Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta V. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta V. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


segunda-feira, 1 de abril de 2024

UMA VIDA SINGULAR (One Life) de James Hawes

A História: Antes do início da 2ª Guerra Mundial, Nicky Wintom, um jovem corretor inglês, consegue resgatar mais de 600 crianças de uma Checoslováquia invadida pelos Nazis.

O Elenco: Como sempre, Anthony Hopkins dá-nos uma interpretação brilhante e, neste caso, comovente. A seu lado, Helena Bonham Carter está óptima como a sua mãe.

O Filme: Depois de uma carreira na televisão, o realizador James Hawes estreia-se aqui no cinema e sim, o filme tem uma estrutura televisiva, mas isso em nada tira o impacto da história que conta. É bom saber que existiram (quero acreditar que ainda existem) pessoas como NIcky Winton e a sua história comoveu-me até às lágrimas, na realidade estive com um nó na garganta praticamente o filme todo.

Vale a Pena Ver? Não conhecia esta história, mas acho que é de visão obrigatória nos tempos que correm, em que parece que a História se repete e que as nossas liberdades/vidas estão em perigo.

Classificação: 7 (de 1 a 10)




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

VIDAS PASSADAS (Past Lives) de Celine Song

A História: Nora e Hae Sung eram os melhores amigos quando eram crianças, mas quando ela deixou a Coreia perderam o contacto. Anos depois reencontram-se na internet reatando a amizade. 12 anos mais tarde Nora, casada e a viver em New York, recebe a visita de Hae Sung, trazendo todo um passado e dezenas de ‘ses’ às suas vidas.

O Elenco: A química entre Greta Lee (Nora) e Teo Yoo (Hae Sung) é imediata e John Magaro como o perdido marido de Nora não tem hipótese de combater a mesma, independentemente do que esta possa significar. Os três actores são excelentes, criando empatia conosco.

O Pior do Filme: Tenho que confessar que as cenas iniciais de troca de emails me deram um pouco de sono.

O Melhor do Filme: A sequência em que Nora e Hae Sung se reencontram no Central Park.

Veredicto Final: Este drama intimista, realizado com sensibilidade e humor por Celine Song, por vezes um pouco incómodo (a cena do bar com o marido presente), faz-nos pensar nas nossas vidas e como às vezes mesmo uma pequena coisa a pode alterar para sempre. Entre silêncios e diálogos muito bem escritos, é um filme contemplativo que recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




segunda-feira, 20 de março de 2023

A VOZ DAS MULHERES (Women Talking) de Sarah Polley

Um grupo de mulheres que vivem numa comunidade religiosa e isolada, têm pouco tempo para decidirem o que fazer em relação aos homens da comunidade, os quais lhes batem e violam. Têm três opções: não fazer nada, ficar e lutar ou então partir dali para fora.

Inspirado numa história real, este drama cinzento e pesado, é acima de tudo um denso retrato psicológico de um grupo de mulheres que são obrigadas a pensar por si próprias e, pela primeira vez nas suas vidas, a tomar uma decisão. A realizadora Sarah Polley consegue evitar as armadilhas emocionais a que a história se prestava, mas ao mesmo tempo não me conseguiu envolver emocionalmente com a história destas mulheres. Por vezes o filme torna-se monótono e um pouco irritante com os seus cânticos religiosos. Acho que nunca vou entender por que é que tantas pessoas se deixam subjugar pela religião e aceitarem tudo em nome de Deus com a crença que vão ser felizes no paraíso.

Quanto ao elenco, estão todas muito bem, principalmente Jessie Buckley, Claire Foy e Frances McDormand (infelizmente num pequeno mas forte papel); quanto a Rooney Mara irritou-me o seu constante sorriso à Mona Lisa.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

JORGE FOI AOS FILMES: FEVEREIRO 2023















Este Fevereiro, entre cinema e streaming vi onze novos filmes, entre eles o melhor foi o TÁR. Aqui ficam os meus apontamentos/opinião sobre os mesmos.

BATEM À PORTA (Knock at the Cabin) de M. Night Shyamalan

 Um casal e sua filha vão passar um fim de semana numa cabana no meio dos bosques. Aí são “visitados” por quatro estranhos cuja missão é salvar a Humanidade. Para que assim seja o casal tem que sacrificar um dos seus membros.

Os filmes de M. Night Shyamalan têm sempre uma grande premissa e, dependendo dos casos, um desenlace inesperado. Este seu novo filme começa muito bem, colocando-nos uma questão que nos faz pensar, seríamos capazes de sacrificarmos a nossa vida em nome da Humanidade... pior ainda, faríamos o mesmo se um grupo de possíveis fanáticos religiosos nos invadissem a casa? A grande questão com que a família sobre “ataque” se debate é se aqueles quatro estranhos estão ou não a dizer a verdade. Assim, com ambiente tenso e boas interpretações, seguimos a trama até ao final e... Bem, para mim falta-lhe qualquer coisa e não fiquei convencido.

 Classificação: 5 (de 1 a 10)

DESAPARECIDOS (Vanishing) de Denis Dercourt

Alice, uma perita forense, em Seoul para dar umas palestras, vê-se envolvida na investigação de crimes relacionados com o tráfico de órgãos.

O trailer prometia um thriller intenso, mas não é isso que o realizador Denis Dercourt nos dá e é uma pena. A história do tráfico de órgãos é interessante e há um verdadeiro senso de perigo nas ruas e corredores de Seoul, mas os personagens são um pouco frouxos, o suspense quase nulo e, sem dúvida, falta thriller a este filme.

 Classificação: 4 (de 1 a 10)

OS ESPÍRITOS DE INISHERIIN (The Banshees of Inisherin) de Martin McDonagh

Numa ilha irlandesa, onde não se faz praticamente nada a não ser beber uns copos num bar, um amigo diz ao outro que já não gosta dele e que lhe agradece que o deixe em paz, caso contrário cortará cada um dos seus próprios dedos sempre que este o incomodar.

Como é que nos sentiríamos numa situação semelhante”? É uma questão incómoda que esta comédia negra nos coloca, captando a nossa atenção entre paisagens bucólicas, bons diálogos, cenas dramaticamente humorísticas e um grupo rico de personagens que parecem não ter saída daquela vida.

Quanto aos amigos, estou certo de que cada um de nós se irá identificar com um deles. Pádraic (Colin Farrell) vive a sua vida sem qualquer tipo de ambição, desejando apenas ser feliz e simpático para os outros. E Colm (Brendan Gleeson) que quer algo mais da vida, sonhando deixar um legado para a posteridade sem ser interrompido por conversas banais até o conseguir. Farrel dá-nos aqui talvez a melhor interpretação da sua carreira, provando de uma vez por todas que não é apenas uma cara bonita. A seu lado Kerry Condon e Barry Keoghan, como a irmã de Pádraic e o “tonto da vila”, são excelentes e estão todos nomeados para os Óscares, incluindo também Brendan Gleeson.

É um filme desprovido de “glamour”, que nos faz rir de coisas sérias, nos faz questionar sobre as nossas amizades e ao mesmo tempo é comovente e humano. Uma comédia amarga que é sem dúvida um dos grandes filmes deste ano!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

HOLY SPIDER de Ali Abbasi 

Uma jornalista vai até a Mashhad, uma cidade sagrada no Irão, a fim de investigar uma série de crimes em que as vítimas são prostitutas. A polícia local parece não estar muito interessada em descobrir o assassino. Este é um vulgar homem de família, que acredita estar a limpar a rua das pecadoras, tudo em nome de Deus. 

Obviamente proibido e condenado no Irão, este drama policial dá-nos um retrato negro de uma sociedade machista e religiosamente fanática. Baseado numa história real, é um filme forte que merece a atenção de todos nós. O que mais me impressionou no filme é o fanatismo religioso que leva muita gente a apoiar os actos deste psicopata, a sua família incluída; bem como a forma como as mulheres são tratadas na sociedade iraniana. Um amigo meu iraniano confirmou-me que o filme é muito realista, o que me assusta ainda mais. Eu sei que é provavelmente uma questão cultural/religiosa, mas como é possível ainda haver nos dias de hoje sociedades deste género? 

O filme é um verdadeiro murro no estômago, que não foge do grafismo dos estrangulamentos e que mexe com o nosso sistema nervoso. Zar Emir-Ebrahimi e Meddi Bajestani são excelentes como a jornalista e o assassino, respectivamente. Também é um filme que nos ajuda a colocar as nossas vidas em perspectiva, pois passamos o tempo a queixarmo-nos de tudo, mas temos muita sorte em não ter nascido e/ou viver numa sociedade como aquel. Um filme importante a não perder! 

Classificação: 7 (de 1 a 10) 

A INSPEÇÃO (The Inspection) de Elegance Bratton

Um jovem, cuja mãe não aceita a sua homossexualidade, inscreve-se nos Marines, onde vai ter que provar que é tão bom e capaz quanto os outros, enfrentando homofobia e racismo.

Baseado numa história verídica, temos aqui um drama que aborda o tema do ‘homossexualismo’, homofobia e racismo tentando evitar os clichés do género, acabando por preferir uma abordagem realista que o aproxima mais de filmes como o FULL METAL JACKET (sem a guerra) do que do cinema Queer. Jeremy Pope vai muito bem como o jovem recruta e Gabrille Union é fantástica como a sua homofóbica mãe, a melhor cena do filme é entre eles os dois. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

NA TUA CASA OU NA MINHA (Your Place or Mine) de Aline Brosh McKenna

Debbie e Peter tiveram uma noite de amor faz muito tempo e apesar de viverem em locais opostos nos Estados Unidos ficaram amigos desde então. Quando Debbie tem que ir a Nova Iorque, Peter decide ir até Los Angeles tomar conta do filho dela. Assim, ela fica na sua casa e ele na dela, com consequências que nenhum esperava... mas que nós, o publico, já prevíamos.

A nova comédia romântica da Netflix, que chegou a tempo para o Dia dos Namorados, deve ter parecido muito divertida no papel e a ideia de juntarem Reese Witherspoon com Ashton Kutcher deve ter parecido brilhante. Infelizmente, o resultado arrasta-se sem graça por cerca de duas horas desinteressantes, onde Witherspoon e Kutcher demonstram ausência de química e a galeria de personagens secundários é quase embaraçosa (pobre Steve Zahn como o “jardineiro”). Dêem-me o WHEN HARRY MET SALLY mil vezes!!!

Classificação: 1 (de 1 a 10)

ONDE O DESEJO SE ESCONDE (Brazen) de Monika Mitchell

Grace é uma famosa escritora de policiais que vai visitar a sua irmã, mas quando esta é a primeira vítima de um serial killer, ela une forças com o detective borracho que vive na casa ao lado... nisto descobre-se que a mana, uma doce professora, era conhecida noutros meios por Desiree.

Não li o best-seller de Nora Roberts, mas acredito que seja melhor que esta sua adaptação cinematográfica. Faz muito tempo que não via um filme tão mau, daqueles que acabam por nos fazer rir pelas piores razões. A história tipo “whodunit” não tem surpresas, o erotismo é nulo e o suspense não existe. Quanto ao elenco, encabeçado por Alyssa Milano, é vazio de emoções e o talento está ausente. Tem cenas e diálogos de qualidade dúbia, apenas bons para provocar gargalhadas. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 2 (de 1 a 10)

SHARPER de Benjamin Caron

O jovem dono de uma livraria apaixona-se por uma estranha e acaba vítima das vigarices desta e do seu parceiro. Entretanto ficamos a saber mais sobre a vida da estranha, do seu parceiro e da mãe deste. 

Mas que grande cambada de vigaristas e pobres daqueles que lhes caiem nas mãos! O filme começa de forma morna e parece nunca mais arrancar, mas quando damos por isso estamos embrenhados num argumento muito interessante, em que tudo é possível e nada é o que parece. Um bom elenco, com Julianne Moore em grande forma, dá vida a uma galeria de personagens que nos fazem desconfiar de todos, mesmo dos mais bonzinhos. Vale a pena deixarmo-nos enrolar por esta trama de vigaristas. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

TÁR de Todd Field

Lydia Tár é uma talentosa, obsessiva e controladora maestrina/compositora, que tem a honra de ser a primeira directora de uma grande orquestra berlinense. Devido às suas acções, paixões e à deturpação das suas palavras, vê a sua vida profissional e pessoal entrar numa espiral destrutiva.

Confesso que estava com muito receio de ir levar com um filme chato e pretensioso, algo que as primeiras imagens (o genérico final a passar no início do filme) pareciam confirmar. Mas Cate Blanchett aparece e de repente vi-me completamente absorvido pela sua personagem “maior que a vida”. É praticamente impossível desviar o olhar desta extraordinária actriz, aqui a dar-nos talvez a melhor interpretação da sua carreira (se não ganhar o Óscar é porque o politicamente correcto invadiu Hollywood e isso assusta-me).

Quanto ao filme, tanto a realização como o argumento de Todd Field são de excelente qualidade, levando-nos numa viagem emocional e empolgante pontuada com algum humor. Sim, existem uma ou duas pontas soltas (porque será que a nova protegida de Tár vive naquele estranho prédio?), mas fazem parte do universo meio esquizofrénico da mente de Tár e o final é de génio!

O filme toca também num tema muito corrente, a “cancel culture”, e fá-lo de forma incisiva, sem receios. Toda a sequência da aula dada por Tár onde um aluno diz que não toca ou ouve Bach por causa da vida íntima deste, é brilhante! Um dos grandes filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)

O URSO DO PÓ BRANCO (Cocaine Bear) de Elizabeth Banks

Ele há coincidências muito estranhas. No dia 23 de Fevereiro de 1977 estreava em Lisboa o filme GRIZZLY – O MONSTRO DA FLORESTA, onde um urso muito grande semeava a morte numa floresta. Exatamente 46 anos depois, no dia 23 de Fevereiro deste ano, estreia entre nós novo filme com um urso “assassino”. Desta vez ele descobre acidentalmente os efeitos de um carregamento de cocaína que cai “acidentalmente” na sua floresta.

Vi o GRIZZLY aquando da sua estreia e adorei; foi para mim um dos melhores filmes de terror que tinha visto até então. Este novo urso é tão violento quanto o outro, mas o suspense e o terror são substituídos por um sentido de humor por vezes hilariante. Elizabeth Banks deve ter-se divertido imenso a realizar o filme, que é muito livremente inspirado em acontecimentos reais, e deixa a sua imaginação à solta com as exageradas cenas gore; a sequência da cabana da guarda-florestal e da ambulância tem que ser vista para acreditarem. O bem escolhido elenco dá vida a um estranho grupo de personagens cujo destino está à mercê do urso.

Não é um grande filme de terror, mas é uma boa comédia, por vezes exagerada, mas com muita piada. Pode não ser aconselhável a estômagos fracos, mas provoca muitas gargalhadas e é bom para “desopilar o fígado”. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VIVER (Living) de Oliver Hermanus

Um aborrecido funcionário público, daqueles burocratas sem sentido de humor, fica a saber que tem poucos meses de vida e percebe que não viveu a sua. Decidido a recuperar o tempo perdido, falta ao trabalho e tenta encontrar alguns prazeres no tempo que lhe resta.

Não vi o original de Akira Kurosawa de que este filme é um remake, por isso não posso fazer comparações. Tal como a maioria dos seus personagens, é um filme contido, onde as emoções não vêm ao de cima e tudo acontece de forma sossegada. Num papel que lhe assenta que nem uma luva, Bill Nighy está no seu melhor, se bem que não foge do seu registo habitual, sendo bem secundado por um circunspecto elenco, onde sobressai a cor e luz de Aimee Lou Wood como Margaret. É um filme comovente, que consegue evitar a lamechice do tema, mas que nos deixa com um sabor amargo na boca. A minha vontade era começar à estalada a todos aqueles funcionários públicos... esperem lá, eu sou funcionário público. Medo!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

JORGE FOI AOS FILMES: JANEIRO 2023




No primeiro mês deste ano, vi estes novos oito filmes e aqui fica os meus apontamentos/opinião sobre os mesmos.

AMADEO de Vicente Alves do Ó

Amadeo de Souza Cardoso é um famoso pintor português e neste filme assistimos a cerca de meia dúzia de momentos da sua vida: uma refeição em família, a primeira exposição no Porto, uma festa em Paris e as consequências da gripe espanhola na sua vida.

Quando um filme é realizado e interpretado por pessoas que conhecemos e por quem nutrimos amizade, é sempre um dilema opinar sobre o mesmo, principalmente quando não se gostou. Alves do Ó é um realizador apaixonado por cinema e isso vê-se em todos os seus filmes, mas isso não chega para mim. Visualmente com coisas muitos boas, o ritmo lento (algo que raramente aprecio) com planos fixos, bonitos mas monótonos e repetitivos, desligou-me emocionalmente do filme. Fiquei decepcionado pelo facto de pouco ou nada ficarmos a saber da paixão pela pintura que acredito Amadeo tinha ou mesmo da sua obra. É uma colagem de cenas sem grande emoção e que pouco nos dizem sobre Amadeo. Para mim o melhor filme de Alves do Ó continua a ser o AL BERTO

Classificação: 3 (de 1 a 10)

BABYLON de Damien Chazelle

Hollywood, os loucos anos 20! Festas onde vale tudo e uma galeria de personagens apaixonadas pelo cinema que caminham para a sua própria perdição quando, de repente, o cinema começa a falar...

Imaginem o lado negro do SERENATA À CHUVA, que este filme muito bem homenageia, e ficam com uma boa ideia do que vos espera neste BABYLON. Droga, álcool, sexo, nudez e violência fazem tanta parte da fábrica de sonhos como todo o talento e a magia que fazem da arte do Cinema algo de inesquecível e universal! Por detrás de cada “happy ending” pode existir um pesadelo e uma ou mais vidas destruídas, mas no final tudo fica para sempre gravado num ecrã gigante que se ilumina para nos ajudar a escapar das nossas vidas reais. E viva o Cinema!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

CÃO PERDIDO (Dog Gone) de Stephen Herek

Um adolescente que não sabe o que fazer com a sua vida, arranja um cão. Mas este sofre de uma doença e tem que ser medicado periodicamente. Quando o cão se perde na floresta, ele e os seus pais fazem tudo para encontrar o cão.

Baseado numa história verídica, é uma lamechice demasiado doce, daquelas feitas para se ver numa entediante tarde de Domingo, em que não haja mais nada para fazer ou ver. Muito sinceramente, mesmo para quem gosta de animais (eu), o filme é completamente desinteressante, mas tem umas paisagens bonitas e o cão é um doce. Impróprio para diabéticos.

Classificação: 2 (de 1 a 10)

UM HOMEM CHAMADO OTTO (A Man Called Otto) de Marc Forster

Otto é um velho viúvo e rabugento, farto de viver e que faz da vida dos vizinhos um inferno. Um dia Marisol, uma emigrante mexicana, muda-se para a vizinhança com a sua família e fica debaixo do olhar desconfiado de Otto.

A versão original de origem sueca estreou por cá em 2017 e era muito boa. Confesso que temi o pior desta versão americana, mas na verdade está ao mesmo nível, se não for mesmo um pouco melhor. Cómica, comovente e muito humana, tem em Tom Hanks o actor perfeito para o papel e em Mariana Treviño a atriz certa para lhe dar troco. A sua relação é uma festa e é um daqueles “feel-good movies” que fala de coisas sérias a brincar e nos deixa com um sorriso nos lábios.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

M3GAN de Gerard Johnstone

A pequena e irritante Cady fica órfã e vai viver com a sua tia, que é praticamente casada com o seu trabalho. Acontece que ela é uma engenheira robótica que cria bonecos e decidi criar um especial para fazer companhia à sobrinha. Assim nasce M3gan, que se vai revelar uma cabra psicótica.

Quem me conhece sabe que sou um pouco fóbico com bonecos (deve haver um termo técnico para esta fobia, mas desconheço) e alguns causam-me arrepios (o palhaço do POLTERGEIST, o Chucky original e a Annabelle), mas esta M3gan causou-me risos, muitos. Se a ideia era criar uma nova e assustadora boneca para ser explorada até à exaustão em várias sequelas, não o conseguiram. Visto na perspectiva de comédia, não é mau e tem alguns crimes interessantes, mas zero de suspense e emoção. Mas vem aí uma sequela.

Classificação: 3 (de 1 a 10)

OS OLHOS DE ALLAN POE (The Pale Blue Eye) de Scott Cooper

Um jovem cadete aparece morto nas imediações do seu quartel e um detective é contratado para investigar o crime. A fim de ter um melhor conhecimento do que se passa no quartel, o detective trava amizade com o jovem cadete Edgar Allan Poe, que o irá ajudar no desvendar do mistério.

Por qualquer razão vi o nome de Poe e convenci-me que se tratava de um filme de terror de época, algo que eu adoro (saudades da Hammer), mas afinal é um policial cuja acção corre lentamente (confesso que dei umas cabeçadas), mas que tem um argumento interessante, muita atmosfera e um elenco de alto nível, com destaque para Christian Bale e Gillian Anderson.

Classificação: 5 (de 1 a 10)

PORQUINHA (Cerdita) de Carlota Pereda

Uma jovem obesa é vítima de bullying por parte das suas colegas de escola, mas quando estas são raptadas por um psicopata, decide nada dizer, criando assim uma estranha relação de cumplicidade com o raptor.

A cena mais incomodativa deste drama de terror, não são os crimes, mas sim a sequência em que a jovem é obrigada a correr pela estrada em bikini, conseguindo transmitir-nos o seu desespero e a sua vergonha. A realizadora consegue colocar-nos numa posição moralmente confusa, tal como a sua personagem, e essa é a mais-valia deste filme. Não é sobre suspense, nem crimes, mas sobre dilemas morais e a sua qualidade tem sido reconhecido em vários festivais e prémios cinematográficos, entre várias nomeações para os Goya (os Óscares espanhóis). Se gostam de filmes fortes e incomodativos, com excelentes desempenhos, não percam!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

VENECIAFRENIA de Aléx de La Iglesia

Um grupo de cinco turistas espanhóis vão até Veneza, mas os venezianos estão fartos de turistas e vêem-nos como um cancro. Pouco depois de chegarem, estes turistas são obrigados a lutar pelas suas vidas, numa Veneza em estado de festa.

Um novo filme de Álex de La Iglesia é sempre motivo de alegria para os fãs do terror. Ele não é o melhor realizador do género, mas os seus filmes são sempre visualmente fortes, com personagens interessantes, violência louca e algum suspense. Este não foge à regra e vi-o com agrado, se bem que esperava mais de La Iglesia, mas aconselho aos fãs do género e, na realidade, Veneza é uma cidade onde é fácil desaparecermos. O melhor do filme é o genérico de abertura, a fazer lembrar as BD de terror dos anos 70 que eu lia quando era adolescente.

Classificação: 5 (de 1 a 10)


sábado, 10 de dezembro de 2022

JORGE VAI AOS FILMES: CHUVA DE FILMES









Nestas últimas semanas tenho visto muitos filmes, 10 no total, tanto no cinema como em casa. Para não vos deixar aqui um longo, longo, longo, testamento, vou-me debruçar de forma simples sobre alguns deles. Começo pelo meu preferido dos dez - O MENU!











O MENU (The Menu) de Mark Mylod – um grupo de ilustres clientes vão ter a refeição das suas vidas numa ilha isolada, mas não estão preparados para o que os espera. Temos aqui um requintado filme de terror servido com um delicioso humor negro, onde depressa percebemos que tudo pode acontecer, por vezes com resultados que podem chocar. Ralph Fiennes e Anya Taylor-Joy são super apetitosos e recomendo o filme a todos os que apreciam um bom “prato” cinéfilo! – Classificação: 8 (de 1 a 10)











BLACK PANTHER: WAKANDA PARA SEMPRE (Black Panther: Wakanda Forever) de Ryan Coogler – é oficial, estou cansado de filmes de super-heróis! Felizmente, esta sequela consegue ser, pelo menos para mim, melhor que o original e acho que resolveram bem o problema do actor  Chadwick Boseman ter falecido na vida real. O seu maior defeito é as cenas de acção serem demasiado computorizadas o que lhes retira impacto: exemplo as sequências dos ataques aos barcos. – Classificação: 6 (de 1 a 10)

ELA DISSE (She Said) de Maria Schrader – Quem haveria de dizer que o todo-poderoso Harvey Weinstein era um grande sacana, sempre pronto a aproveitar-se das jovens que trabalhavam para ele. Este filme relata a pesquisa e luta das duas jornalistas que conseguiram derrubar Weinstein e fá-lo de uma forma eficazmente documental, mas nunca perdendo o lado emocional da história. É uma pena que o que elas conseguiriam e que levou à criação do movimento #metoo tenha sido levado ao extremo. – Classificação: 7 (de 1 a 10)

CRIMES DO FUTURO (Crimes of the Future) de David Cronenberg – ao fim de muitos anos, Cronenberg volta à “carne” para gaudio dos seus fãs. Este não é o seu melhor filme, mas dá-nos uma visão diferente do futuro, onde as pessoas deixam de sentir dor e o nosso organismo vai tentando se adaptar às novas realidades. – Classificação: 6 (de 1 a 10)











UMA HISTÓRIA DE ENCANTAR 2 (Disenchanted) de Adam Shankman – adoro musicais e adoro contos de fadas, que melhor para mim que um filme que une ambas as coisas? Só que o resultado desta vez é fraco. A ideia de trazer o mundo da fantasia para o nosso é interessante, com muita coisa gira que podia acontecer, mas acaba por não ter grande graça e alguns números musicais são demasiado forçados (“Love Power” parece roubado do FROZEN). Amy Adams está bem num papel onde pode revelar duas personalidades diferentes, mas ela e o restante elenco parecem ter-se divertido mais a fazer o filme que nós a vê-lo. – Classificação: 3 (de 1 a 10)

NOITE VIOLENTA (Violent Night) de Tommy Wirkola – se gostam de comédias negras e violentas, este filme é para vocês. O Pai Natal, sim, o verdadeiro (ele existe), vai distribuir presentes a uma mansão e acaba a defender os seus habitantes de um grupo de maus da fita. Divertido e piegas, com um David Harbour em grande forma! – Classificação: 7 (de 1 a 10)

OVO (Hatching / Pahanhautoja) de Hanna Bergholm – uma miúda choca um ovo e deste saí uma estranha e agressiva criatura que começa a realizar os desejos mais escondidos dela. Para quem aprecia coisas estranhas, este colorido e bem iluminado filme de terror é uma boa aposta! – Classificação: 6 (de 1 a 10)











PEOPLE WE HATE AT THE WEDDING de Claire Scanion – tensão e humor são os principais ingredientes desta comédia, onde um grupo de personagens se vai reencontrar num casamento com resultados imprevisíveis para todos. É verdade, não é uma grande comédia, mas segue-se com agrado e Allison Janney, Kristen Bell e Ben Platt fazem-nos boa companhia. – Classificação: 6 (de 1 a 10)

SPIRITED de Sean Anders – o clássico de Charles Dickens, “A Christmas Carol”, leva uma volta de 180º nesta comédia musical, onde uma equipa de “espíritos” vai tentar mudar a atitude de mais uma alma insuportável e egoísta. Will Ferrell e Ryan Reynolds têm química para dar e vender, divertindo-nos com as suas aventuras e portando-se muito bem nos seus números musicais. Boas canções e uma realização fluída de Sean Anders fazem o resto. – Classificação: 6 (de 1 a 10)

VEJAM COMO ELES CORREM (See How They Run) de Tom George – nos bastidores da peça “The Mousetrap” é cometido um crime e cabe a um inspector alcoólico e à sua jovem assistente descobrirem o assassino; Agatha Christie e o elenco da peça vão tentar ajudar. A ideia parece genial, mas apesar da abordagem em estilo Wes Anderson do realizador Tom George, achei o filme arrastado e por vezes mesmo chato. – Classificação: 3 (de 1 a 10)