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domingo, 31 de maio de 2026

AS PROVADORAS DE HITLER (LE ASSAGGIATRICI) de Silvio Soldini

Nos anos finais da Alemanha Nazi, Rosa (cujo marido está desaparecido na guerra) e mais seis mulheres são escolhidas para provarem a comida que é servida a Hitler e assim evitarem que o mesmo seja envenenado. 

Não há dúvida, a Alemanha Nazi e a Segunda Guerra Mundial têm servido de cenário para 1001 filmes e parece que há sempre algo de novo para nos ser revelado. Não sou nem nunca fui muito dado a História, por isso desconhecia que o Hitler tinha um grupo de mulheres que provava a sua comida. O mais curioso é que estas mulheres eram alemãs como ele e não judias; talvez ele achasse, nos seus delírios da raça ariana, que o veneno que o pudesse matar não faria mal a judias. 

O filme retrata isto de forma quase casual, sendo o mais importante as relações que se criam entre as provadoras, bem como o “affair” entre Rosa (Elisa Schlott) e um oficial Nazi (Max Riemelt). Mas o que eu gostei mais, é da relação de cumplicidade que se cria entre Rosa e Elfriede (uma excelente Alma Hasun), que vem a revelar ser judia. 

Uma boa história, um bom filme!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


domingo, 3 de maio de 2026

PREDADOR DOMINANTE (APEX) de Baltasar Kormákur

A história é simples. Uma mulher vai sozinha descer uns rápidos na Austrália selvagem e acaba a ser caçada por um louco. Verdade, não há muito para dizer sobres este filme. 

Charlize Theron e Taron Egerton vão bem, as paisagens são bonitas, temos uns laivos de cinema de terror, mas na verdade é um thriller eficaz com suspense suficiente para nos manter interessados. São cerca 90 minutos intensos e bem passados.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


O RAPAZ DA ILHA AMRUM (AMRUM) de Fatih Akin

1945. Na ilha isolada de Amrum, um puto de 12 anos, que pertence à Juventude Nazi, tenta arranjar pão branco, mel e manteiga para a sua mãe; entretanto a Alemanha perde a guerra. 

Com uma fotografia belíssima, é um drama bucólico sobre uma adolescência vivida numa ilha onde quase nada acontece e onde a natureza tem uma forte presença. O que mais me despertou o interesse é a forma como a violência é mostrada de forma crua, sem qualquer tipo de rodeios, por vezes de forma incomodativa. O elenco porta-se bem, mas o pequeno Jasper Billerbeck não me conquistou. 

Classificação: 5 (de 1 a 10)


AINDA FUNCIONA? (IS THIS THING ON?) de Bradley Cooper

Um casal de meia-idade separa-se. A fim de enfrentar a sua nova vida, ele começa a fazer “stand-up comedy” e ela decide voltar ao desporto... mas será que a sua relação ainda poderá funcionar?  

Uma comédia íntima sobre um casal em crise, muito bem escrita e dirigida por Bradley Cooper, onde o principal são os actores e o casal Will Arnett & Laura Dern não podia ser melhor. Faz rir e pensar. Aconselho.

Classificação: 7 (de 1 a 10)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


domingo, 19 de maio de 2024

AINDA TEMOS O AMANHÃ (C’è Ancora Domani) de Paola Cortellesi

Na Itália, após a guerra, Delia é uma mulher que trabalha que se farta, leva porrada do marido e acha que não merece mais que isso, mas uma estranha carta pode mudar o seu futuro.

Esta comédia dramática, a fazer lembrar o neo-realismo italiano, é uma das grandes surpresas do ano e já um do melhores filmes que vi este ano. Filmado num glorioso preto e branco, com uma excelente banda-sonora, um argumento brilhante e dirigido com mestria por Paola Cortellesi, que também dá vida a Delia, é uma verdadeira delícia cinematográfica! A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)


domingo, 12 de maio de 2024

ABIGAIL de Matt Bettinelli-Olpin & Tyler Gillet

O trailer deste filme revela demasiado, mas na verdade o  assunto do filme é uma miúda bailarina que é na realidade uma vampira sedenta de sangue; claro que os seus raptores se vão arrepender de se terem metido com ela e a sua família.

A acção custa um bocadinho a arrancar, mas depois é pura diversão entre banhos de sangue e gargalhadas. O cenário é fantástico e a jovem Alisha Weir (que também entra no PEQUENAS CARTAS MALVADAS) dá-nos uma inocentemente diabólica vampira. O resto do elenco aguenta-se bem e, felizmente, ninguém se leva a sério. Os fãs do género, como eu, vão gostar!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


terça-feira, 9 de abril de 2024

AVÓ (Juniper) de Matthew J. Saville

A História: Sam é um jovem perdido e revoltado, que perdeu a mãe recentemente e cujo pai é muito ausente. Um dia a sua avó alcoólica e de mau feitio, vai passar uns tempos à sua casa e entre os dois cria-se uma interessante relação.

O Elenco: Charlotte Rampling é uma daquelas actrizes que sabe envelhecer e continua a ser brilhante; aqui dá-nos outra grande interpretação e tem uma química muito engraçada e real com o jovem George Ferrier

O Filme: Velhice e adolescência são dois problemas que aqui entram em conflito, e apesar do ritmo lento, captam a nossa atenção num desenrolar dramático, sempre pontuado com humor. O final não é nenhuma surpresa, mas as emoções dos personagens são verdadeiras e o realizador Matthew J. Saville consegue evitar os lugares comuns a este tipo de filmes.

Vale a Pena Ver? Charlotte Rampling merece sempre uma visita e o filme evita as “lamechices” a que a história se prestava.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




quarta-feira, 20 de março de 2024

AS MATINÉS DO MEDO - PARTE 4: O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes) de Robert Fuest

O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes) de Robert Fuest – GB/1971

Elenco: Vincent Price, Joseph Cotten, Virginia North, Terry-Thomas, Sean Bury, Susan Travers, David Hutcheson, Edward Burnham, Alex Scott, Peter Gilmore • Argumento: James Whiton & William Goldstein • Produção: AIP / Samuel Z. Arkoff & James H. Nicholson • Realizador: Robert Fuest

Este filme, de que também não consegui arranjar o cartaz da estreia em Portugal, foi o quarto do ciclo do Palácio Foz em Setembro de 1977. Antes vi QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo)COBRAS VENENOSAS (Sssssss)LUA VERMELHA (Asylum / House of Crazies) e, no dia a seguir, foi a vez de A LENDA DA CASA ASSOMBRADA (The Legendo of Hell House).

Em passos largos, a história era muito simples. A equipa médica responsável pela morte, durante uma cirurgia, de uma tal Victoria Phibes começa a ser assassinada segundo as pragas bíblicas do Egipto. Será que o seu marido, Dr. Phibes, que morreu nesse dia num acidente automóvel enquanto se dirigia para o hospital, é o responsável pelos crimes? Como podem imaginar pelo título, sim, é ele o responsável!

O grande trunfo deste filme será sempre a presença de Vincent Price, um dos maiores nomes do cinema de Terror e que aqui encontrou um papel à altura do seu talento. As primeiras vezes que me recordo de ter visto Price foi quando o A MOSCA (The Fly) original passou na televisão e, também no Palácio Foz em 1977, na comédia O GATO MIOU TRÊS VEZES (A Comedy of Terrors).  Mais tarde viria a descobrir a sua enorme filmografia, com destaque para os filmes baseados nas obras de Edgar Allan Poe e para O CAÇADOR DE BRUXAS (Witchfinder General). Para as gerações mais novas fica a informação que a voz inconfundível que narra o famoso THRILLER de Michael Jackson é a de Price e um dos seus últimos papéis foi como o  criador do EDUARDO MÃOS DE TESOURA (Edward Scissorhands).

Voltando a este Dr. Phibes, que viria a ter uma sequela que ainda não vi, lembro-me que não metia medo e nem se levava muito a sério. Acima de tudo era divertido, muito colorido e gostei de toda a encenação muito teatral do “covil” de Dr. Phibes. Verdade, o Dr. Phibes de Vincent Price era maior que a vida, mas ninguém o leva a mal por isso, muito antes pelo contrário! A seu lado, o veterano Joseph Cotten era o lado mais sério da história e Virginia North a bonita assistente de Phibes.

Hoje já não se fazem filmes destes, o que é uma pena, mas provavelmente não seriam muito bem aceites pelas novas gerações. Quem sabe, um dia alguém decida reviver este Dr. Phibes; numa altura em que o cinema do género (e no geral) parece não ter ideias novas, uma reinvenção séria até poderia ser interessante, o único problema é que não há ninguém como Vincent Price.











domingo, 17 de março de 2024

AS MATINÉS DO MEDO - PARTE 3: LUA VERMELHA (Asylum / House of Crazies) de Roy Ward Baker

LUA VERMELHA (Asylum / House of Crazies) de Roy Ward Baker  – EUA/1973

Elenco: Robert Powell, Patrick Magee, Barbara Parkins, Richard Todd, Sylvia Syms, Peter Cushing, Barry Morse, Ann Firbank, John Franklyn-Robbins, Britt Ekland, Charlotte Rampling, James Villiers, Megs Jenkins, Herbert Lom, Geoffrey Bayldon • Argumento: Robert Bloch • Produção: Amicus / Max Rosenberg & Milton Subotsky • Realizador: Roy Ward Baker

Com muita pena minha não tenho o cartaz da estreia deste filme em Portugal, pode ser que um dia eu o consiga encontrar... Este, LUA VERMELHA, foi o terceiro título do ciclo dedicado ao terror que passou no Palácio Foz em Setembro de 1977, os outros foram: QUE DEMÓNIOS SE OCULTAM NA ESCURIDÃO (Who Slew Auntie Roo)COBRAS VENENOSAS (Sssssss), O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr Phibes) e A LENDA DA CASA ASSOMBRADA (The Legendo of Hell House).

 Ao contrário do que eu pensava, apesar do título, nada tinha a ver com lobisomens e era aquilo a que se chama um filme de “antologia”, ou seja, contava quatro histórias “embrulhadas” por um conceito geral. Neste caso, se bem me lembro (e o IMDB dá sempre uma ajudinha) um jovem psiquiatra (Robert Powell) a fim de conseguir trabalho num manicómio tem que entrevistar quatro dos pacientes que lá residem e cada um conta-lhe a razão de ali estar:

“Frozen Fear” (Medo Congelado) – um marido (Richard Todd) combina com a sua amante (Barbara Parkins) matar a sua esposa (Sylvia Syms). Para se ver livre do corpo corta-o aos pedaços, que embrulha em papel e depois mete-os numa arca congeladora, só que a esposa não tem muita vontade de estar morta;  

“The Weird Taylor” (O Alfaiate Estranho) – um alfaiate (Barry Morse) falido aceita a encomenda do Sr. Smith (Peter Cushing) para fazer um casaco com um estranho material, mas quando, após o trabalho feito, este lhe diz que não tem dinheiro para lhe pagar e o alfaiate percebe que o fato é para vestir o corpo do falecido filho de Mr. Smith, os dois lutam e o alfaiate acabar por levar o fato de volta para casa onde a sua esposa (Ann Firbank) coloca-o num manequim que ganha vida com terríveis sequências;

“Lucy Comes to Stay” (Lucy Veio para Ficar) – o irmão (James Villiers) de uma paciente (Charlotte Rampling) leva-a de volta para casa, mas quando esta fica sozinha é visitada por Lucy (Britt Ekland), que a desafia para fugirem as duas e quando o irmão regressa mata-o para que este não se meta no seu caminho, mas será que Lucy existe mesmo?

“Mannikins of Horror” (Manequins do Terror) – o último paciente (Herbert Lom) afirma que é um médico e diz que construiu um boneco orgânico para o qual pode transferir a sua alma.

Quanto ao jovem psiquiatra, tem uma má surpresa à sua espera por parte do Dr. Rutherford (Patrick Magee), o diretor do manicómio.

Na altura que vi este filme, duvido que soubesse a importância que a produtora Amicus tinha no género terror. Uns meses antes, também numa sessão no Palácio Foz, tinha visto outro título da Amicus, A CASA QUE ESCORRIA SANGUE (The House That Dripped Blood), que tal como este, utilizava o formato de antologia para nos contar várias histórias. Este tipo de filmes era a especialidade da Amicus, que era a principal concorrente da famosa Hammer.

Quanto a este LUA VERMELHA, gostei imenso, principalmente do primeiro (que continua bem viva na minha memória, com a cabeça embrulhada em papel a respirar) e do último segmento (lembro-me do boneco a ser esborrachado, ou será que sonhei?). Revi-o anos mais tarde e continuei a gostar e aconselho-o a todos os fãs do género. Mais que não seja, tem um elenco de fazer inveja, com destaque para os veteranos do terror Peter Cushing, Herbert Lom, Patrick Magee, para as beldades Barbara Parkins, Britt Ekland e uma muito jovem Charlotte Rampling; por fim, no papel do jovem psiquiatra, temos Robert Powell que, anos mais tarde, viria a ficar para sempre associado ao papel de Jesus de Nazaré na famosa versão de Franco Zeffirelli. Só mais uma coisa, o argumento é da autoria de Robert Bloch, autor da novela que serviu de base ao PSICO de Alfred Hitchcock.