principal protagonista deste filme, eles têm vida própria e a forma como disturbam os personagens é assustadora e sufocante, claustrofóbica. Que existe algo de vivo e perigoso naquele estranho labirintos de salas, portas e janelas, é mais que óbvio, mas o filme não é sobre mais uma criatura ou psicopata. 

Atrevo-me a dizer que é algo de diferente, que por vezes me fez lembrar os corredores do hotel do SHINING com um cheirinho de ficção-científica.

No elenco Chiwetel Ejiofo e Renate Reinsve convencem como os principais protagonistas encurralados não só naquelas salas, mas também nas suas vidas.

Entre o sonho e a realidade, é um novo conceito de filme de terror. Não será do agrado de toda a gente, mas eu gostei.  

Classificação: 7 (de 1 a 10)

















O PASSAGEIRO DO INFERNO (PASSENGER) de André Øvredal


Um jovem casal, que decide fazer vida pela estrada fora numa roulotte, assistem a um acidente e, a partir daí, começam a ser perseguidos por uma identidade maléfica que os quer matar.

O tema de perigo na estrada já foi abordado várias vezes no cinema de terror e noutros géneros, com bons e maus resultados. Este novo filme é um bom resultado.

Sem muito sangue, nem muitas mortes, o realizador mantém o suspense e a atmosfera do princípio ao fim, com alguns calafrios pelo caminho. O facto de o casal de protagonistas ser simpático ajuda à festa e preocupamo-nos pelo que lhes irá acontecer. A entidade malévola é suficientemente “creepy” para nos assombrar os sonhos e o final está à altura das expectativas.

Jacob Scipio e Lou Llobell vão bem como o casal e, num papel secundário, Melissa Leo dá-lhe todo o apoio que necessitam. Quanto ao dito Passageiro, acredito que possa voltar para mais umas viagens sombrias na estrada.

Classificação: 6 (de 1 a 10)





MOTHER MARY de David Lowery

A estrela pop Mother Mary, está prestes a regressar aos palcos, mas para isso necessita de um vestido super especial. Visita então a sua velha amiga e designer de moda, Sam Anselm, a fim de estar lhe fazer o vestido. Mas entre elas existem coisas por resolver e algo de estranho parece assombrar ambas.

Aqui está um filme difícil de classificar; eu diria que é um drama com contornos fantásticos, mas também pode ser visto como algo de psicadélico. Seja lá o que for, tem uma premissa interessante, mas o seu ritmo lento deu-me um bocado de sono e ainda dei umas “cabeçadas”. Plasticamente é muito bonito, mas falta-lhe qualquer coisa... é como se a ideia tivesse lá, mas não sabiam muito bem o que fazer com ela. Nunca é suficientemente dramático e a parte fantástica é deliberadamente artificial, nunca explicada (o que me agradou).

O melhor é mesmo é o “duelo” entre as duas protagonistas, com Anne Hathaway em grande forma, demonstrando a sua grande versatilidade, e Michaela Coel uma verdadeira revelação. 

Se estão à procura de algo diferente, este filme poderá ser para vocês... eu não fiquei convencido. Mas adoro o cartaz com a Mother Mary a cair acompanhada por uma faixa de tecido vermelho...

Classificação: 4 (de 1 a 10)