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terça-feira, 9 de abril de 2024

AVÓ (Juniper) de Matthew J. Saville

A História: Sam é um jovem perdido e revoltado, que perdeu a mãe recentemente e cujo pai é muito ausente. Um dia a sua avó alcoólica e de mau feitio, vai passar uns tempos à sua casa e entre os dois cria-se uma interessante relação.

O Elenco: Charlotte Rampling é uma daquelas actrizes que sabe envelhecer e continua a ser brilhante; aqui dá-nos outra grande interpretação e tem uma química muito engraçada e real com o jovem George Ferrier

O Filme: Velhice e adolescência são dois problemas que aqui entram em conflito, e apesar do ritmo lento, captam a nossa atenção num desenrolar dramático, sempre pontuado com humor. O final não é nenhuma surpresa, mas as emoções dos personagens são verdadeiras e o realizador Matthew J. Saville consegue evitar os lugares comuns a este tipo de filmes.

Vale a Pena Ver? Charlotte Rampling merece sempre uma visita e o filme evita as “lamechices” a que a história se prestava.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




quarta-feira, 15 de novembro de 2023

JEANNE DU BARRY de Maïwenn

Drama histórico sobre a escandalosa relação entre Jeanne du Barry e o Rei Luís XV, numa corte que vivia da opulência e aparências.

Com uma excelente reconstituição histórica, principalmente a nível do guarda-roupa, Maïwenn dirige com mão segura, evitando os “rodriguinhos” do género, pontuando a história com humor, mais interessada em explorar a paixão do seu par romântico do que nas intrigas da corte. Maïwenn e Johnny Depp são aquilo que se chama um “par feito no céu” e, a seu lado, Benjamin Lavernhe como La Borde marca uma forte presença. Esta visita ao passado e ao fabuloso palácio de Versalhes merece a nossa atenção!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




segunda-feira, 27 de março de 2023

JUSTIÇA PARA EMMETT TILL (Till) de Chinonye Chukwu

Em 1955, o jovem Emmett Till é linchado no Missouri por ter dado um piropo a uma branca. A sua mãe, Mamie, decide desmascarar publicamente o racismo por detrás do crime e levar os criminosos à justiça.

Por muitos anos que viva nunca vou compreender o que leva as pessoas a serem racistas (sim, eu sei que, como na canção do AVENUE Q, todos somos um pouco racistas) ao ponto de cometerem crimes só pelo facto de os outros serem diferentes aos demais; e quem diz etnia, também diz preferências sexuais, religiosas e políticas. Este filme é um retrato emotivo de um acontecimento real que abalou os Estados Unidos nos anos 50, mas também extremamente actual, pois tanto lá como no resto do mundo está a ver um grande retrocesso civilizacional, para o pior!

Voltando ao filme, Danielle Deadwyler, como a destroçada, mas poderosa mãe, devia ter sido nomeada para o Óscar, dando-nos uma interpretação cheia de força que coloca Michelle Yeoh, e Ana de Armas (não vi o filme com a Andrea Riseborough) a um canto. Não acho que um actor deva ser nomeado só por causa da sua etnia, mas neste caso talvez ela tenha sido vítima do racismo ‘à Hollywood’.

Um daqueles filmes que devia ser visto por todos, racistas e não racistas, para perceberem a estupidez humana... bem, de humano aqueles sulistas não tinham nada!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




domingo, 10 de julho de 2022

UMA DÚZIA DE ESTREIAS

Nestas últimas semanas, fui ver ao cinema uma dúzia de filmes, de diversos géneros e de qualidade variada. A verdade é que este ano as estreias têm-se sucedido em ritmo vertiginoso e, até hoje, já estrearam em Lisboa 175 filmes (este número não inclui os vários documentários que têm chegado aos nossos cinemas).

Por diversas razões, não é possível ver tudo e nem tudo me desperta interesse. A minha inclinação vai sempre para o chamado cinema comercial, pois cada vez tenho menos paciência para os chamados filmes de qualidade. Sempre fui e continuo a ir ao cinema para me divertir, para escapar ao mundo real. Posto isto vamos lá a uma “rapidinha” pelos últimos filmes que vi.


Um dos meus géneros preferidos de sempre é o fantástico no geral, com especial carinho pelo cinema de terror (ou horror, se assim preferirem). Como sabem, não é um género muito divulgado pelo nosso circuito comercial e nem mesmo nas “scary rooms” dos Cinema City ele aparece muito.

Meio escondidos, estrearam A CASA DO MAL e O TELEFONE NEGRO. O primeiro arrasta-se por uma casa assombrada, misturando crianças irritantes, cultos satânicos e religião. O elenco não é mau, mas a acção custa a arrancar e depois termina de forma anticlimática. Melhor é o segundo, onde Ethan Hawke é um psicopata que rapta e mata putos, mas não conta com o poder do telefone negro. O filme tem ambiente, mas falta-lhe terror e suspense; o final é fraquito e este novo psicopata merecia melhor.

Apesar de não propriamente de terror, o novo DOUTOR ESTRANHO tem os seus melhores momentos quando o realizador Sam Raimi nos relembra que foi um mestre do género. Quanto ao filme, é um longo desfile de efeitos especiais, com muita confusão, sem qualquer suspense ou emoção, e a desperdiçarem a Wanda Maximoff. Confesso que começo a ficar farto de filmes de super-heróis. Quando será que esta moda acaba?

A CASA DO MAL (The Banishing) de Christopher Smith – 4 (de 1 a 10)

O TELEFONE NEGRO (The Black Phone) de Scott Derrickson – 6 (de 1 a 10)

DOUTOR ESTRANHO NO MULTIVERSO DA LOUCURA (Doctor Strange in the Multiverse of Madness) de Sam Raimi – 3 (de 1 a 10)











Episódios ou histórias da vida real nunca foram muito a “minha praia”, mas há muitos bons filmes do género e o OPERAÇÃO SECRETA é um bom exemplo disso. Prendeu-me a atenção desde o início e conta-nos um episódio da Segunda-Guerra com suspense, humor e um elenco em grande forma.

Já o quase documental NOTRE-DAME EM CHAMAS, é isso mesmo. Mostra-nos o princípio, o meio e o final do terrível incêndio que consumiu a famosa catedral, de forma muito factual e sem emoção. Por razões que desconheço (pode ser baseado na realidade), temos uma criança religiosa e uma velhota preocupada com o seu gato que parecem ter sido metidas a “martelo” na história.

Continuando por Paris, temos a biografia cinematográfica de Gustave Eiffel e da sua mais famosa obra, tudo em tons românticos e dramáticos. Eu gostei!

OPERAÇÃO SECRETA (Operation Mincemeat) de John Madden – 7 (de 1 a 10)

NOTRE-DAME EM CHAMAS (Notre-Dame Brûle) de Jean-Jacques Annaud – 5 (de 1 a 10)

EIFFEL de Martin Bourboulon – 6 (de 1 a 10)









Os próximos três filmes não podiam ser mais diferentes, mas gostei de todos, principalmente da colorida e electrizante biografia do rei do rock, Elvis Presley. ELVIS é um bom regresso do realizador Baz Luhrmann à ribalta, com duas excelentes interpretações de Austin Butler e de Tom Hanks (que provavelmente irá ser nomeado para os Óscars e merece).A segunda longa-metragem do DOWNTON ABBEY não foge à sua herança, com dramas e humor à mistura, com uma mudança de cenário para França e um cheirinho ao SERENATA À CHUVA com a equipa cinematográfica que invade a mansão. Tudo muito doce, mas gostei.

Por fim uma divertida animação de ficção científica vinda da Pixar/Disney, que nos revela as aventuras do BUZ LIGHTYEAR que viriam a dar origem ao famoso boneco da série TOY STORY.

ELVIS de Baz Luhrmann – 7 (de 1 a 10)

DOWNTON ABBEY: A NEW ERA (Downton Abbey: Uma Nova Era) de Simon Curtis – 6 (de 1 a 10)

BUZZ LIGHTYEAR de Angus MacLane – 6 (de 1 a 10)











Para terminar os meus preferidos desta dúzia de filmes. Começo pelo violento e emocionante, quase épico, O HOMEM DO NORTE, onde as lendas vikings ganham vida numa história de vingança cheia de sangue que nos arrebata a atenção. O elenco é cinco estrelas!

Não tinha planeado ver o TOP GUN: MAVERICK, mas fiquei curioso depois de ouvir diversas boas críticas. E não é que gostei muito do filme! Tom Cruise está em plena forma, dando-nos uma das suas melhores interpretações e, para variar, soube muito bem ver fantásticas cenas áreas que não assentam em CGI para surtirem o seu efeito vertiginoso.

Se, como eu, adoram dinossauros, o MUNDO JURÁSSICO: DOMÍNIO é para vocês! São mais duas horas de divertida acção, com muitos dinossauros à mistura e um elenco que está a divertir-se “à brava” com estas aventuras fantásticas. Venham mais!

O HOMEM DO NORTE (The Northman) de Robert Eggers – 8 (de 1 a 10)

TOP GUN: MAVERICK de Joseph Kosinski – 8 (de 1 a 10)

MUNDO JURÁSSICO: DOMÍNIO (Jurassic World Dominion) de Colin Trevorrow – 8 (de 1 a 10)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

MULHERONAS, MULHERZINHAS E UM PUTO

Na minha última colheita cinéfila, vi três filmes que não podiam ser mais diferentes. Nos dois primeiros, os membros do sexo feminino são rainhas e senhoras e, no outro, também é uma senhora quem mais brilha.

BIRDS OF PREY de Cathy Yan - Classificação: 4 (de 1 a 10)

Em SUICIDE SQUAD, que eu não vi, Harley Quinn, mais conhecida por ser a namorada do Joker, deu nas vistas e o resultado é este filme dedicado à sua louca pessoa. A história é simples. O seu namoro com o Joker terminou e isso tornou-a vulnerável aos maus todos; para se tentar safar tem que “arrancar” um diamante muito especial da posse de uma miúda.

Ia à espera que isto fosse mais divertido e louco. As super-heroínas do filme, com uma exceção, não têm poderes especiais, mas são óptimas a dar porrada; a melhor sequência do filme é uma cena de luta num parque de diversões, com muita cor, pontapés e murros. Também gosto do subtítulo do filme: “e a Fantabulástica Emancipação de uma Harley Quinn).

Margot Robbie é uma divertida e tonta Harley Quinn, as outras duronas são Rosei Perez, Mary Elizabeth Winstead eJurnoee Smollett-Bell, e todas se divertem muito com as suas personagens. O mau da fita é Ewan McGregor e é uma pena não ser mais mauzão e louco. 




MULHERZINHAS (Little Women) de Greta Gerwig - Classificação: 7 (de 1 a 10) 

Mais uma adaptação cinematográfica do clássico de Louisa May Alcott, onde Jo March, uma inspirada escritora, nos conta a sua história e a das suas irmãs. Cada uma com a sua personalidade muito vincada, elas vivem com os seus dramas e alegrias, nunca perdendo aquilo que as une.

Acho que esta é a quarta versão desta história que eu vejo: Katharine Hepburn em 1933, June Allyson em 1949 (com a Elizabeth Taylor) e Winona Ryder em 1994. Confesso, que de todas, esta nova versão é a minha preferida. Greta Gerwig consegue o equilíbrio certo entre drama e comédia, evitando a lamechice a que a história se presta e tem uma realização fluída, com ritmo, romance e uma inocência que é refrescante.

Claro que para este filme funcionar, é necessário ter-se a atriz certa para o papel de Jo March, pois ela é o centro de tudo. Aqui, as honras cabem a Saiorse Ronan que vai lindamente no papel, dando-nos talvez a melhor interpretação da sua carreira. As outras meninas são Emma Watson, Eliza Scanlen e Florence Pugh, que quase rouba o filme a Ronan como Amy. Em papéis secundários, Laura Dern é perfeita como a mãe das miúdas e Meryl Streep brilha como a irritante tia. Do lado masculino, é o jovem Timothée Chalamet quem mais chama a atenção.

Em termos de produção, é uma cuidada reconstituição de época, feita com bom gosto e elegância. Recomendado para o romântico/a que há em vocês!


JOJO RABBIT de Taika Waititi - Classificação: 6 (de 1 a 10) 

Jojo é um puto a viver na Alemanha Nazi e que é fanático por Hitler, sendo este o seu amigo imaginário. Quando descobre que a mãe esconde uma jovem judia em sua casa, começa a ver as coisas de outra forma.

Tal como acontecia num dos seus filmes anteriores, WHAT WE DO IN THE SHADOWS, o realizador/argumentista Taika Waititi revela talento para pegar em temas conhecidos (Nazismo no caso presente, vampirismo no filme que menciono em cima) e criar algo de novo em redor dos mesmos, de forma quase surrealista e com um forte sentido de humor. As ideias são engraçadas, mas acabam por se esgotar conforme (ou sem fome) a acção avança. Mesmo assim, esta sátira ao nazismo, segue-se sempre com interesse e com um sorriso nos lábios.

Roman Griffin Davis é excelente como Jojo e o mesmo posso dizer de Thomasin McKenzie como a jovem judia. Taika Waititi não resistiu a encarnar o próprio Hitler com resultados divertidos, mas é Scarlett Johansson quem mais se destaca como a mãe de Jojo; a melhor tem a ver com os seus sapatos e, para mim, é o momento mais marcante do filme.

Entre gargalhadas, humor negro e o ridículo da guerra, esta comédia não é para todos os gostos, mas vale a pena o risco.




quarta-feira, 22 de maio de 2019

JOHN WICK, TRAIÇÕES E PERVERSIDADES

Onze novos filmes chegaram aos cinemas de Lisboa na passada quinta-feira. A escolha não era fácil e ficaram alguns por ver, mas aqui fica uma curta opinião dos três que vi.

Comecei com a Judi Dench a ser acusada de traição em UMA TRAIÇÃO NECESSÁRIA, continuei com o Keanu Reeves a levar e dar porrada como JOHN WICK e terminei com o Zac Efron no papel de um psicopata EXTREMAMENTE PERVERSO, ESCANDALOSAMENTE CRUEL E VIL,

O primeiro é um drama arrastado, que torna uma história verídica e interessante em algo de aborrecido e pouco empolgante. O elenco é bom, mas não têm grandes chances de brilhar e a mão pesada do realizador Trevor Nunn não ajuda.

O filme com o Zac Efron (menino bonito a mostrar que é mais que uma cara bonita) também é baseada em factos reais, neste caso na vida do terrível Ted Bundy. Com este fiquei muito decepcionado, pois achei que era um thriller de suspense e levei com um drama de tribunal. Não é que seja mau, mas achei-o demasiado longo e desinteressante; acho que o Ted Bundy merecia um filme melhorzinho.

O melhor foi o festival de violência, porrada, perseguições, humor e suspense do JOHN WICK. É um filme de acção quase sem história, que funciona como uma hilariante montanha russa, onde nem temos tempo para respirar. Visualmente forte e com algumas das melhores cenas de tareia que tenho visto ultimamente no cinema. Esqueçam a realidade e entrem na realidade paralela de John Wick, com um elenco em perfeita sintonia com a história.

UMA TRAIÇÃO NECESSÁRIA (Red Joan) de Trevor Nunn - Classificação: 4 (de 1 a 10)
JOHN WICK 3 – IMPLACÁVEL (John Wick: Chapter 3 – Parabellum) de Chad Stahelski- Classificação: 7 (de 1 a 10)
EXTREMAMENTE PERVERSO, ESCANDALOSAMENTE CRUEL E VIL (Extremely Wicked, Shockingly and Vile) de Joe Berlinger - Classificação: 4 (de 1 a 10)




quarta-feira, 13 de junho de 2018

MUNDO JURÁSSICO: REINO CAÍDO (Jurassic World: Fallen Kingdom) de J. A. Bayona

A História:Um vulcão ameaça as espécies pré-históricas a viver na ilha Nublar. Uma missão de resgate é posta em movimento para salvar a bicharada, mas esta missão tem um objectivo muito negro na sua base.

O Filme:Os fantásticos dinossauros estão de volta e com eles a ganância pelo dinheiro e a sede pelas “armas”. O resultado, felizmente não levado nada a sério, é divertido, empolgante e por vezes comovente (a última cena na ilha com um daqueles dinossauros de pescoço comprido).
O realizador J. A. Bayona mantém o ritmo do princípio ao fim, com excelentes sequências de acção e o seu coração está definitivamente com os dinossauros. O filme vai buscar ideias aos títulos anteriores, mas sem as copiar e é sempre um enorme prazer ver esta bicharada em movimento e a parecerem tão reais.
Claro que as estrelas do filme são os dinossauros, mas Chris Pratt e Bryce Dallas Howard dão-lhes o apoio necessário, ao mesmo tempo que partilham uma boa química e mantêm o humor vivo. Os maus da fita, Rafe Spall, Ted Levine e Toby Jones fazem-nos odiá-los, que acredito ser o pretendido.
O final promete mais sequelas e se mantiverem o interesse e o espectáculo despretensioso do corrente filme, venham elas.

Classificação: 7 (de 1 a 10)





sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

JOGO DA ALTA RODA (Molly’s Game) de Aaron Sorkin

A História: Molly é a responsável pelo mais alto e exclusivo jogo de póker de Nova Iorque; quando este envolve a mafia russa, ela torna-se alvo de uma investigação do FBI.

O Filme: O ano passado, Jessica Chastain brindou-nos com a melhor interpretação da sua carreira com MISS SLOANE. Este ano está de volta com uma personagem que podia perfeitamente ser um prolongamento de Miss Sloane e claro que ela o faz bem, mas espero que uma mudança de registo esteja no seu futuro próximo.
Esta história verídica sobre o universo dos jogos clandestinos tem, por vezes, uma conversa demasiado técnica para quem não perceba nada de póker, como por exemplo eu. Tirando isso, o interesse é mantido pelo realizador Aaron Sorkin, por vezes com algum suspense e com uma boa direcção de actores. Pessoalmente, nunca vou perceber o que leva pessoas a perderem milhões em jogo, mas a paixão/vício que têm pelo mesmo é palpável. Quanto a Molly, é uma personagem lutadora que esconde as suas emoções e com um espírito forte.
No elenco de caras conhecidas, sobressai Idris Elba como o advogado de Molly, que aqui revela mais emoções do que nos seus últimos trabalhos. No papel do pai de Molly, Kevin Costner revela, uma vez mais, ser um dos actores mais seguros de Hollywood e a cena dele com a filha no Central Park é a melhor do filme e quase me levou às lágrimas.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


terça-feira, 25 de abril de 2017

O JARDIM DA ESPERANÇA (The Zookeeper’s Wife) de Niki Caro

A História: Em Varsóvia, durante a perseguição dos Nazis aos judeus, Antonina e Jan Zabinski, os donos do jardim zoológico local, ajudam vários judeus a escapar às garras dos Nazis.

Os Actores: A grande Jessica Chastain, que este ano já nos brindou com a sua inesquecível interpretação em MISS SLOANE, está de regresso para voltar a iluminar o ecrã com a sua beleza e talento natural. Chastain é daquelas actrizes que faz parecer que não é necessário esforço para dar vida às personagens. Ela é, sem dúvida, a melhor coisa deste drama e, com excepção de Daniel Brühl como o “mau” da fita, o restante elenco não está à sua altura.

O Filme: Baseado numa história verídica e numa altura em que nos chegam notícias sobre homossexuais que são postos num campo de concentração na Chechénia e em que a religião das Testemunhas de Jeová é proibida na Rússia, este filme recorda-nos o flagelo que foi o Nazismo. Não devemos esquecer que o Nazismo começou com pequenas perseguições, que pareciam inconsequentes e que se transformaram naquilo que a História nos conta. A realizadora Niki Caro pega na história dos Zabinski e dá-nos uma visão mais intimista da perseguição aos judeus, mas acho que posso dizer que o faz de uma forma algo ligeira. O filme tem momentos dramáticos, daqueles capazes de pôr o público a chorar, mas confesso que as cenas que mais mexeram comigo foram as que envolvem os animais. Acho que nunca tinha pensado em como terá sido a vida de animais encarcerados numa cidade a ser bombardeada e acreditem que me fez muita impressão. Para mim, o problema deste filme, com o qual não fui capaz de me sentir emocionalmente muito envolvido, é que a história dos Zabinski, apesar dos perigos reais que viveram, é muito delicodoce, falta mais dramatismo à mesma e talvez um lado mais negro que contrastasse com a bonita fotografia de Andrij Parekh.

Classificação: 5 (de 1 a 10)



domingo, 12 de fevereiro de 2017

JACKIE de Pablo Larraín

A História: Após o assassinato do Presidente John Kennedy, a sua esposa Jackie esforça-se por ultrapassar o seu desgosto e choque, ao mesmo tempo que luta para garantir que o seu marido fique para sempre na memória do povo americano.

Os Actores: Natalie Portman é uma perfeita Jackie Kennedy, uma mulher que disfarça a sua força usando como fachada uma personalidade frívola e quase tonta. Sim, ela fala de uma forma estranha, mas supostamente era assim que falava Jackie. Como o irmão de John Kennedy, Peter Sarsgaard tem um ar desgastado e infeliz. Greta Gerwig muda finalmente de registo como Nancy, uma empregada e amiga de Jackie. Billy Crudup é o jornalista que quer revelar a visão de Jackie sobre os acontecimentos e, no que jugo ter sido um dos seus últimos desempenhos, John Hurt convence como o padre a quem Jackie se confessa.   

O Filme: O ano passado, o realizador Pablo Larraín deu-nos o fortíssimo EL CLUB e esperava mais desta sua estreia no cinema americano. Não é que o filme seja mau, mas os acontecimentos são-nos mostrados quase como se de um documentário se tratasse, sem grande emoção. Para mim o momento mais interessante é já perto do final, quando ao passar por uma loja de moda, Jackie percebe que marcou a sua época, ou melhor, o seu reinado. Como Jackie diz e muito bem, o governo de Kennedy foi uma espécie de Camelot, um tempo de sonhos e fantasia que durou pouco. Gostava que esta abordagem tivesse sido mais explorada e, como apaixonado que sou por musicais, adorei ouvir a canção tema do musical CAMELOT, pelos vistos um favorito de John Kennedy. A música de Mica Levi é omnipresente no decorrer da acção, dando ao filme uma atmosfera lúgubre, e o guarda-roupa de Madeline Fontaine recria na perfeição o universo de Jackie e dos anos 60. Mas o filme é sobretudo Natalie Portman e, se bem que não acho que ela mereça este ano o Óscar, ela está mesmo muito bem.

Classificação: 5 (de 1 a 10)




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

JULIETA de Pedro Almodóvar

A História: Um encontro com alguém que conheceu em tempos, leva Julieta a confrontar o seu passado e a tentar perceber o que levou a sua filha a afastar-se e a tornar-se uma estranha.

Os Actores: Desde do início da sua carreira que Pedro Almodóvar se tem mostrado um exímio director de actrizes, mas desta vez está longe do seu melhor. No papel da jovem Julieta, Adriana Ugarte não me convenceu, e apesar de Emma Suárez ser bem melhor como a mais velha Julieta, a verdade é que não me cativou. Achei mais interessante Inma Cuesta como Ava, uma personagem que gostava que tivesse sido mais explorada, e Rossy de Palma, que tem uma presença forte como Marian.

O Filme: Recentemente li uma crítica profissional a este filme na revista “Little White Lies” e fiquei a pensar se teria visto o mesmo filme. Ao contrário de mim, o crítico adorou o filme e considera-o um dos melhores de Almodóvar. Só concordo com ele numa coisa, Almodóvar devia ter mantido o primeiro título que escolheu “O Silêncio”, pois tem tudo a ver com o que se passa. O tema é interessante, focando a forma como as pessoas preferem não partilhar os seus sentimentos e discutir os problemas, preferindo manter-se no silêncio e fazer as suas deduções pessoais sobre as coisas. Infelizmente, achei que a história se arrasta sem grande garra, senti a falta dos pequenos apontamentos de humor a que Almodóvar nos habituou e fiquei mesmo muito decepcionado. Se calhar estava em dia não quando vi o filme, mas acho-o o mais fraco de todos os filmes que vi deste realizador.

Classificação: 3 (de 1 a 10)






sábado, 16 de abril de 2016

O LIVRO DA SELVA (The Jungle Book) de Jon Favreau

A História: Mowgli, um puto humano, foi criado no meio da selva por uma alcateia de lobos, mas quando o tigre Shere Khan o descobre ameaça matá-lo e Mowgli é obrigado a fugir da selva. A ajudá-lo tem a companhia da pantera Bagheera, mas as coisas não correm como esperado.

Os Actores: O pequeno Neel Sethi é um bocadinho irritante como Mowgli, mas aos poucos e poucos vai-nos conquistando com os seus expressivos olhos. A dar-lhe suporte tem um excelente elenco de actores que dão voz aos animais que o acompanham. Pensando bem, e tendo em conta que Sethi deve ter apenas contracenado com um ecrã azul, o puto até se safa muito bem. Quanto aos actores, foram escolhidos a dedo. Scarlett Johansson é perfeita como a serpente e até canta e encanta com a sua voz sensual. No papel de King Louie (o rei dos macacos) Christopher Walken é um delicioso tipo de gangster que canta com gosto. Bill Murray convence como o urso Baloo, Ben Kingsley dá classe à pantera Bagheera e Idris Elba mete respeito e é um ameaçador Shere Khan.

O Filme: Será que precisamos de mais uma adaptação do clássico de Rudyard Kipling? Quando vi o trailer a minha resposta era não, mas depois de ter visto o filme, a resposta é um grande sim! O realizador Jon Favreau e a equipa de técnicos de efeitos especiais a seu dispor dão-nos um bom, excitante e divertido filme de aventuras, que para mim é já a melhor versão desta famosa história. A mistura do real com CGI é perfeita e depressa nos esquecemos que o que estamos a ver não são animais verdadeiros. Para além disso o filme tem o ritmo certo, prende-nos a atenção, os poucos números musicais não são forçados, é por vezes empolgante e proporciona uma dose tão grande de gozo que acho que todos nós gostaríamos de ser o pequeno Mowgli. A não perder!

Classificação: 7 (de 1 a 10) / Visitem THE JUNGLE BOOK by Jon Favreau – A Poster Gallery