Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta P. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta P. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de julho de 2026

DIA D: SOB PRESSÃO (PRESSURE) de Anthony Maras

Não fazia a mínima ideia que o Dia D, aquele que levou à derrota da Alemanha Nazi, tinha estado dependente da previsão das condições do tempo. A pressão recai toda sobre as costas de James Stagg, um especialista em meteorologia, e do General Eisenhower.

É verdade, todos sabemos que o Dia D aconteceu, mas mesmo assim o realizador Anthony Maras consegue criar um filme tenso, com suspense e emoção. Os personagens, a acção, parecem estar sempre a um segundo de explodirem. Da primeira à última imagem, estamos presos ao grande ecrã.

Um elenco fantástico torna tudo muito realista. Como James Stagg, Andrew Scott continua a revelar-se um dos melhores actores da actualidade e quem diria que Brendan Fraser, aqui como Eisenhower, se viria transformar num belíssimo actor. No meio de um elenco quase 100% masculino, Kerry Condon é excelente como a assistente de Eisenhower.

Se gostam de filmes de guerra ou históricos, este é dos melhores que tenho visto e um dos melhores filmes deste ano.

Classificação: 8 (de 1 a 10)







quarta-feira, 3 de junho de 2026

O PASSAGEIRO DO INFERNO (PASSENGER) de André Øvredal


Um jovem casal, que decide fazer vida pela estrada fora numa roulotte, assistem a um acidente e, a partir daí, começam a ser perseguidos por uma identidade maléfica que os quer matar.

O tema de perigo na estrada já foi abordado várias vezes no cinema de terror e noutros géneros, com bons e maus resultados. Este novo filme é um bom resultado.

Sem muito sangue, nem muitas mortes, o realizador mantém o suspense e a atmosfera do princípio ao fim, com alguns calafrios pelo caminho. O facto de o casal de protagonistas ser simpático ajuda à festa e preocupamo-nos pelo que lhes irá acontecer. A entidade malévola é suficientemente “creepy” para nos assombrar os sonhos e o final está à altura das expectativas.

Jacob Scipio e Lou Llobell vão bem como o casal e, num papel secundário, Melissa Leo dá-lhe todo o apoio que necessitam. Quanto ao dito Passageiro, acredito que possa voltar para mais umas viagens sombrias na estrada.

Classificação: 6 (de 1 a 10)





domingo, 31 de maio de 2026

AS PROVADORAS DE HITLER (LE ASSAGGIATRICI) de Silvio Soldini

Nos anos finais da Alemanha Nazi, Rosa (cujo marido está desaparecido na guerra) e mais seis mulheres são escolhidas para provarem a comida que é servida a Hitler e assim evitarem que o mesmo seja envenenado. 

Não há dúvida, a Alemanha Nazi e a Segunda Guerra Mundial têm servido de cenário para 1001 filmes e parece que há sempre algo de novo para nos ser revelado. Não sou nem nunca fui muito dado a História, por isso desconhecia que o Hitler tinha um grupo de mulheres que provava a sua comida. O mais curioso é que estas mulheres eram alemãs como ele e não judias; talvez ele achasse, nos seus delírios da raça ariana, que o veneno que o pudesse matar não faria mal a judias. 

O filme retrata isto de forma quase casual, sendo o mais importante as relações que se criam entre as provadoras, bem como o “affair” entre Rosa (Elisa Schlott) e um oficial Nazi (Max Riemelt). Mas o que eu gostei mais, é da relação de cumplicidade que se cria entre Rosa e Elfriede (uma excelente Alma Hasun), que vem a revelar ser judia. 

Uma boa história, um bom filme!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


domingo, 3 de maio de 2026

PREDADOR DOMINANTE (APEX) de Baltasar Kormákur

A história é simples. Uma mulher vai sozinha descer uns rápidos na Austrália selvagem e acaba a ser caçada por um louco. Verdade, não há muito para dizer sobres este filme. 

Charlize Theron e Taron Egerton vão bem, as paisagens são bonitas, temos uns laivos de cinema de terror, mas na verdade é um thriller eficaz com suspense suficiente para nos manter interessados. São cerca 90 minutos intensos e bem passados.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


PALESTINE 36 de Annemarie Jacir

Na Palestina, os habitantes começam a revoltar-se contra o Império Britânico, principalmente quando estes lhes começam a tirar terras para as dar aos judeus que estão a invadir o país. Este é daqueles filmes que não podia ter estreado em melhor altura. 

De forma quase documental, ficamos a saber muitas das coisas que estão por detrás do eterno conflito entre a Palestina e Israel. Para verem a minha ignorância, eu pensava que a invasão da Palestina pelos judeus tinha acontecido só após a 2ª Guerra e não logo em 1936. Um elenco maioritariamente de caras desconhecidas, com alguns actores conhecidos (Jeremy Irons) para chamar o público, tornam tudo muito realista e é fácil sentirmo-nos revoltados pelos acontecimentos retratados. 

Pessoalmente, prefiro narrativas mais emocionais e menos documentais, mas tendo em conta o que se passa neste momento no mundo, acho que é de visão obrigatória.

Classificação: 5 (de 1 a 10)


PILLION de Harry Lighton

Colin é um homem gay, tímido e um pouco inocente, que um dia conhece Ray, um motoqueiro giraço que se interessa por ele e o torna o seu “escravo”. Nasce assim uma relação de poder e submissão entre os dois.

Não, “pillion” não é uma prática sexual, é o nome dado ao lugar de trás (ou do pendura) das motos; lugar que no filme é ocupado por Colin. Mas não se preocupem, há diversas práticas sexuais e bem explícitas neste drama gay, onde um homem se deixa subjugar por outro, num jogo sado-maso que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis. Diria que é um filme forte, corajoso, que julgo não deixará ninguém indiferente. 

Nos papéis principais, Harry Melling (que entrou nos Harry Potters) é uma revelação como Colin e Alexander Skarsgård é um deus sexual capaz de despertar o guloso que há em nós. Decididamente, não é um filme para mentes fechadas.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

 

PROJETO HAIL MARY (PROJECT HAIL MARY) de Phil Lord & Christopher Miller

Um professor de ciências, Ryland, acorda sozinho numa nave especial, cuja missão é descobrir algo que salve o nosso moribundo sol e outras estrelas; mas não está sozinho, uma nave extra-terrestre com a mesma missão, intercedo-o e trava conhecimento com o seu estranho habitante, Rocky

Verdade, ao princípio dei muitas cabeçadas e pensei que o filme ia ser uma estopada, mas Ryan Gosling consegue segurar a coisa e lá despertei para esta aventura de ficção-científica, com bons efeitos especiais. O aspecto mais interessante é a amizade que se cria entre o Ryland e Rocky, sendo a relação deles o coração do filme. 

Sim, por vezes roça o inverossímil, mas isso não importa. Gosland é a alma do filme e prova que até com uma rocha ele consegue ter química (veio-me à memória a sua relação com uma boneca insuflável em LARS AND HE REAL GIRL). 

Classificação: 6 (de 1 a 10)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


domingo, 5 de maio de 2024

PROFISSÃO: PERIGO (The Fall Guy) de David Leitch

Um duplo cinematográfico, que regressa ao activo depois de um acidente, é tramado enquanto tenta recuperar o amor da sua vida. Acção e comédia em dose certas, num filme que não pretende ser mais do que puro entretenimento. 

O melhor é a química irresistível entre Ryan Gosling e Emily Blunt; espero que voltem a contracenar juntos. E vivam os duplos!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


sexta-feira, 3 de maio de 2024

PEQUENAS CARTAS MALVADAS (Wicked Little Letters) de Thea Sharrock

A História: A conservadora/religiosa Edith começa a receber cartas altamente insultuosas, supostamente da autoria da sua jovem vizinha Rose, e torna-se numa espécie de mártir. Entretanto, Rose é acusada pela autoria das cartas e levada a tribunal, enquanto aguarda julgamento, outras pessoas da pequena localidade onde vivem começam também a receber cartas maldosas.

O Elenco: Olivia Colman é simplesmente fantástica como Edith, provando ser uma das melhores a mais versáteis actrizes da sua geração, e Jessie Buckley está à sua altura. Na realidade o elenco britânico está em pleno estado de graça, com destaque também para um irritante Timothy Spall, como o pai de Edith, e Anjana Vasan, como a mulher polícia.

O Filme: Que delícia é ver uma boa comédia, recheada com uma colorida galeria de personagens e com diálogos hilariantes e muito ordinários! Baseando-se numa história verídica, a realizadora Thea Sharrock consegue envolver-nos na vida dos seus personagens, fazendo-nos sentir que fazemos parte deles e talvez por isso vamos vibrando alegremente com os acontecimentos. Sem dúvida, uma das comédias do ano!

Vale a Pena Ver? Claro! É mesmo de não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)




segunda-feira, 25 de março de 2024

A MELODIA DO MAL (The Piper) de Erlingur Thoroddsen

A História:
 Uma famosa compositora morre ao tentar destruir uma partitura, supostamente o seu último trabalho. Uma jovem e ambiciosa flautista decide recuperar e terminar essa partitura, mas depressa descobre que ouvir/tocar a música tem consequências terríveis.

O Elenco: Julian Sands, que estranhamente parecia não envelhecer, tem aqui um dos seus últimos papéis como o exigente maestro, um bocado exagerado. No papel principal, Charlotte Hope não vai mal, mas falta-lhe qualquer coisa.

O Pior do Filme: O final era completamente dispensável e corta a atmosfera criada no clímax.

O Melhor do Filme: A música de Christopher Young, que este ano já ganhou 3 prémios, é verdadeiramente misteriosa (a palavra certa é “eerie”) e envolve-nos na sua melodia assombrada.

Veredicto Final: Para variar, temos uma história mais original do que é habitual nos recentes filmes do género. Inspirado no conto folclórico “O Flautista de Hamelin”, que ficou famoso pelas mãos dos Irmãos Grimm, o realizador/argumentista consegue criar uma atmosfera que me fez lembrar o cinema de Dario Argento, com bons momentos de tensão. Pena que o elenco não seja melhor e que a sequência final do concerto não vá mais longe, mesmo assim transmite-nos uma sensação desagradável. Podia ter sido um grande filme de terror, mas merece a atenção dos fãs do género.

Classificação: 5 (de 1 a 10)




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

VIDAS PASSADAS (Past Lives) de Celine Song

A História: Nora e Hae Sung eram os melhores amigos quando eram crianças, mas quando ela deixou a Coreia perderam o contacto. Anos depois reencontram-se na internet reatando a amizade. 12 anos mais tarde Nora, casada e a viver em New York, recebe a visita de Hae Sung, trazendo todo um passado e dezenas de ‘ses’ às suas vidas.

O Elenco: A química entre Greta Lee (Nora) e Teo Yoo (Hae Sung) é imediata e John Magaro como o perdido marido de Nora não tem hipótese de combater a mesma, independentemente do que esta possa significar. Os três actores são excelentes, criando empatia conosco.

O Pior do Filme: Tenho que confessar que as cenas iniciais de troca de emails me deram um pouco de sono.

O Melhor do Filme: A sequência em que Nora e Hae Sung se reencontram no Central Park.

Veredicto Final: Este drama intimista, realizado com sensibilidade e humor por Celine Song, por vezes um pouco incómodo (a cena do bar com o marido presente), faz-nos pensar nas nossas vidas e como às vezes mesmo uma pequena coisa a pode alterar para sempre. Entre silêncios e diálogos muito bem escritos, é um filme contemplativo que recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




sábado, 3 de fevereiro de 2024

POBRES CRIATURAS (Poor Things) de Yorgos Lanthimos

A História: O corpo de uma mulher que acaba de se suicidar vai parar às mãos de um brilhante cientista, que lhe dá nova vida como Bella Baxter. Ela depressa se transforma numa mulher curiosa, com vontade de descobrir o mundo e todas as suas possibilidades.

O Elenco: Perfeito! Este é o adjectivo que melhor define o fabuloso elenco deste filme. Willem Dafoe, Ramy Youssef e Kathryn Hunter não podiam estar melhores com o cientista, seu assistente e a Madame de uma “casa de meninas”. Depois temos um surpreendente Mark Ruffalo num papel em como nunca o vimos. Mas Emma Stone é a alma e o coração desta estranha comédia dramática, sendo simplesmente extraordinária e inesquecível.

O Pior do Filme: O que tenho eu a apontar a este filme... bem, os animais que povoam a casa e o jardim do cientista são demasiado CGI para o meu gosto.

O Melhor do Filme: Tanta coisa para escolher, desde a melhor forma de como comer um pastel de natal (o meu bolo favorito), os encontros sexuais na casa da Madame... mas o diálogo entre Bella e Martha (Hanna Schygulla) quando se conhecem no barco é divinal!

Veredicto Final: Para mim este é já um dos grandes filmes do ano e o melhor do realizador Yorgos Lanthimos (THE FAVORITE, THE LOBSTER e THE KILLING OF A SACRED DEER). É difícil definir o género em que se define, mas diria que comédia surrealista, inspirada por FRANKENSTEIN de Mary Shelley, lhe assenta que nem uma luva. Visualmente brilhante e sexualmente desenvergonhado, capta a nossa atenção da primeira à ultima imagem, levando-nos numa viagem inesquecível onde tudo pode acontecer e todos os nossos sentidos estão em alerta. Claro que as cenas passadas em Lisboa têm uma especial importância para nós, uma Lisboa de fantasia, mas com a alma certa. Para mim merece todos os Óscares para que está nomeado, mas não acredito que a Academia de Hollywood tenha “tomates” para lhe dar alguns. A não perder!

Classificação: 9 (de 1 a 10)







O FALSIFICADOR (Der Passfälscher) de Maggie Peren

A História: Cioma Schönhaus é um jovem judeu a viver na Alemanha Nazi, e vai escapando à Gestapo graças à sua habilidade de mentiroso; entretanto, o seu talento para falsificar passaportes, salva a vida a muitos.

O Elenco: No papel principal, Louis Hofmann consegue ser irritante e emotivo, acabando por captar a nossa empatia. É bem secundado por uma interessante galeria de personagens onde se destacam Jonathan Berlin como o seu amigo Det Kassriel (que me pareceu estar apaixonado por ele), Luna Werdler como a sua namorada Gerda e Nina Gummich como a senhoria dura mas de bom coração.

O Pior do Filme: O nunca sentirmos que a vida de Cioma possa estar mesmo em risco e isso não tem a ver com o facto de se tratar de uma história verídica.

O Melhor do Filme: A cena no restaurante onde Cioma vê o seu amigo Det a ser interrogado por um Nazi.

Veredicto Final: Baseado na biografia de Cioma Schönhaus, é mais uma viagem a um passado negro da história, que infelizmente parece querer repetir-se mudando apenas os protagonistas, onde o facto de se ser judeu era só por si motivo para se ser eliminado. Curiosamente, o seu herói é tudo menos isso; ele é um habilidoso mentiroso que parece viver sem medo e é acima de tudo um sobrevivente. Talvez por isso falta ao filme mais emoção e os momentos de grande tensão não nos afligem muito, mas segue-se com interesse e sempre gostei de histórias desta época.

Classificação: 5 (de 1 a 10)