Em Março estrearam em Lisboa 24 longas-metragens de ficção, menos filmes que em Fevereiro.
Aqui ficam uns breves comentários sobre as 10 estreias que vi e mais alguns filmes que vi em Março:
THE BLUFF de Frank E. Flowers
Fazia muito tempo que não via um filme de piratas. Neste caso temos uma “piratona” durona que, quando a ilha onde vive é invadida por um terrível bando de piratas, é obrigada a revelar a sua identidade. O resultado tem muita acção, violência e não muito mais, mas Priyanka Chopra Jonas demonstra ser uma melhor de armas e o resultado segue-se com algum gozo e descrédito.
Classificação: 4 (de 1 a 10)
BOA SORTE, DIVERTE-TE, NÃO MORRAS (GOOD LUCK, HAVE FUN, DON’T DIE) de Gore Verbinski
Num restaurante em Los Angeles, chega um homem que diz vir do futuro e que precisa de ajuda para salvar o mundo da inteligência artificial; um pequeno grupo de clientes acaba por ser voluntário à força e espera-os uma estranha noite. Esta comédia de ficção científica é uma estranha maluquice, com algumas ideias engraçadas, cenas “creepy” como a dos estudantes agarrados aos telemóveis, coisas disparatadas e mensagem moralista: larguem a Internet e as redes sociais. Devia ser mais divertido, mas Sam Rockwell e o resto do elenco estão em sintonia com o espírito da coisa.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
ELES MATAM-TE (THEY WILL KILL YOU) de Kirill Sokolov
Uma mulher, Asia, vai trabalhar como criada para um imponente prédio em Nova Iorque e depressa descobre que os seus inquilinos precisam de um sacrifício humano para essa noite. Oh pá, isto é divertido e sangrento à brava! Ao mesmo tempo tem uma história consistente e um bom elenco (onde se destacam Zazie Beetz como Asia e Patricia Arquette como a “governanta”). Não se levando nada a sério, são cerca de 90 minutos de acção e violência ao estilo do Sam Raimi, com algumas cenas hilariantes que me fizeram rir à gargalhada. Para fãs de cinema de terror!
Classificação: 7 (de 1 a 10)
O ESTRANGEIRO (L’ÉTRANGER) de François Ozon
Algeria, anos 30. Um francês, a quem recentemente faleceu a mãe, mata um árabe e enfrenta a justiça pelo seu crime. Antes de mais, confesso que nunca li o livro de Albert Camus, nem vi as versões cinematográficas anteriores a esta. Apesar de ter uma cuidada fotografia a preto e branco, achei o filme um bocado arrastado. Tal como o seu personagem, é frio e nada emocional, daí o meu distanciamento quanto aos acontecimentos narrados. O mais interessante, é ver como um homem é mais criticado pela sua falta de emoções do que pelo seu crime. Quanto às razões do crime, tendo em conta como a cena é filmada, atreveria a dizer-me que tem a ver com uma possível homossexualidade. O elenco vai bem e os dois protagonistas principais, Benjamin Voisin e Rebecca Marder, são bonitos de se ver.
Classificação: 4 (de 1 a 10)
A NOIVA (THE BRIDE) de Maggie Gyllenhaal
Chicago anos 30. A criatura de Frankenstein pede à Dra. Euphronius que lhe crie uma noiva. O corpo escolhido é de uma jovem recentemente assassinada, cuja mente encerra segredos perigosos sobre um senhor do crime. Este é daqueles filmes que se percebe que foi feito a pensar na possibilidade de se tornar um título de culto, e é bem possível que isso aconteça. A escolha de Jessie Buckley e Christian Bale para os papéis principais não podia ter sido melhor e ambos estão fantásticos. Sem ser um grande filme, segue-se sempre com interesse, com momentos de pura loucura (o número musical no restaurante fino) e um incentivo à luta pela justiça.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
10 DANÇAS (TEN DANCE) de Keishi Otomo
Shinya Suzuki é especialista em danças latino-americanas (samba, rumba, etc), Shinya Sugiki é especialista em danças clássicas (valsa, foxtrot, etc) e são uma espécie de rivais. Um dia, Sugiki desafia Suzuki para competirem no “10 Danças”, propondo que cada um ensine ao outro (e às suas parceiras) o tipo de dança em que são especialistas. Durante as aulas apaixonam-se um pelo outro.
O universo das danças de salão serve de cenário a uma história de amor contida e o resultado é agradável à vista e ao coração. Nos papéis principais, Ryoma Takeuchi e Keita Machida não podiam ser mais diferentes, um “caliente” o outro “frio”, mas quando dançam juntos o erotismo e a sensualidade transpiram por todos os seus poros e, claro, acabamos a torcer para que o seu amor se concretize. Tudo isto com muita dança e a “pirosice” associada ao universo das danças de salão. Gostei!
Classificação: 6 (de 1 a 10)
MÁQUINA BÉLICA (WAR MACHINE) de Patrick Hughes
Um grupo de recrutas parte para o exercício final do seu curso, mas acabam por enfrentar uma máquina vinda de outro planeta que quer dar cabo deles todos. Com suspense e carnificina quanto baste, este filme de acção é isso mesmo; sem qualquer tipo de pretensões, temos muitas explosões, muitos mortos e um herói (Alan Ritchson) com um passado dramático. Dentro do género não vai mal e cumpre o seu objetivo de entreter.
Classificação: 5 (de 1 a 10)
PALESTINE 36 de Annemarie Jacir
Na Palestina, os habitantes começam a revoltar-se contra o Império Britânico, principalmente quando estes lhes começam a tirar terras para as dar aos judeus que estão a invadir o país. Este é daqueles filmes que não podia ter estreado em melhor altura.
De forma quase documental, ficamos a saber muitas das coisas que estão por detrás do eterno conflito entre a Palestina e Israel. Para verem a minha ignorância, eu pensava que a invasão da Palestina pelos judeus tinha acontecido só após a 2ª Guerra e não logo em 1936. Um elenco maioritariamente de caras desconhecidas, com alguns actores conhecidos (Jeremy Irons) para chamar o público, tornam tudo muito realista e é fácil sentirmo-nos revoltados pelos acontecimentos retratados. Pessoalmente, prefiro narrativas mais emocionais e menos documentais, mas tendo em conta o que se passa neste momento no mundo, acho que é de visão obrigatória.
Classificação: 5 (de 1 a 10)
PILLION de Harry Lighton
Colin é um homem gay, tímido e um pouco inocente, que um dia conhece Ray, um motoqueiro giraço que se interessa por ele e o torna o seu “escravo”. Nasce assim uma relação de poder e submissão entre os dois.
Não, “pillion” não é uma prática sexual, é o nome dado ao lugar de trás (ou do pendura) das motos; lugar que no filme é ocupado por Colin. Mas não se preocupem, há diversas práticas sexuais e bem explícitas neste drama gay, onde um homem se deixa subjugar por outro, num jogo sado-maso que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis. Diria que é um filme forte, corajoso, que julgo não deixará ninguém indiferente. Nos papéis principais, Harry Melling (que entrou nos Harry Potters) é uma revelação como Colin e Alexander Skarsgård é um deus sexual capaz de despertar o guloso que há em nós. Decididamente, não é um filme para mentes fechadas.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
PROJETO HAIL MARY (PROJECT HAIL MARY) de Phil Lord & Christopher Miller
Um professor de ciências, Ryland, acorda sozinho numa nave especial, cuja missão é descobrir algo que salve o nosso moribundo sol e outras estrelas; mas não está sozinho, uma nave extra-terrestre com a mesma missão, intercedo-o e trava conhecimento com o seu estranho habitante, Rocky
Verdade, ao princípio dei muitas cabeçadas e pensei que o filme ia ser uma estopada, mas Ryan Gosling consegue segurar a coisa e lá despertei para esta aventura de ficção-científica, com bons efeitos especiais. O aspecto mais interessante é a amizade que se cria entre o Ryland e Rocky, sendo a relação deles o coração do filme. Sim, por vezes roça o inverossímil, mas isso não importa. Gosland é a alma do filme e prova que até com uma rocha ele consegue ter química (veio-me à memória a sua relação com uma boneca insuflável em LARS AND HE REAL GIRL).
Classificação: 6 (de 1 a 10)
O RAPAZ DA ILHA AMRUM (AMRUM) de Fatih Akin
1945. Na ilha isolada de Amrum, um puto de 12 anos, que pertence à Juventude Nazi, tenta arranjar pão branco, mel e manteiga para a sua mãe; entretanto a Alemanha perde a guerra. Com uma fotografia belíssima, é um drama bucólico sobre uma adolescência vivida numa ilha onde quase nada acontece e onde a natureza tem uma forte presença. O que mais me despertou o interesse é a forma como a violência é mostrada de forma crua, sem qualquer tipo de rodeios, por vezes de forma incomodativa. O elenco porta-se bem, mas o pequeno Jasper Billerbeck não me conquistou.
Classificação: 5 (de 1 a 10)
SALTITÕES (HOPPERS) de Daniel Chong
Uma jovem que adora animais e que está disposta a tudo para salvar um pequeno lago, “rouba” uma nova tecnologia e consegue meter a sua mente no corpo de um castor robot. Assim disfarçada, tenta convencer os animais de uma floresta próxima a ajudarem-na, com resultados imprevisíveis. Não é o melhor filme de animação da Pixar, mas revela-nos um divertido mundo animal e tem dois bons vilões. Para além de toda a diversão, há uma mensagem ecológica importante e uma lagrimazita ao canto do olho. Os miúdos vão gostar e os adultos não se vão aborrecer.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
O TESTAMENTO DE ANN LEE (THE TESTAMENT OF ANN LEE) de Mona Fastvold
Amanda Seyfried vai muito bem como a líder fundadora do movimento religioso Shaker Movement. Os seus seguidores acreditam que ela é um Cristo feminino e aceitam tudo o que ela diz, incluindo a total abstenção sexual. Tudo isto com muitas canções, danças meio loucas e fanatismo cego. Este movimento existiu na realidade e o filme narra a sua história, o problema é que é chato e comprido... chegou a um ponto em que eu já não suportava as suas canções. Uma curiosidade sobre o fanatismo e suas consequências.
Classificação: 3 (de 1 a 10)
YOUNG HEARTS - O PRIMEIRO AMOR (YOUNG HEARTS) de Anthony Schatteman
Elias, um puto de 12/13 anos, começa a ter sentimentos pelo seu novo vizinho Alexander, um rapaz da sua idade, e acaba por se apaixonar por ele, não sabendo muito bem como lidar com isso.
A inocência e o amor andam de mãos dadas neste delicioso drama romântico. A realização de Anthony Schatteman é cuidada e revela um enorme amor pelos seus personagens. No papel de Elias, Lou Goossens é fantástico como o puto que não sabe o que fazer com os seus sentimentos, entre a vergonha, o amor e o receio do que os outros possam pensar. Como Alexandre, Marius DeSaeger é um puto com a sua sexualidade bem resolvida e sem medos. A história desenrola-se com sensibilidade, apontamentos de humor e, lá mais para o final, algumas lágrimas emocionais. Sabe bem ver um filme destes que fala sem medos de ser-se gay, e que o faz com grande respeito e carinho. Saí do cinema com o coração cheio. A não perder!
Classificação: 8 (de 1 a 10)





















































