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quarta-feira, 4 de março de 2026

OS FILMES DE FEVEREIRO 2026















Em Fevereiro estrearam em Lisboa 31 longas-metragens de ficção, o que deu mais que um filme novo por dia.

Aqui ficam uns breves comentários sobre as 11 estreias que vi:











AINDA FUNCIONA? (IS THIS THING ON?) de Bradley Cooper

Um casal de meia-idade separa-se. A fim de enfrentar a sua nova vida, ele começa a fazer “stand-up comedy” e ela decide voltar ao desporto... mas será que a sua relação ainda poderá funcionar?  Uma comédia íntima sobre um casal em crise, muito bem escrita e dirigida por Bradley Cooper, onde o principal são os actores e o casal Will Arnett & Laura Dern não podia ser melhor. Faz rir e pensar. Aconselho.

Classificação: 7 (de 1 a 10)











BLUE MOON de Richard Linklater

Broadway 1943. No bar nova-iorquino Sardi’s, Lorenz Hart fala da sua paixão por uma jovem e bonita rapariga, ao mesmo tempo que tenta disfarçar a sua infelicidade com o sucesso de OKLAHOMA!, o novo musical do seu antigo parceiro Richard Rodgers.

A história é simples, mas os diálogos são deliciosos e o elenco não podia ser melhor, com Ethan Hawke a dar a interpretação da sua carreira e uma radiante Margaret Qualley a iluminar o cenário. Não tem cenas de acção, mortes ou efeitos especiais, apenas personagens interessantes filmados com intimidade e amor por Richard Linklater. Um dos filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)











O CASO DOS ESTRANGEIROS (I WAS A STRANGER) de Brandt Andersen

O realizador e argumentista Brandt Andersen dá-nos uma perspectiva crua e dramática sobre a guerra na Síria e as suas terríveis consequências. Sem dúvida um olhar humano sobre os refugiados que apenas procuram sobreviver e ter uma vida melhor. No filme, a vida de cinco personagens cruza-se numa noite de esperança e medo. Um elenco fantástico, algumas sequências bem fortes (o bombardeamento de um apartamento é um momento duro), e o resultado é um dos melhores filmes do ano, devidamente premiado em diversos festivais internacionais. De visão obrigatória!

Classificação: 8 (de 1 a 10)











ENTERRAMOS OS MORTOS (WE BURY THE DEAD) de Zak Hilditch

Uma mulher (Daisy Ridley) procura o esposo no meio dos mortos após um terrível desastre militar, claro que os mortos têm tendência para acordar... Pois é, mais um filme de zombies, mas diferente. Custa a arrancar e, mesmo quando arranca, é muito aborrecido. O elenco vai bem, mas na realidade as personagens não me cativaram.

Classificação: 3 (de 1 a 10)











GRITOS 7 (SCREAM 7) de Kevin Williamson

Neve Campbell (o cheque deve ter sido chorudo) está de volta à saga do SCREAM, naquele que para mim é o filme mais fraco da série. Sim, prega sustos e tem umas mortes criativas, mas é mais do mesmo. Os novos personagens são praticamente “carne para o Ghostface”, o argumento preguiçoso e algumas coisas são praticamente inverosímeis. Mas sabem uma coisa? Diverti-me.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











HAMNET de Chloé Zhao

Inspirado na vida de William Shakespeare, é uma história de amor e um drama sobre a perda de um filho e de como cada pessoa faz o luto de forma diferente. É também um filme sobre o teatro e como através dele é possível as pessoas enfrentarem os seus demónios. Confesso que ao princípio, apesar da beleza das imagens, me estava a custar entrar no filme, mas uma vez lá dentro deixei-me levar pelas suas emoções e comovi-me com o seu belíssimo final. Quanto ao elenco, estão todos muito bons, com destaque para Jessie Buckley, Paul Mescal e Emily Watson.

Classificação: 8 (de 1 a 10)











LOUCA-MENTE (FOLLEMENTE) de Paolo Genovese

Imaginem o INSIDE OUT (filme de animação da Pixar) transformado em comédia romântica para adultos. A ideia tem potencial e podia dar coisas muito giras, infelizmente o resultado é fraquito e não tem muita graça. O casalito romântico, Edoardo Leo e Pilar Fogloati, é simpático e tem química, mas isso não chega. O problema é que os personagens/emoções que vivem nos seus cérebros não são muito divertidos (principalmente eles) e acabam por arrastar a acção.

Classificação: 4 (de 1 a 10)











O MONTE DOS VENDAVAIS (WUTHERING HEIGHTS) de Emerald Fennel

Nova versão do clássico de Emily Brontë, sobre a paixão possessiva/obsessiva entre Cathy e Heathcliff. Em termos visuais o filme é por vezes deslumbrante e artificial, mas isso não é o suficiente para esta história de amor. O principal é mesmo a química entre os protagonistas, mas não senti muito isso entre Margot Robbie e Jacob Elordi; na realidade há mais química entre Elordi e Alison Oliver (como Isabella). Achei o filme um pouco arrastado e não me arrebatou; falta-lhe paixão.

Classificação: 5 (de 1 a 10)











SE EU TIVESSE PERNAS DAVA-TE UM PONTAPÉ (IF I HAD LEGS I’D KICK YOU) de Mary Bronstein

Em grandes planos que enchem o ecrã, Rose Byrne é uma mulher/mãe à beira de um ataque de nervos, a tentar lidar com a doença da filha (praticamente e habilmente sempre fora de câmara), com a ausência do marido, a loucura dos seus pacientes, obras em casa e o seu esgotamento nervoso. É um drama estranho, por vezes surreal, que causa angústia, faz rir e que mexe com o nosso sistema nervoso. Voltando a Byrne, é uma verdadeira revelação!

Classificação: 6 (de 1 a 10)











SEM ALTERNATIVA (EOJJEOLSUGA EOBSDA / NO OTHER CHOICE) de Park Chan-Wook

Nesta comédia negra, um pai de família é despedido e, com o intuito de conseguir novo emprego, decide “despachar” a concorrência. A ideia é boa e vindo de quem vem ia à espera de algo muito bom, mas fiquei decepcionado. O filme arrasta-se por mais de duas horas com um humor que me passou a lado e achei as personagens todas demasiado exageradas. Talvez o problema seja cultural e eu não tenha compreendido o humor...

Classificação: 4 (de 1 a 10)











SHELBY OAKS de Chris Stuckmann

Uma mulher, cuja irmã desapareceu há uns anos enquanto filmava uma assombração, tem novas pistas sobre o seu possível paradeiro e decidi investigar sozinha. O filme começa na linha do “found footage”, mas depressa deixa essa vertente e opta pela abordagem tradicional. Não é muito bom, mas tem uma atmosfera “creepy”, provoca alguns calafrios e tem em Camille Sullivan uma protagonista convincente. Mas tinha potencial para ser melhor.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ALFRED HITCHCOCK: CARTAZES À PORTUGUESA

No Cinema Nimas, em Lisboa, está a ser exibido um ciclo de filmes do grande mestre do suspense, o realizador Alfred Hitchcock. Assim, parece-me ser uma boa altura para partilhar uma série de cartazes dos filmes dele, neste caso publicados na imprensa portuguesa. Infelizmente, não encontrei de todos os filmes, mas entre o meu arquivo pessoal e o Diário de Lisboa, estão aqui mais que uma dezena. 

Espero que gostem e não posso deixar de destacar a frase publicitária, relativa a PSICO: "Não é apenas um Hitchcock... é um autêntico Hitch-CHOQUE!"