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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

ZONA DE INTERESSE (The Zone of Interest) de Jonathan Glazer

A História: O comandante de Auschwitz, a sua mulher e filhos levam uma vida normal numa casa e jardim que ficam paredes meias com o campo de concentração.

O Elenco: Não é fácil simpatizar com os personagens, apesar das boas interpretações de Christian Friedel e Sandra Hüller.

O Pior do Filme: O ritmo demasiado arrastado para o meu gosto e os primeiros minutos sem imagem não contribuíram para me conquistar.

O Melhor do Filme: A forma casual como é tratado o que se passa no campo de concentração, principalmente quando numa chamada telefónica o marido fala à mulher que têm que pensar na melhor forma de gazearem os prisioneiros.

Veredicto Final: É estranho vermos como uma família normal parece não se importar nada com o que se passava em Auschwitz, tendo mesmo a vida que têm graças a isso mesmo.  Na realidade, a sequência da exposição no museu, prolonga esse tratamento banal dos acontecimentos. É um filme que deixa um sabor amargo na boca.

Classificação: 5 (de 1 a 10)



 

terça-feira, 25 de abril de 2017

O JARDIM DA ESPERANÇA (The Zookeeper’s Wife) de Niki Caro

A História: Em Varsóvia, durante a perseguição dos Nazis aos judeus, Antonina e Jan Zabinski, os donos do jardim zoológico local, ajudam vários judeus a escapar às garras dos Nazis.

Os Actores: A grande Jessica Chastain, que este ano já nos brindou com a sua inesquecível interpretação em MISS SLOANE, está de regresso para voltar a iluminar o ecrã com a sua beleza e talento natural. Chastain é daquelas actrizes que faz parecer que não é necessário esforço para dar vida às personagens. Ela é, sem dúvida, a melhor coisa deste drama e, com excepção de Daniel Brühl como o “mau” da fita, o restante elenco não está à sua altura.

O Filme: Baseado numa história verídica e numa altura em que nos chegam notícias sobre homossexuais que são postos num campo de concentração na Chechénia e em que a religião das Testemunhas de Jeová é proibida na Rússia, este filme recorda-nos o flagelo que foi o Nazismo. Não devemos esquecer que o Nazismo começou com pequenas perseguições, que pareciam inconsequentes e que se transformaram naquilo que a História nos conta. A realizadora Niki Caro pega na história dos Zabinski e dá-nos uma visão mais intimista da perseguição aos judeus, mas acho que posso dizer que o faz de uma forma algo ligeira. O filme tem momentos dramáticos, daqueles capazes de pôr o público a chorar, mas confesso que as cenas que mais mexeram comigo foram as que envolvem os animais. Acho que nunca tinha pensado em como terá sido a vida de animais encarcerados numa cidade a ser bombardeada e acreditem que me fez muita impressão. Para mim, o problema deste filme, com o qual não fui capaz de me sentir emocionalmente muito envolvido, é que a história dos Zabinski, apesar dos perigos reais que viveram, é muito delicodoce, falta mais dramatismo à mesma e talvez um lado mais negro que contrastasse com a bonita fotografia de Andrij Parekh.

Classificação: 5 (de 1 a 10)



domingo, 8 de novembro de 2015

007 SPECTRE – Sam Mendes

A História: Bond (Daniel Craig) anda a tentar desvendar quem está por detrás de uma poderosa e perigosa organização. Ao mesmo tempo, querem acabar com os serviços secretos de que ele faz parte.

O Melhor: A hilariante sequência no México, durante as celebrações do Dia dos Mortos.

O Pior: É estranho que um dos pontos-chave do argumento, o encerramento dos serviços secretos ingleses, seja muito semelhante ao do último filme da série MISSION IMPOSSIBLE.

Os Actores: Daniel Craig, em termos de talento, é o melhor de todos os James Bonds e aqui recupera o humor do personagem e fá-lo muito bem. Léa Seydoux é a sua sexy e bonita parceira, simplesmente fabulosa na sequência do comboio onde me trouxe à memória Lana Turner. Com o mau da fita Christoph Waltz, um pouco mais comedido do que é costume, não foge ao seu estilo habitual. Monica Bellucci continua a ser uma “bomba” e Ralph Fiennes, Ben Whishaw, Naomie Harris e Andrew Scott dão-nos interpretações sólidas.

O Filme: Desta vez Sam Mendes optou por nos dar um 007 menos sério e o resultado é capaz de ser dos melhores de toda a série. Há um gozo declarado que faz mover a acção sem tempos mortos, com um ritmo acelerado e suspense quanto baste. As cercas de duas horas e meia que o filme dura, passam sem se dar por isso e saímos do cinema satisfeitos.

Classificação: 7 (de 1 a 10) / Para verem uma galeria de posters deste filme cliquem aqui.

domingo, 26 de outubro de 2014

DUAS VIDAS (Zwei Leben) de George Maas e Judith Kaufmann

Com a queda do Muro de Berlim, Katrine, filha de uma norueguesa e de um alemão nazi, vê-se confrontada com um passado obscuro que preferia esquecer e que coloca em causa a vida que construiu com a sua família.

Não há nada como uma boa história para me prender a atenção. Quando esta é bem contada e bem representada melhor ainda. É isso que acontece com esta drama com contornos de thriller, que nos dá um retrato cativante de uma mulher confrontada com uma verdade escondida e da sua relação com aqueles que a rodeiam. Sem necessidade de grande dramatismo ou lamechices, os realizadores George Maas e Judith Kaufmann, dão-nos um filme sem pontos mortos, onde o nosso interesse está sempre desperto e damos por nós a torcer pela sua protagonista.

No papel principal, Juliane Köhler dá-nos uma interpretação brilhante; conseguindo criar empatia connosco, mesmo quando pomos em causa algumas das suas acções. A seu lado, como a sua mãe, Liv Ullmann continua uma senhora actriz e uma que soube envelhecer. O sexy Ken Duken, vai bem como o jovem advogado que, com as melhores intenções deste mundo, vai abanar a vida de Katrine.

Confesso que não tinha conhecimento dos factos que inspiraram este história, mas a verdade é que os nazis nunca param de me surpreender pela negativa. Uma boa e forte surpresa que espero não passe despercebida do grande público. Classificação: 7 (de 1 a 10)


domingo, 20 de janeiro de 2013

00:30 HORA NEGRA (Zero Dark Thirty) de Kathryn Bigelow


Após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001, caçar Osama Bin Laden tornou-se uma verdadeira obsessão para os americanos. Entre estes, está Maya, uma jovem da CIA que está disposta a ir até ao fim para eliminar Bin Laden.

O famoso título anterior de Kathryn Bigelow, THE HURT LOCKER, deixou-me completamente indiferente e nunca percebi o motivo do seu grande sucesso. Agora ela está de volta com um novo thriller de guerra e desta vez conseguiu convencer-me.

O filme relata de forma eficiente os diversos passos que levaram à captura (leia-se morte) de Bin Laden, sem esconder factos como a tortura de prisioneiros pelos americanos, algo que mostra de forma brutal e sem medos. Há um crescendo de tensão ao longo de todo o filme, que culmina num emocionante clímax.

O elenco, recheado de caras conhecidas, é liderado por Jessica Chastain, que apesar de não ter aqui o seu melhor trabalho, dá-nos uma interpretação sóbria e sensível que, tudo indica, poderá ser reconhecida nos Óscares.

Outro bom filme, para este novo ano cinematográfico. Classificação: 7 (de 1 a 10)