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quarta-feira, 3 de junho de 2026

BACKROOMS – O LABIRINTO (BACKROOMS) de Kane Parsons

Clark, que trabalha numa loja/armazém de móveis, descobre um labirinto de salas por detrás de uma das paredes da cave do armazém. Quando este desaparece sem rasto, a sua terapeuta decide ir procurá-lo e descobre que ele falava a verdade sobre a existência do labirinto de salas.

Desconhecia e desconheço os vídeos de YouTube que estão na base deste novo filme e, até agora, o Kane Parsons era um ilustre estranho para mim, um daqueles que faço intenções de ser um fiel seguidor da sua promissora carreira cinematográfica.

Este BACKROOMS não é para toda a gente, pois é um objecto estranho, livre de várias interpretações. Tenho de confessar que após o prometedor princípio, quase que me deixei adormecer, mas depois despertei e deixei-me levar neste pesadelo, de onde parece não haver saída. Diria que os cenários são o principal protagonista deste filme, eles têm vida própria e a forma como disturbam os personagens é assustadora e sufocante, claustrofóbica. Que existe algo de vivo e perigoso naquele estranho labirintos de salas, portas e janelas, é mais que óbvio, mas o filme não é sobre mais uma criatura ou psicopata. 

Atrevo-me a dizer que é algo de diferente, que por vezes me fez lembrar os corredores do hotel do SHINING com um cheirinho de ficção-científica.

No elenco Chiwetel Ejiofo e Renate Reinsve convencem como os principais protagonistas encurralados não só naquelas salas, mas também nas suas vidas.

Entre o sonho e a realidade, é um novo conceito de filme de terror. Não será do agrado de toda a gente, mas eu gostei.  

Classificação: 7 (de 1 a 10)

















domingo, 3 de maio de 2026

THE BLUFF de Frank E. Flowers

Fazia muito tempo que não via um filme de piratas. Neste caso temos uma “piratona” durona que, quando a ilha onde vive é invadida por um terrível bando de piratas, é obrigada a revelar a sua identidade. 

O resultado tem muita acção, violência e não muito mais, mas Priyanka Chopra Jonas demonstra ser uma melhor de armas e o resultado segue-se com algum gozo e descrédito.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


BOA SORTE, DIVERTE-TE, NÃO MORRAS (GOOD LUCK, HAVE FUN, DON’T DIE) de Gore Verbinski

Num restaurante em Los Angeles, chega um homem que diz vir do futuro e que precisa de ajuda para salvar o mundo da inteligência artificial; um pequeno grupo de clientes acaba por ser voluntário à força e espera-os uma estranha noite. 

Esta comédia de ficção científica  é uma estranha maluquice, com algumas ideias engraçadas, cenas “creepy” como a dos estudantes agarrados aos telemóveis, coisas disparatadas e mensagem moralista: larguem a Internet e as redes sociais. 

Devia ser mais divertido, mas Sam Rockwell e o resto do elenco estão em sintonia com o espírito da coisa.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


A NOIVA (THE BRIDE) de Maggie Gyllenhaal

Chicago anos 30. A criatura de Frankenstein pede à Dra. Euphronius que lhe crie uma noiva. O corpo escolhido é de uma jovem recentemente assassinada, cuja mente encerra segredos perigosos sobre um senhor do crime. 

Este é daqueles filmes que se percebe que foi feito a pensar na possibilidade de se tornar um título de culto, e é bem possível que isso aconteça. A escolha de Jessie Buckley e Christian Bale para os papéis principais não podia ter sido melhor e ambos estão fantásticos. Sem ser um grande filme, segue-se sempre com interesse, com momentos de pura loucura (o número musical no restaurante fino) e um incentivo à luta pela justiça.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


BLUE MOON de Richard Linklater

Broadway 1943. No bar nova-iorquino Sardi’s, Lorenz Hart fala da sua paixão por uma jovem e bonita rapariga, ao mesmo tempo que tenta disfarçar a sua infelicidade com o sucesso de OKLAHOMA!, o novo musical do seu antigo parceiro Richard Rodgers.

A história é simples, mas os diálogos são deliciosos e o elenco não podia ser melhor, com Ethan Hawke a dar a interpretação da sua carreira e uma radiante Margaret Qualley a iluminar o cenário. Não tem cenas de acção, mortes ou efeitos especiais, apenas personagens interessantes filmados com intimidade e amor por Richard Linklater. Um dos filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)


domingo, 5 de maio de 2024

A BATALHA DAS POP-TARTS (Unfrosted) de Jerry Seinfeld

Um elenco de luxo dá vida a uma galeria, por vezes absurda, de personagens que lutam para ver quem conquista o mercado de um novo produto para o pequeno-almoço dos americanos; Kellog’s vs Post. 

Acredito que no papel o argumento, livremente inspirado em possíveis fatos verídicos, deve ter parecido engraçado, mas em filme raramente tem graça e, com excepção de uma ou duas cenas, não me fez rir. Bem, mas tem um elenco de fazer inveja...

Classificação: 4 (de 1 a 10)


terça-feira, 23 de abril de 2024

BACK TO BLACK de Sam Taylor-Johnson

A História: Biografia de Amy Winehouse, desde os seus tempos de adolescência até à sua morte. O sucesso, a dependência do álcool e drogas, a sua paixão tóxica por Blake e a sua relação com a sua avó.

O Elenco: Marisa Abela entrega-se de alma e coração à sua Amy Winehouse e surpreende, não só uma excelente interpretação, mas também com a sua grande voz; sim, é ela que canta, não está dobrada pela própria Winehouse. A seu lado Jack O’Connell está fantástico como o apaixonante e tóxico Blake. A grande Lesley Manville trás classe à personagem da avó e Eddie Marsan vai bem com o pai que ama a sua filha cegamente.

O Filme: Acreditem ou não, a verdade é que Amy Winehouse passou-me completamente ao lado; achava que era mais uma cantora rock da pesada e nem lhe dei uma hipótese... não podia estar mais enganado! No meio do caos que foi a vida de Winehouse, a realizadora Sam Taylor-Johnson consegue filmar a sua vida com dignidade, nunca caindo na caricatura e dando-nos o retrato de uma artista fantástica que se perdeu na vida, mas que nunca será esquecida.

Vale a Pena Ver? Mesmo que não sejam fãs de Amy Winehouse (eu não era) recomendo este drama com muita música e um excelente elenco.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

THE BEEKEEPER – O PROTECTOR (The Beekeeper) de David Ayer

A História: Quando uma velhota se suicida depois de ter sido vítima de uma fraude informática, o seu amigo Adam (que foi um super-agente conhecido como “beekeeper”) decide vingar-se desmascarando e dando cabo de todos os que estão por detrás desse terrível negócio.

O Elenco: Bem, Jason Statham faz de Jason Statham, mas aqui até o faz melhor do que é costume e está bem secundado por Jeremy Irons e Josh Hutcherson.

O Pior do Filme: A tentativas falhadas de humor entre a dupla de agentes do FBI.

O Melhor do Filme: O gozo que dá ver os maus levarem porrada a torto e a direito.

Veredicto Final: Confesso que não ia nada à espera de gostar do filme, mas dei por mim a torcer por Adam e, dentro do género, é sem dúvida um bom filme. As intenções de David Ayer são simples, divertir-nos e dar-nos emocionantes cenas de acção, o que consegue sem dificuldades. Deixem-se levar pelo gozo que o filme proporciona e o mundo precisava de vários Adam para darem cabo dos maus que por aí andam!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




quarta-feira, 15 de novembro de 2023

O RAPAZ E A GARÇA (The Boy and the Heron) de Hayao Miyazaki

O pequeno Mahito perde a mãe num incêndio e, uns anitos mais tarde, o pai casa com a irmã da mãe indo todos viver para o campo. Aí, Mahito conhece uma garça falante e juntos entram num mundo fantástico à procura da madrasta e da mãe.

Fazia já um tempo que não via um filme de animação do mestre Hayao Miyazaki e do estúdio Ghibli, pois não sou grande fã dos mesmos. Visualmente o filme é belíssimo, mas a história não me prendeu e o seu ritmo é demasiado lento para o meu gosto. Aprecio a imaginação sem limites e seus mundos fantásticos, povoados por estranhas criaturas, mas as personagens principais fazem-me sempre lembrar a Heidi e o Marco e não consegui prender-me aos mesmos. Para fãs deste género acredito que seja uma nova obra-prima, mas continuo a preferir A PRINCESA MONONOKE, mas quem diria que os periquitos podiam ser os maus da fita?

Classificação: 5 (de 1 a 10)





quarta-feira, 26 de julho de 2023

BARBIE de Greta Gerwig

Na Barbieland, a Barbie estereótipo que vive num mundo cor-de-rosa com as suas amigas Barbies e os respectivos Ken, começa a pensar na morte, aparece-lhe celulite e, horror dos horrores, fica com o pé chato. A única solução é uma viagem ao mundo real a fim de encontrar a menina que brinca com “ela” e tentar perceber qual o seu problema. Ken decide acompanhá-la e descobre uma sociedade governada por homens... com cavalos.

Confesso que pensava que ia ver uma daquelas comédias estúpidas feitas para adolescentes, não ia preparado para o humor adulto e corrosivo deste filme. Tendo em conta que os principais responsáveis por esta adaptação cinematográfica da famosa boneca são Greta Gerwig e Noah Naumbach, podia ter antecipado isso, mas ainda bem que o não fiz. Assim, tive uma agradável surpresa e fazia muito tempo que não via uma comédia tão inteligente e, por vezes, com apontamentos geniais (o final é inesquecível!). Ri com muito gosto e, apesar de haver quem acuse o filme de feminista, não me senti ameaçado na minha masculinidade e deliciei-me com os cenários fantasistas (a lembrar Oz), o guarda-roupa "piroso" e, no meio disto tudo, dei por mim a pensar nos assuntos sérios que o filme aborda.

Margot Robbie é perfeita como Barbie, mas na realidade esta atriz nunca dá um passo em falso e é das melhores e mais versáteis da sua geração. Ryan Gosling é um verdadeiro achado como Ken e, apesar de não terem grande química (acho que é propositado), fazem um dos pares mais engraçados e, principalmente, mais coloridos do ano.

Não é um filme a enaltecer a Barbie, mas sim a desconstruí-la com graça. Não sei como a Mattel foi nisto! A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)




quarta-feira, 14 de junho de 2023

O AZUL DO CAFETÃ (Le Bleu du Caftan) de Maryam Touzani

Este é um dos mais interessantes e ternos filmes LGBT que tenho visto nos últimos tempos. 

Podem ler a minha opinião e ver algumas imagens no meu blog FITAS & VIDA QUEER, aqui fica o link: azul-do-cafeta

terça-feira, 13 de junho de 2023

THE BOOGEYMAN (Boogeyman) de Rob Savage

Uma criatura malvada atormenta uma família, cuja mãe faleceu recentemente. Claro que ao princípio ninguém acredita que existe um monstro dentro do armário ou debaixo da cama, mas ele é real e mauzinho.

Já houve filmes construídos à volta do famoso “boogeyman”, mas este tem o pedigree do mestre Stephen King e o resultado é algo de raro, um bom filme do género. Não há muitas mortes e o sangue é raro, mas temos suspense suficiente, personagens com quem criamos alguma ligação e uma boa atmosfera, com alguns calafrios pelo meio. Não é um novo clássico, mas aconselho a quem gosta do género.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




DO JEITO QUE ELAS QUEREM - UM NOVO CAPÍTULO (Book Club: The Next Chapter) de Bill Holderman

Quatro velhas amigas vão até Itália para a despedida de solteira de uma delas, com muitas peripécias e romance pelo meio.

Uma comédia que vale sobretudo pela presença de um quarteto de veteranas que continuam em forma (com mais ou menos operações plásticas), são elas Diane Keaton (igual a si própria), Jane Fonda (sempre em forma), Candice Bergen (em modo maluco) e Mary Steenburgen (a mais jovem do grupo). Para além delas, o filme serve de bilhete postal a Itália e consegue, por vezes, fazer-nos rir um pouco... mas não muito.

Classificação: 4 (de 1 a 10)



BEAU TEM MEDO (Beau is Afraid) de Ari Aster

Beau é um homem que tem medo de praticamente de tudo, que de repente vê-se metido numa série de aventuras de contornos surrealistas, onde a ficção se mistura com a realidade, os sonhos com os pesadelos e, no final, eu não percebi nada.

Sou grande fã dos filmes anteriores do realizador Ari Aster (HEREDITARY, MIDSOMMAR), mas desta vez senti-me perdido no meio de um excelente elenco, visuais fortes e uma história que me passou completamente ao lado. Se alguém me conseguir explicar o enredo, eu agradeço.

Classificação: 4 (de 1 a 10)



quinta-feira, 6 de abril de 2023

ESTRANGULADOR DE BOSTON (Boston Strangler) de Matt Ruskin

Nos anos 60, uma série de crimes agitaram Boston e coube a duas jornalistas desafiarem a polícia a fazer o seu trabalho, pondo em risco as suas vidas pessoais.

Com muita pena minha, nunca vi o original dos anos 60 com Tony Curtis como o assassino. Esta nova versão é demasiado factual para o meu gosto, sem qualquer tipo de emoção ou suspense. É uma produção cuidada, com um bom elenco liderado por Keira Knightley, mas deixou-me completamente frio.

Classificação: 4 (de 1 a 10)




segunda-feira, 27 de março de 2023

AS BESTAS de Rodrigo Sorogoyen

Um casal francês de meia-idade vai viver para uma pequena aldeia na Galiza, onde pretendem transformar a mesma num local onde as pessoas possam ter contacto com a natureza. Os seus vizinhos não os vêm com bons olhos, principalmente dois irmãos que estão dispostos a fazer-lhes a vida negra.

O grande vencedor dos Goya (os Óscares espanhóis) deste ano, com 9 prémios incluindo Melhor Filme e Realizador, chega calmamente às nossas salas onde temo que passe desapercebido. É um thriller dramático com um ambiente muito tenso que transpõe o écran e nos incomoda. Não me consigo imaginar a viver numa aldeia como aquela, onde a civilização parece não ter entrado e onde os estrangeiros são tratados de forma desrespeitosa, com comportamentos que fazem dos locais umas verdadeiras “bestas”, sem ofensa para os animais que participam no filme.

Um excelente elenco com destaque para Marina Fois (a esposa francesa); desde o início que estamos com ela, sendo ela a personagem com quem criamos um laço emocional. Luís Zahera é excelente como o odioso e violento vizinho e Diego Anido vai bem como o seu irmão desequilibrado. No papel do francês, Denis Ménochet dá-nos um personagem obsessivo, que pretende ser forte.

Sem dúvida um filme a merecer a vossa atenção.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




domingo, 5 de março de 2023

A BALEIA (The Whale) de Darren Aronofsky

Charlie é um professor universitário que sofre de obesidade mórbida vivendo isolado no seu apartamento, onde é visitado diariamente por uma amiga enfermeira. Ao sentir que a sua vida está perto do fim, decide tentar criar uma ligação com a sua filha adolescente, que não vê há anos.

Este filme tem sido alvo de muita atenção pelo facto de marcar o regresso do actor Brendan Fraser às luzes da ribalta e que regresso! Conhecido por ser o George of the Jungle e, principalmente, pelos divertidos filmes da Múmia, ele já tinha dado provas do seu talento como actor dramático em GODS & MONSTERS e CRASH, mas aqui, debaixo de muita maquilhagem, surpreende revelando-se um actor capaz de transmitir várias emoções de forma simples e realista. Não sei se ele vai ganhar o Óscar para Melhor Actor, mas não tenho dúvidas que o merece!

Quanto ao filme, baseado numa peça teatral, é um relato humano e comovente, que nos chama a atenção para dois assuntos graves. O primeiro e mais óbvio, o problema grave da obesidade e de como é difícil lidar com a mesma, entre a vergonha, o preconceito alheio, a falta de autoestima e força de vontade para lutar contra a mesma.  O segundo assunto; o peso que a religião tem na vida das pessoas com o seu fanatismo e hipocrisia. O problema não é acreditar em Deus, mas sim as doutrinas das religiões.

O realizador Darren Aronofsky consegue dar dinâmica a um cenário único e evitar a lamechice a que a história se presta. Dirigindo o seu elenco com amor e carinho, prova uma vez mais ser um excelente diretor de actores, conseguindo que todos deêm o seu melhor. Não é um filme fácil, mas merece a nossa atenção.

Classificação: 8 (de 1 a 10)





terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

JORGE FOI AOS FILMES: FEVEREIRO 2023















Este Fevereiro, entre cinema e streaming vi onze novos filmes, entre eles o melhor foi o TÁR. Aqui ficam os meus apontamentos/opinião sobre os mesmos.

BATEM À PORTA (Knock at the Cabin) de M. Night Shyamalan

 Um casal e sua filha vão passar um fim de semana numa cabana no meio dos bosques. Aí são “visitados” por quatro estranhos cuja missão é salvar a Humanidade. Para que assim seja o casal tem que sacrificar um dos seus membros.

Os filmes de M. Night Shyamalan têm sempre uma grande premissa e, dependendo dos casos, um desenlace inesperado. Este seu novo filme começa muito bem, colocando-nos uma questão que nos faz pensar, seríamos capazes de sacrificarmos a nossa vida em nome da Humanidade... pior ainda, faríamos o mesmo se um grupo de possíveis fanáticos religiosos nos invadissem a casa? A grande questão com que a família sobre “ataque” se debate é se aqueles quatro estranhos estão ou não a dizer a verdade. Assim, com ambiente tenso e boas interpretações, seguimos a trama até ao final e... Bem, para mim falta-lhe qualquer coisa e não fiquei convencido.

 Classificação: 5 (de 1 a 10)

DESAPARECIDOS (Vanishing) de Denis Dercourt

Alice, uma perita forense, em Seoul para dar umas palestras, vê-se envolvida na investigação de crimes relacionados com o tráfico de órgãos.

O trailer prometia um thriller intenso, mas não é isso que o realizador Denis Dercourt nos dá e é uma pena. A história do tráfico de órgãos é interessante e há um verdadeiro senso de perigo nas ruas e corredores de Seoul, mas os personagens são um pouco frouxos, o suspense quase nulo e, sem dúvida, falta thriller a este filme.

 Classificação: 4 (de 1 a 10)

OS ESPÍRITOS DE INISHERIIN (The Banshees of Inisherin) de Martin McDonagh

Numa ilha irlandesa, onde não se faz praticamente nada a não ser beber uns copos num bar, um amigo diz ao outro que já não gosta dele e que lhe agradece que o deixe em paz, caso contrário cortará cada um dos seus próprios dedos sempre que este o incomodar.

Como é que nos sentiríamos numa situação semelhante”? É uma questão incómoda que esta comédia negra nos coloca, captando a nossa atenção entre paisagens bucólicas, bons diálogos, cenas dramaticamente humorísticas e um grupo rico de personagens que parecem não ter saída daquela vida.

Quanto aos amigos, estou certo de que cada um de nós se irá identificar com um deles. Pádraic (Colin Farrell) vive a sua vida sem qualquer tipo de ambição, desejando apenas ser feliz e simpático para os outros. E Colm (Brendan Gleeson) que quer algo mais da vida, sonhando deixar um legado para a posteridade sem ser interrompido por conversas banais até o conseguir. Farrel dá-nos aqui talvez a melhor interpretação da sua carreira, provando de uma vez por todas que não é apenas uma cara bonita. A seu lado Kerry Condon e Barry Keoghan, como a irmã de Pádraic e o “tonto da vila”, são excelentes e estão todos nomeados para os Óscares, incluindo também Brendan Gleeson.

É um filme desprovido de “glamour”, que nos faz rir de coisas sérias, nos faz questionar sobre as nossas amizades e ao mesmo tempo é comovente e humano. Uma comédia amarga que é sem dúvida um dos grandes filmes deste ano!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

HOLY SPIDER de Ali Abbasi 

Uma jornalista vai até a Mashhad, uma cidade sagrada no Irão, a fim de investigar uma série de crimes em que as vítimas são prostitutas. A polícia local parece não estar muito interessada em descobrir o assassino. Este é um vulgar homem de família, que acredita estar a limpar a rua das pecadoras, tudo em nome de Deus. 

Obviamente proibido e condenado no Irão, este drama policial dá-nos um retrato negro de uma sociedade machista e religiosamente fanática. Baseado numa história real, é um filme forte que merece a atenção de todos nós. O que mais me impressionou no filme é o fanatismo religioso que leva muita gente a apoiar os actos deste psicopata, a sua família incluída; bem como a forma como as mulheres são tratadas na sociedade iraniana. Um amigo meu iraniano confirmou-me que o filme é muito realista, o que me assusta ainda mais. Eu sei que é provavelmente uma questão cultural/religiosa, mas como é possível ainda haver nos dias de hoje sociedades deste género? 

O filme é um verdadeiro murro no estômago, que não foge do grafismo dos estrangulamentos e que mexe com o nosso sistema nervoso. Zar Emir-Ebrahimi e Meddi Bajestani são excelentes como a jornalista e o assassino, respectivamente. Também é um filme que nos ajuda a colocar as nossas vidas em perspectiva, pois passamos o tempo a queixarmo-nos de tudo, mas temos muita sorte em não ter nascido e/ou viver numa sociedade como aquel. Um filme importante a não perder! 

Classificação: 7 (de 1 a 10) 

A INSPEÇÃO (The Inspection) de Elegance Bratton

Um jovem, cuja mãe não aceita a sua homossexualidade, inscreve-se nos Marines, onde vai ter que provar que é tão bom e capaz quanto os outros, enfrentando homofobia e racismo.

Baseado numa história verídica, temos aqui um drama que aborda o tema do ‘homossexualismo’, homofobia e racismo tentando evitar os clichés do género, acabando por preferir uma abordagem realista que o aproxima mais de filmes como o FULL METAL JACKET (sem a guerra) do que do cinema Queer. Jeremy Pope vai muito bem como o jovem recruta e Gabrille Union é fantástica como a sua homofóbica mãe, a melhor cena do filme é entre eles os dois. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

NA TUA CASA OU NA MINHA (Your Place or Mine) de Aline Brosh McKenna

Debbie e Peter tiveram uma noite de amor faz muito tempo e apesar de viverem em locais opostos nos Estados Unidos ficaram amigos desde então. Quando Debbie tem que ir a Nova Iorque, Peter decide ir até Los Angeles tomar conta do filho dela. Assim, ela fica na sua casa e ele na dela, com consequências que nenhum esperava... mas que nós, o publico, já prevíamos.

A nova comédia romântica da Netflix, que chegou a tempo para o Dia dos Namorados, deve ter parecido muito divertida no papel e a ideia de juntarem Reese Witherspoon com Ashton Kutcher deve ter parecido brilhante. Infelizmente, o resultado arrasta-se sem graça por cerca de duas horas desinteressantes, onde Witherspoon e Kutcher demonstram ausência de química e a galeria de personagens secundários é quase embaraçosa (pobre Steve Zahn como o “jardineiro”). Dêem-me o WHEN HARRY MET SALLY mil vezes!!!

Classificação: 1 (de 1 a 10)

ONDE O DESEJO SE ESCONDE (Brazen) de Monika Mitchell

Grace é uma famosa escritora de policiais que vai visitar a sua irmã, mas quando esta é a primeira vítima de um serial killer, ela une forças com o detective borracho que vive na casa ao lado... nisto descobre-se que a mana, uma doce professora, era conhecida noutros meios por Desiree.

Não li o best-seller de Nora Roberts, mas acredito que seja melhor que esta sua adaptação cinematográfica. Faz muito tempo que não via um filme tão mau, daqueles que acabam por nos fazer rir pelas piores razões. A história tipo “whodunit” não tem surpresas, o erotismo é nulo e o suspense não existe. Quanto ao elenco, encabeçado por Alyssa Milano, é vazio de emoções e o talento está ausente. Tem cenas e diálogos de qualidade dúbia, apenas bons para provocar gargalhadas. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 2 (de 1 a 10)

SHARPER de Benjamin Caron

O jovem dono de uma livraria apaixona-se por uma estranha e acaba vítima das vigarices desta e do seu parceiro. Entretanto ficamos a saber mais sobre a vida da estranha, do seu parceiro e da mãe deste. 

Mas que grande cambada de vigaristas e pobres daqueles que lhes caiem nas mãos! O filme começa de forma morna e parece nunca mais arrancar, mas quando damos por isso estamos embrenhados num argumento muito interessante, em que tudo é possível e nada é o que parece. Um bom elenco, com Julianne Moore em grande forma, dá vida a uma galeria de personagens que nos fazem desconfiar de todos, mesmo dos mais bonzinhos. Vale a pena deixarmo-nos enrolar por esta trama de vigaristas. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

TÁR de Todd Field

Lydia Tár é uma talentosa, obsessiva e controladora maestrina/compositora, que tem a honra de ser a primeira directora de uma grande orquestra berlinense. Devido às suas acções, paixões e à deturpação das suas palavras, vê a sua vida profissional e pessoal entrar numa espiral destrutiva.

Confesso que estava com muito receio de ir levar com um filme chato e pretensioso, algo que as primeiras imagens (o genérico final a passar no início do filme) pareciam confirmar. Mas Cate Blanchett aparece e de repente vi-me completamente absorvido pela sua personagem “maior que a vida”. É praticamente impossível desviar o olhar desta extraordinária actriz, aqui a dar-nos talvez a melhor interpretação da sua carreira (se não ganhar o Óscar é porque o politicamente correcto invadiu Hollywood e isso assusta-me).

Quanto ao filme, tanto a realização como o argumento de Todd Field são de excelente qualidade, levando-nos numa viagem emocional e empolgante pontuada com algum humor. Sim, existem uma ou duas pontas soltas (porque será que a nova protegida de Tár vive naquele estranho prédio?), mas fazem parte do universo meio esquizofrénico da mente de Tár e o final é de génio!

O filme toca também num tema muito corrente, a “cancel culture”, e fá-lo de forma incisiva, sem receios. Toda a sequência da aula dada por Tár onde um aluno diz que não toca ou ouve Bach por causa da vida íntima deste, é brilhante! Um dos grandes filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)

O URSO DO PÓ BRANCO (Cocaine Bear) de Elizabeth Banks

Ele há coincidências muito estranhas. No dia 23 de Fevereiro de 1977 estreava em Lisboa o filme GRIZZLY – O MONSTRO DA FLORESTA, onde um urso muito grande semeava a morte numa floresta. Exatamente 46 anos depois, no dia 23 de Fevereiro deste ano, estreia entre nós novo filme com um urso “assassino”. Desta vez ele descobre acidentalmente os efeitos de um carregamento de cocaína que cai “acidentalmente” na sua floresta.

Vi o GRIZZLY aquando da sua estreia e adorei; foi para mim um dos melhores filmes de terror que tinha visto até então. Este novo urso é tão violento quanto o outro, mas o suspense e o terror são substituídos por um sentido de humor por vezes hilariante. Elizabeth Banks deve ter-se divertido imenso a realizar o filme, que é muito livremente inspirado em acontecimentos reais, e deixa a sua imaginação à solta com as exageradas cenas gore; a sequência da cabana da guarda-florestal e da ambulância tem que ser vista para acreditarem. O bem escolhido elenco dá vida a um estranho grupo de personagens cujo destino está à mercê do urso.

Não é um grande filme de terror, mas é uma boa comédia, por vezes exagerada, mas com muita piada. Pode não ser aconselhável a estômagos fracos, mas provoca muitas gargalhadas e é bom para “desopilar o fígado”. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VIVER (Living) de Oliver Hermanus

Um aborrecido funcionário público, daqueles burocratas sem sentido de humor, fica a saber que tem poucos meses de vida e percebe que não viveu a sua. Decidido a recuperar o tempo perdido, falta ao trabalho e tenta encontrar alguns prazeres no tempo que lhe resta.

Não vi o original de Akira Kurosawa de que este filme é um remake, por isso não posso fazer comparações. Tal como a maioria dos seus personagens, é um filme contido, onde as emoções não vêm ao de cima e tudo acontece de forma sossegada. Num papel que lhe assenta que nem uma luva, Bill Nighy está no seu melhor, se bem que não foge do seu registo habitual, sendo bem secundado por um circunspecto elenco, onde sobressai a cor e luz de Aimee Lou Wood como Margaret. É um filme comovente, que consegue evitar a lamechice do tema, mas que nos deixa com um sabor amargo na boca. A minha vontade era começar à estalada a todos aqueles funcionários públicos... esperem lá, eu sou funcionário público. Medo!

Classificação: 6 (de 1 a 10)