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sábado, 4 de julho de 2026

MAGALHÃES (MAGELLAN) de Lav Diaz

Sabem, aqueles filmes que ao fim de dois minutos já sabemos que vai ser chato e desinteressante? Pois é este o caso e, durante as quase três horas de filmes, fui várias vezes tentado a desistir, mas estava fresquinho dentro da sala e fui ficando.

Os Descobrimentos Portugueses são ricos em histórias que poderiam dar grandes filmes, e acho que foi isso que eu fui à procura neste MAGALHÃES. Sim, conta-nos mais ou menos a história de Fernão Magalhães na sua última grande viagem. Mas fá-lo de forma demasiado parada, sem espírito de epopeia, aventura ou drama. Presumo que não era isso que interessava ao realizador Lav Diaz.

O que temos aqui é um filme (demasiado longo e parado) sobre os horrores do colonismo e, só no final, é que percebi que o assunto não era propriamente o Magalhães, mas sim a conquista da liberdade por parte de um escravo.

Perdoem-me, mas o elenco é muito mau e nem o geralmente excelente Gael García Bernal se safa. Julgo que lhe devem ter pago muito bem para aceitar o papel. Mas o problema deve ser meu, pois o filme até não está nada mal cotado no IMDb. Por isso, vão ver por vossa conta e risco.

Classificação: 1 (de 1 a 10)




quarta-feira, 3 de junho de 2026

MOTHER MARY de David Lowery

A estrela pop Mother Mary, está prestes a regressar aos palcos, mas para isso necessita de um vestido super especial. Visita então a sua velha amiga e designer de moda, Sam Anselm, a fim de estar lhe fazer o vestido. Mas entre elas existem coisas por resolver e algo de estranho parece assombrar ambas.

Aqui está um filme difícil de classificar; eu diria que é um drama com contornos fantásticos, mas também pode ser visto como algo de psicadélico. Seja lá o que for, tem uma premissa interessante, mas o seu ritmo lento deu-me um bocado de sono e ainda dei umas “cabeçadas”. Plasticamente é muito bonito, mas falta-lhe qualquer coisa... é como se a ideia tivesse lá, mas não sabiam muito bem o que fazer com ela. Nunca é suficientemente dramático e a parte fantástica é deliberadamente artificial, nunca explicada (o que me agradou).

O melhor é mesmo é o “duelo” entre as duas protagonistas, com Anne Hathaway em grande forma, demonstrando a sua grande versatilidade, e Michaela Coel uma verdadeira revelação. 

Se estão à procura de algo diferente, este filme poderá ser para vocês... eu não fiquei convencido. Mas adoro o cartaz com a Mother Mary a cair acompanhada por uma faixa de tecido vermelho...

Classificação: 4 (de 1 a 10)




terça-feira, 2 de junho de 2026

STAR WARS: THE MANDALORIAN AND GROGU de Jon Favreau

O Mandalorian e o Grogu têm como missão resgatar o filho de Jabba the Hutt e entregá-lo aos seus tios, com o fim destes revelarem a identidade de um membro do antigo Império. Mas depressa percebem que há mais em jogo...   

Prontos para mais um filme da interminável saga do STAR WARS? Estejam ou não, aqui está mais um, este “nascido” da série de televisão THE MANDALORIAN. Se, como eu, são fãs da série, acho que vão gostar deste filme, que na realidade é como se fosse um episódio longo da mesma. 

O universo do STAR WARS está cá todo, com a eterna ameaça do Império (já não há paciência) a pairar no ar. Confesso que, por momentos, pensei que iria ser mais uma politiquice, mas o realizador Jon Favreau optou pelo espírito da aventura e disso eu gosto. 

Temos muitas criaturas, naves, perseguições, porrada, explosões... nada de novo, mas é bom para entreter. O melhor é a sequência (com os dois protagonistas praticamente sozinhos) passada na floresta do planeta onde vivem os Hutt.

Pedro Pascal é sempre bom de se ver, Sigourney Weaver é sempre bem-vinda, mas ambos são ofuscados pelo pequeno Grogu.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



domingo, 31 de maio de 2026

MAIS FORTE QUE EU (I SWEAR) de Kirk Jones

O jovem John Davidson é diagnosticado com o síndrome de Tourette, uma desordem neurológica (tiques, espasmos e linguagem obscena descontrolada) não compreendida ou aceite por sua família e pessoas no geral. Com a ajuda de Dottie, mãe de um ex-colega de escola, ele aprende a lidar com o problema e começa a ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo e a lutar para que este seja compreendido por todos.

Baseado na história verdadeira de John Davidson, é um drama que nos fala, ou melhor, nos ensina sobre o síndrome de Tourette e as suas consequências na vida de quem vive com ele. Felizmente, o realizador/argumentista Kirk Jones não cai na armadilha do filme didáctico ou lamechas. Com humor e sensibilidade, conquista a nossa simpatia e tenta abrir a nossa mente para que sejamos mais tolerantes perante o que não desconhecemos.

No papel principal, Robert Aramayo é uma revelação; não é propriamente um personagem simpático, mas depressa cria empatia connosco e é brilhante, ao ponto de por vezes interrogar-me se ele sofreria deste problema. A seu lado, Shirley Henderson é a maternal Dottie e Shirley Henderson a sofrida mãe de John. Aconselho a verem, e preparem-se para derramar uma lágrima ou duas.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




segunda-feira, 11 de maio de 2026

MINHA QUERIDA SEÑORITA (MI QUERIDA SEÑORITA) de Fernando González Molina

Esta nova versão de um filme espanhol de 1972, que foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta-nos a história de Adela. Uma jovem mulher, que sempre sentiu que havia algo de estranho com ela; um dia, contra a vontade da sua mãe, consulta um ginecologista e descobre que nasceu intersexo, que a sua família optou por ela ser do sexo feminino e esconder-lhe esse facto. Revoltada, procura uma nova vida e tentar aceitar-se a si própria.

Acredito que, em 1972 esta história deve ter causado bastante polémica, hoje duvido que o faça. O realizador dá-nos um retrato carinhoso, talvez demasiado simplicista, sobre uma pessoa a tentar descobrir qual a sua verdadeira identidade. É fácil criar empatia com Adela e antipatia com a sua mãe, mas a sua relação nunca chega a ser devidamente dramatizada e o filme perde um pouco por isso. Depois, a interessante galeria de personagens queer que rodeiam Adela, incluindo um padre muito sexy (Paco León) e um interesse amoroso (Anna Castillo), é toda muito positiva… ou seja, gostaria que o filme fosse mais dramático, mas mesmo assim gostei.

No papel principal, Elisabeth Martínez (que, tal como a sua personagem, também é intersexual) tem aqui a sua estreia cinematográfica e vai bem no seu papel. O restante elenco, tem o talento e a naturalidade a que os actores espanhóis nos habituaram.

Um filme interessante, sobre um assunto raramente abordado.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


domingo, 3 de maio de 2026

MICHAEL de Antoine Fuqua

Dos primeiros anos da vida de Michael Jackson até à sua fama mundial, este drama musical biográfico é, na minha opinião, demasiado insonso. Com excepção da relação intensa com o seu pai (um forte Colman Domingo), é tudo muito cor-de-rosa e isso irritou-me. Claro que ficou muito por contar e penso que, numa possível sequela, o lado escandaloso da sua vida nos seja revelado. 

Fica-nos a sua música e alguns excelentes momentos musicais, nos quais Jaafar Jackson brilha como bailarino (o moço é dobrado com a voz do seu tio). Se são fãs do Michael e da sua música, este filme não vos vai decepcionar.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


A MÚMIA DE LEE CRONIN (LEE CRONIN’S THE MUMMY) de Lee Cronin

Esqueçam a múmia do Boris Karloff, Christopher Lee, Brendan Fraser e Tom Cruise, este nada tem a ver com as múmias desses filmes; o espírito aqui é na linha do EVIL DEAD RISE (também dirigido por Lee Cronin). Uma miúda americana é raptada no Cairo e reaparece oito anos depois dentro de um túmulo, envolta em ligaduras; o que não sabem é que dentro dela está um terrível demónio desejoso de se soltar. 

Se gostam de filmes de terror sujos, peganhentos e doentios, este é um bom exemplo do género. Acho que não tinha necessidade de ser tão longo e Jack Reynor como o pai da criança não me convenceu, mas mesmo assim deixei-me levar por este pesadelo e tem algumas boas cenas (o funeral da avó é muito bom).

Classificação: 6 (de 1 a 10)


MÁQUINA BÉLICA (WAR MACHINE) de Patrick Hughes

Um grupo de recrutas parte para o exercício final do seu curso, mas acabam por enfrentar uma máquina vinda de outro planeta que quer dar cabo deles todos. 

Com suspense e carnificina quanto baste, este filme de acção é isso mesmo; sem qualquer tipo de pretensões, temos muitas explosões, muitos mortos e um herói (Alan Ritchson) com um passado dramático. Dentro do género não vai mal e cumpre o seu objetivo de entreter. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)


O MONTE DOS VENDAVAIS (WUTHERING HEIGHTS) de Emerald Fennel



















Nova versão do clássico de Emily Brontë, sobre a paixão possessiva/obsessiva entre Cathy e Heathcliff. Em termos visuais o filme é por vezes deslumbrante e artificial, mas isso não é o suficiente para esta história de amor. 

O principal é mesmo a química entre os protagonistas, mas não senti muito isso entre Margot Robbie e Jacob Elordi; na realidade há mais química entre Elordi e Alison Oliver (como Isabella). 

Achei o filme um pouco arrastado e não me arrebatou; falta-lhe paixão.

Classificação: 5 (de 1 a 10)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


domingo, 5 de maio de 2024

DUPLA OBSESSÃO (Mothers’ Instinct) de Benoît Delhomme

Um bom thriller com cheirinho a Hithcock, onde a amizade de duas mães é posta à prova quando o filho de uma delas morre. Uma é manipuladora, a outra psicótica, ou será ao contrário? 

Um verdadeiro duelo de duas excelentes actrizes, Anne Hathaway e Jessica Chastain (uma perfeita loira Hithcockiana), em plena posse dos seus grandes talentos. Sem spoilers, só gostava que a confrontação final fosse mais forte, mas fez-me lembrar os filmes da Bette Davis e Joan Crawford, entre outras. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

 

terça-feira, 9 de abril de 2024

HOMEM MACACO (Monkey Man) de Dev Patel

A História: Kid (Dev Patel) procura vingar-se daqueles que fizeram mal à sua família e aos pobres do país. A coisa corre mal à primeira, mas depois de um retiro espiritual, ele volta e ganha mais confiança para proceder à sua vingança.

O Elenco: Dev Patel é um bom actor, com provas dadas em vários filmes, mas aqui é uma pobre imitação de Keanu Reeves como John Wick e não me convenceu como vingador, apenas com duas expressões faciais: medo e raiva. O pior é que a culpa é só dele, pois dirige-se a ele próprio.

O Filme: Diria que isto é um projecto de vaidade para Dev Patel que, para além de interpretar o papel principal, faz a sua estreia na realização de longas-metragens, sendo o responsável pela história e é um dos seus produtores. A tentativa de fazer um JOHN WICK à indiana não resulta, pois falta a forte componente visual dessa série e aqui as cenas de porrada são gratuitas e sem graça. A tentativa de dar um lado espiritual à coisa perde-se no meio da violência. Não gostei.

Vale a Pena Ver? Perfeito para quem gosta de porrada, mais porrada, Dev Patel, porrada, mais porrada, Dev Patel...

Classificação: 3 (de 1 a 10)




segunda-feira, 25 de março de 2024

A MELODIA DO MAL (The Piper) de Erlingur Thoroddsen

A História:
 Uma famosa compositora morre ao tentar destruir uma partitura, supostamente o seu último trabalho. Uma jovem e ambiciosa flautista decide recuperar e terminar essa partitura, mas depressa descobre que ouvir/tocar a música tem consequências terríveis.

O Elenco: Julian Sands, que estranhamente parecia não envelhecer, tem aqui um dos seus últimos papéis como o exigente maestro, um bocado exagerado. No papel principal, Charlotte Hope não vai mal, mas falta-lhe qualquer coisa.

O Pior do Filme: O final era completamente dispensável e corta a atmosfera criada no clímax.

O Melhor do Filme: A música de Christopher Young, que este ano já ganhou 3 prémios, é verdadeiramente misteriosa (a palavra certa é “eerie”) e envolve-nos na sua melodia assombrada.

Veredicto Final: Para variar, temos uma história mais original do que é habitual nos recentes filmes do género. Inspirado no conto folclórico “O Flautista de Hamelin”, que ficou famoso pelas mãos dos Irmãos Grimm, o realizador/argumentista consegue criar uma atmosfera que me fez lembrar o cinema de Dario Argento, com bons momentos de tensão. Pena que o elenco não seja melhor e que a sequência final do concerto não vá mais longe, mesmo assim transmite-nos uma sensação desagradável. Podia ter sido um grande filme de terror, mas merece a atenção dos fãs do género.

Classificação: 5 (de 1 a 10)




terça-feira, 12 de março de 2024

CULPADO - INOCENTE - MONSTRO (Kaibutsu / Monster) de Kore-eda Hirokazu

A História: Uma mãe procura respostas que justifiquem o comportamento estranho do seu filho Minato, que tudo indica ser vítima de actos de violência por parte de um dos seus professores

O Elenco: Sakura Andô é muito boa como a mãe preocupada e Eita Nagyama vai muito bem como o professor suspeito. Mas o filme pertence, por direito, a Soya Kurokawa como Minato e Hinata Hiiragi como seu amigo Yori.

O Pior do Filme: O facto de poder passar despercebido nos nossos cinemas e poder ser ignorado pela comunidade Queer.

O Melhor do Filme: A cena na sala de música entre Minato e a diretora da escola é um momento comovente e cheio de significado, que culmina com a frase “If only some people can have it, that’s not happiness. That’s just nonsense. Happiness is something anyone can have” (Se apenas algumas pessoas a podem ter, então não é felicidade. É apenas um disparate. Felicidade é algo que todos podem ter.)

Veredicto Final: O argumento da autoria de Yûji Sakamoto, justamente premiado com o prémio de Cannes nessa categoria, está muito bem construído, mostrando-nos três perspectivas da mesma história. Primeiro (CULPADO) pelo lado de uma mãe preocupada que condena um professor; segundo (INOCENTE) pelo lado de um professor culpado de algo de que provavelmente não tem culpa; terceiro (MONSTRO) pelo lado de uma criança que sente que não é igual aos outros. Pegando nestas três perspectivas, o realizador Kore-eda Hirokazu dá-nos um drama humano com tons de thriller, que nos cativa, sensibiliza e, por vezes, nos comove.

O facto do filme ter ganho em Cannes a Queer Palm, revela que no seu âmago estamos perante uma história sobre a descoberta de sentimentos supostamente pouco normais, que leva a que os miúdos achem que possam ser uns monstros. Mas é uma bonita história sobre amizade e aprendermos a ser quem somos. Recomendo.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




segunda-feira, 4 de março de 2024

MILAGRE (Miracol) de Bogdan Groege Apetri

A História: Uma noviça esgueira-se do seu convento para ir a uma consulta ao hospital, bem como para ir à procura de um homem. No regresso ao convento é violentada e violada e cabe a um inspector da polícia provar quem é o culpado.

O Elenco: Ioana Bugarin é a bonita e expressiva noviça e Emanuel Parvu o irritável e bruto inspector, ambos estão bem nos seus papéis.

O Pior do Filme: Tenho que confessar, sem querer revelar o final, que não percebi muito bem qual o milagre a que o título se refere... julgo que tem a ver com uma imagem que o detective vê no rio depois de um acto de violência...

O Melhor do Filme: A presença luminosa de Ioana Bugarin.

Veredicto Final: Dividido em duas partes distintas, sendo a primeira a “jornada” da noviça e a segunda a investigação policial, falta emoção ao filme. Não entendi muito bem por que razão a polícia tem dúvidas quanto à identidade do criminoso e achei a sequência junto ao lugar do crime, entre o inspector e o criminoso, um pouco forçada e pouco credível. Mas gostei da primeira parte, talvez pela presença cativante da noviça e por se sentir que algo vai acontecer, com um ligeiro indício de uma força sobrenatural (o estranho vento nas árvores onde ela muda de roupa pela primeira vez). Também achei interessante a ligação que depois se faz entre ela e o inspector.

Classificação: 4 (de 1 a 10)




quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

MEAN GIRLS de Arturo Perez Jr. & Samantha Jayne

A História: Cady vai para uma nova escola onde é “adoptada” pelas insuportáveis Plásticas lideradas pela cabra Regina; mas quando se apaixona pelo ex desta sofre as consequências, até que se decide vingar.

O Elenco: Um talentoso grupo de adolescentes dão vida aos estudantes desta comédia musical, com natural destaque para Reneé Rap como Regina e, principalmente, Auli’i Cravalho como Janis.

O Pior do Filme: As canções são muito fraquinhas, parecem todas iguais, faltam alguns números do musical da Broadway e a coreografia é pobrezinha.

O Melhor do Filme: As cenas com as amigas parvas da Regina.

Veredicto Final: Julgo que vi a versão original deste filme faz já muitos anos e pouco me lembro do mesmo, mas não vi o musical de teatro. O filme é divertido, ao mesmo tempo que é cauteloso em termos do politicamente correcto, o que por vezes chateia... apetecia-me que fosse mais irreverente e maluco. Mas fez-me rir e sair bem disposto do cinema, o que é sempre uma mais valia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)