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terça-feira, 2 de junho de 2026

STAR WARS: THE MANDALORIAN AND GROGU de Jon Favreau

O Mandalorian e o Grogu têm como missão resgatar o filho de Jabba the Hutt e entregá-lo aos seus tios, com o fim destes revelarem a identidade de um membro do antigo Império. Mas depressa percebem que há mais em jogo...   

Prontos para mais um filme da interminável saga do STAR WARS? Estejam ou não, aqui está mais um, este “nascido” da série de televisão THE MANDALORIAN. Se, como eu, são fãs da série, acho que vão gostar deste filme, que na realidade é como se fosse um episódio longo da mesma. 

O universo do STAR WARS está cá todo, com a eterna ameaça do Império (já não há paciência) a pairar no ar. Confesso que, por momentos, pensei que iria ser mais uma politiquice, mas o realizador Jon Favreau optou pelo espírito da aventura e disso eu gosto. 

Temos muitas criaturas, naves, perseguições, porrada, explosões... nada de novo, mas é bom para entreter. O melhor é a sequência (com os dois protagonistas praticamente sozinhos) passada na floresta do planeta onde vivem os Hutt.

Pedro Pascal é sempre bom de se ver, Sigourney Weaver é sempre bem-vinda, mas ambos são ofuscados pelo pequeno Grogu.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



domingo, 31 de maio de 2026

AS PROVADORAS DE HITLER (LE ASSAGGIATRICI) de Silvio Soldini

Nos anos finais da Alemanha Nazi, Rosa (cujo marido está desaparecido na guerra) e mais seis mulheres são escolhidas para provarem a comida que é servida a Hitler e assim evitarem que o mesmo seja envenenado. 

Não há dúvida, a Alemanha Nazi e a Segunda Guerra Mundial têm servido de cenário para 1001 filmes e parece que há sempre algo de novo para nos ser revelado. Não sou nem nunca fui muito dado a História, por isso desconhecia que o Hitler tinha um grupo de mulheres que provava a sua comida. O mais curioso é que estas mulheres eram alemãs como ele e não judias; talvez ele achasse, nos seus delírios da raça ariana, que o veneno que o pudesse matar não faria mal a judias. 

O filme retrata isto de forma quase casual, sendo o mais importante as relações que se criam entre as provadoras, bem como o “affair” entre Rosa (Elisa Schlott) e um oficial Nazi (Max Riemelt). Mas o que eu gostei mais, é da relação de cumplicidade que se cria entre Rosa e Elfriede (uma excelente Alma Hasun), que vem a revelar ser judia. 

Uma boa história, um bom filme!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


MAIS FORTE QUE EU (I SWEAR) de Kirk Jones

O jovem John Davidson é diagnosticado com o síndrome de Tourette, uma desordem neurológica (tiques, espasmos e linguagem obscena descontrolada) não compreendida ou aceite por sua família e pessoas no geral. Com a ajuda de Dottie, mãe de um ex-colega de escola, ele aprende a lidar com o problema e começa a ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo e a lutar para que este seja compreendido por todos.

Baseado na história verdadeira de John Davidson, é um drama que nos fala, ou melhor, nos ensina sobre o síndrome de Tourette e as suas consequências na vida de quem vive com ele. Felizmente, o realizador/argumentista Kirk Jones não cai na armadilha do filme didáctico ou lamechas. Com humor e sensibilidade, conquista a nossa simpatia e tenta abrir a nossa mente para que sejamos mais tolerantes perante o que não desconhecemos.

No papel principal, Robert Aramayo é uma revelação; não é propriamente um personagem simpático, mas depressa cria empatia connosco e é brilhante, ao ponto de por vezes interrogar-me se ele sofreria deste problema. A seu lado, Shirley Henderson é a maternal Dottie e Shirley Henderson a sofrida mãe de John. Aconselho a verem, e preparem-se para derramar uma lágrima ou duas.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




sábado, 16 de maio de 2026

AS OVELHAS DETETIVES (THE SHEEP DETECTIVES) de Kyle Balda

George é um pastor solitário que adora as suas ovelhas, para quem lê romances policiais. Quando um dia ele morre em estranhas circunstâncias, as ovelhas decidem armar-se em detectives e ajudar a polícia a descobrir o assassino.

A ideia pode parecer absurda, um “whodunit” com ovelhas? Mas sabem uma coisa, funciona, funciona mesmo muito bem. O realizador Kyle Balda (MINIONS) dá-nos uma comédia misteriosa, divertida, comovente (as lágrimas vieram-me aos olhos) e com uma inocência que há muito não via no cinema. O argumento, baseado num livro, está bem construído e, acreditem ou não, não descobri a identidade do/a assassino/a.

No elenco humano, que inclui Hugh Jackman e Emma Thompson, sobressaem Nicholas Galitzzine como o jornalista e, principalmente, Nicholas Braun como o polícia meio-tonto. Mas o filme pertence por direito às ovelhas e estas são brilhantes; apesar de ser estranho falarem, esse facto é esquecido ao fim de segundos e facilmente somos conquistados por elas. Até fiquei a pensar em adoptar uma ovelha...

PS: Adoro os cartazes das ovelhas inspirados noutros filmes.

Classificação: 7 (de 1 a 10)



terça-feira, 12 de maio de 2026

OBSESSION – A FELICIDADE É RELATIVA (OBSESSION) de Curry Barker

Aquilo que Bear mais desejava era que Nikki o amasse acima de todas as coisas. Um dia, mais por brincadeira, quebra um “one wish willow” e de repente o seu desejo realiza-se. Há só um pequeno problema, Nikki fica totalmente e, literalmente, louca por ele, com resultados dramáticos, muito negros.

Não vi o filme anterior do realizador Curry Barker, mas depois deste OBSESSION vou ficar muito atento ao seu trabalho. Num género, terror, onde a originalidade não é fácil de encontrar, diria que estamos perante um objecto raro. Uma história diferente, onde a violência e o humor andam de mãos dadas, nunca perdendo a sua componente de choque e sendo por vezes muito incomodativo. O gore pode não ser muito, mas quando acontece é eficaz e não aconselhável a gente muito sensível. Sem ser uma obra-prima, é daqueles filmes que se entranha em nós.

Nos papéis principais, Michael Johnston e Inde Navarrette não podiam ser melhores. Ele o perfeito e doce “rapaz da porta ao lado”, ela completamente louca e histérica.

Tem tudo para se tornar um filme de culto e cuidado com o que desejam!!!

Classificação: 8 (de 1 a 10)













segunda-feira, 11 de maio de 2026

CHOPIN – UMA SONATA EM PARIS (CHOPIN, CHOPIN!) de Michal Kwiecinski

A vida do compositor Frédéric Chopin já foi tema de vários filmes, por exemplo em 1945 com Paul Muni (A SONG TO REMEMBER) no papel principal e em 1991 com Hugh Grant (IMPROMPTU). Este novo filme debruça-se sobre os últimos anos da vida de Chopin, quando ele tenta sobreviver à tuberculose, a sua relação com a famosa George Sand e a sua paixão pela música.

Diria que esta biografia é uma boa reconstituição histórica e que o realizador optou por uma estrutura quase episódica, que faz com que não haja (pelo menos eu não senti) um grande envolvimento emocional. É curioso observar que um compositor cuja música era tão apaixonante, fosse um personagem entre o irritante e incapaz de amar para além da sua música. 

No papel principal, Eryk Kulm vai muito bem e está bem secundado por um elenco talentoso, com destaque para Joséphine de La Baume como George Sand.

Classificação: 5 (de 1 a 10)


NATUREZA PREDADORA (THRASH) DE Tommy Wirkola

Um furacão do “caraças” arrasa uma cidade costeira, que fica praticamente submersa... é então que aparecem os tubarões. Meia dúzia de personagens vão tentar sobreviver enquanto a ajuda não chega.

Mistura de filme-catástrofe com filme de terror animal, tem a seu favor o facto de não se levar a sério e de não ser chato. O suspense é pouco e as situações pouco verosímeis. Curiosamente, o elenco (principalmente Phoebe Dynevor com a jovem grávida) não se porta mal e ajudam ao gozo de assistir a este exemplo de série B, cujo momento mais “brilhante” é um parto dentro de água com os tubarões a rondar a mãe e o bebé. 

Acreditem, não é bom, mas é divertido e parece que em breve teremos uma sequela.

Classificação: 3 (de 1 a 10)


MINHA QUERIDA SEÑORITA (MI QUERIDA SEÑORITA) de Fernando González Molina

Esta nova versão de um filme espanhol de 1972, que foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta-nos a história de Adela. Uma jovem mulher, que sempre sentiu que havia algo de estranho com ela; um dia, contra a vontade da sua mãe, consulta um ginecologista e descobre que nasceu intersexo, que a sua família optou por ela ser do sexo feminino e esconder-lhe esse facto. Revoltada, procura uma nova vida e tentar aceitar-se a si própria.

Acredito que, em 1972 esta história deve ter causado bastante polémica, hoje duvido que o faça. O realizador dá-nos um retrato carinhoso, talvez demasiado simplicista, sobre uma pessoa a tentar descobrir qual a sua verdadeira identidade. É fácil criar empatia com Adela e antipatia com a sua mãe, mas a sua relação nunca chega a ser devidamente dramatizada e o filme perde um pouco por isso. Depois, a interessante galeria de personagens queer que rodeiam Adela, incluindo um padre muito sexy (Paco León) e um interesse amoroso (Anna Castillo), é toda muito positiva… ou seja, gostaria que o filme fosse mais dramático, mas mesmo assim gostei.

No papel principal, Elisabeth Martínez (que, tal como a sua personagem, também é intersexual) tem aqui a sua estreia cinematográfica e vai bem no seu papel. O restante elenco, tem o talento e a naturalidade a que os actores espanhóis nos habituaram.

Um filme interessante, sobre um assunto raramente abordado.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


domingo, 3 de maio de 2026

O DIABO VESTE PRADA 2 (THE DEVIL WEARS PRADA 2) de David Frankel

A reputação da fabulosa e terrível Miranda Priestly, bem como da revista em que trabalha, está a ser posta em causa e então cabe a Andy Sachs, agora uma jornalista bem cotada, tentar salvar a situação. Mas ela e Miranda vão ter muito mais coisas com que se preocupar.

Vinte anos depois do primeiro filme, a mesma equipa está de volta com uma sequela que, para mim, está praticamente ao nível do primeiro. É divertido, foca assuntos actuais, tem um os dois momentos lamechas e, em termos de produção, é tudo muito cuidado.

Mas o mais importante é o elenco, e as três fabulosas estão de volta e, ao contrário de Stanley Tucci, parecem não ter envelhecido muito. Como sempre, Meryl Streep consegue dizer tudo com um simples olhar, mas Anne Hathaway e Emily Blunt estão à sua altura e as três divertem-se muito. 

Não é um novo clássico, nem uma grande comédia, mas sabe sempre bem ver um elenco destes no grande ecrã e passar cerca de duas horas na sua companhia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


SONHOS (DREAMS) de Michel Franco

Uma americana rica e filantropa envolve-se com um bailarino mexicano, que com a sua ajuda entra nos Estados Unidos sem documentos. Mas quando este não aceita viver “escondido” as coisas complicam-se. 

Temos aqui um drama de forte componente erótica onde Jessica Chastain brilha como uma mulher obcecada e ressabiada, capaz de tudo para ter o que quer. A seu lado Isaac Hernández é o objecto de desejo e um excelente bailarino. A acção corre lentamente, num crescendo de tensão que não adivinha nada de bom para ambos os protagonistas. A questão da emigração ilegal é tratada de uma forma muito pessoal, mas na mesma revoltante.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


CASO 137 (DOSSIER 137) de Dominik Moll

A Stéphanie, uma investigadora policial, é atribuído o caso de um jovem que foi alvejado indevidamente (ou talvez não) pela polícia. 

Inspirado num caso real, é um drama que depressa capta o nosso interesse. Os problemas que Stéphanie enfrenta para apurar a verdade, aliados à atitude defensiva dos polícias visados, são muito enervantes e causam revolta. Diria que o realizador Dominik Moll nos manipula, pondo-nos do lado dela, mas ao mesmo tempo até parece que pode haver uma justificação para os actos dos polícias... 

Sem dúvida um filme que dá que pensar e que tem em Léa Drucker uma excelente actriz, justamente premiada com o César para Melhor Actriz. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)


O CATIVO (EL CAUTIVO) de Alejandro Amenábar

Antes de escrever o famoso “Don Quixote”, Miguel de Cervantes esteve cativo na Algéria, onde o seu “dono” era um poderoso Pachá, que se interessou por ele em vários aspectos. É durante o seu tempo em cativeiro que ele começa a contar histórias. Com excepção do seu “Dom Quixote” (que nunca li, mas vi o filme na sua versão musical), confesso que desconhecia totalmente a vida de Miguel de Cervantes; graças a este drama histórico, já fiquei a saber um pouco. 

Partindo do princípio que os factos retractados no filme correspondem à verdade, é curioso perceber de onde veio a sua inspiração para os personagens principais do seu “Dom Quixote”. Mas, para mim, o mais interessante é a história de amor/atracção entre Cervantes e o Pachá (um muito jeitoso e sexy Alessandro Borghi) e a forma sensual como evolui; não fazia a mínima ideia de que Cervantes era gay ou pelo menos bissexual. Na verdade, o filme tem uma atmosfera muito queer, revelando-nos uma cidade argelina onde o sexo flui sem tabus. É também interessante ver como a sombra da religião católica se faz sentir e não de forma muito positiva. 

No papel de Cervantes, Julio Peña, com o seu olhar de “carneiro mal morto”, faz lembrar o jovem Joseph Fiennes; o seu Cervantes é um homem apaixonado pela vida e pelo poder das palavras. Apesar de ter achado o filme demasiado longo, a verdade é que nunca aborrece e é um bom exemplo do género.

Classificação: 6 (de 1 a 10)