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domingo, 5 de julho de 2026

TOY STORY 5 de Andrew Stanton

Quando a pequena Bonnie recebe um iPad (de nome Lilypad) de presente, Jessie e os outros brinquedos vêem-se substituídos por essa máquina. Pior ainda, Bonnie tem dificuldade em dar-se com outras crianças e cabe a Jessie, Buzz, Woody e companhia resolverem a situação.

Esta continua a ser, provavelmente, a melhor série de animação da história do cinema e este quinto filme é uma delícia. Pegando num assunto muito actual, as crianças (se fossem só os mais pequenos) preferem estarem agarrados a um ecrã do que a conviver/brincar uns com os outros. Acredito que a solidão sentida por Bonnie é igual há de muitas crianças e só tenho pena que não haja uma troupe de brinquedos prontos a ajudar no mundo real. O filme pega neste assunto com humor, amor, sensibilidade e emoção. Tal como nos títulos anteriores da série, não me consegui conter e derramei umas lágrimas de alegria.

Como sempre, as vozes (vi a versão original) não podiam ser melhores e é um prazer revisitar esta colorida e inesquecível galeria de personagens. Puro entretenimento!

Classificação: 8 (de 1 a 10)








segunda-feira, 11 de maio de 2026

NATUREZA PREDADORA (THRASH) DE Tommy Wirkola

Um furacão do “caraças” arrasa uma cidade costeira, que fica praticamente submersa... é então que aparecem os tubarões. Meia dúzia de personagens vão tentar sobreviver enquanto a ajuda não chega.

Mistura de filme-catástrofe com filme de terror animal, tem a seu favor o facto de não se levar a sério e de não ser chato. O suspense é pouco e as situações pouco verosímeis. Curiosamente, o elenco (principalmente Phoebe Dynevor com a jovem grávida) não se porta mal e ajudam ao gozo de assistir a este exemplo de série B, cujo momento mais “brilhante” é um parto dentro de água com os tubarões a rondar a mãe e o bebé. 

Acreditem, não é bom, mas é divertido e parece que em breve teremos uma sequela.

Classificação: 3 (de 1 a 10)


domingo, 3 de maio de 2026

10 DANÇAS (TEN DANCE) de Keishi Otomo

Shinya Suzuki é especialista em danças latino-americanas (samba, rumba, etc), Shinya Sugiki é especialista em danças clássicas (valsa, foxtrot, etc) e são uma espécie de rivais. Um dia, Sugiki desafia Suzuki para competirem no “10 Danças”, propondo que cada um ensine ao outro (e às suas parceiras) o tipo de dança em que são especialistas. Durante as aulas apaixonam-se um pelo outro.

O universo das danças de salão serve de cenário a uma história de amor contida e o resultado é agradável à vista e ao coração. Nos papéis principais, Ryoma Takeuchi e Keita Machida não podiam ser mais diferentes, um “caliente” o outro “frio”, mas quando dançam juntos o erotismo e a sensualidade transpiram por todos os seus poros e, claro, acabamos a torcer para que o seu amor se concretize. Tudo isto com muita dança e a “pirosice” associada ao universo das danças de salão. Gostei!

Classificação: 6 (de 1 a 10)


ELES MATAM-TE (THEY WILL KILL YOU) de Kirill Sokolov

Uma mulher, Asia, vai trabalhar como criada para um imponente prédio em Nova Iorque e depressa descobre que os seus inquilinos precisam de um sacrifício humano para essa noite. 

Oh pá, isto é divertido e sangrento à brava! Ao mesmo tempo tem uma história consistente e um bom elenco (onde se destacam Zazie Beetz como Asia e Patricia Arquette como a “governanta”). Não se levando nada a sério, são cerca de 90 minutos de acção e violência ao estilo do Sam Raimi, com algumas cenas hilariantes que me fizeram rir à gargalhada. 

Para fãs de cinema de terror!

Classificação: 7 (de 1 a 10)


O TESTAMENTO DE ANN LEE (THE TESTAMENT OF ANN LEE) de Mona Fastvold

Amanda Seyfried vai muito bem como a líder fundadora do movimento religioso Shaker Movement. Os seus seguidores acreditam que ela é um Cristo feminino e aceitam tudo o que ela diz, incluindo a total abstenção sexual. Tudo isto com muitas canções, danças meio loucas e fanatismo cego. 

Este movimento existiu na realidade e o filme narra a sua história, o problema é que é chato e comprido... chegou a um ponto em que eu já não suportava as suas canções. Uma curiosidade sobre o fanatismo e suas consequências.

Classificação: 3 (de 1 a 10)


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

OS FILMES DE JANEIRO 2026

Neste longo mês de Janeiro estrearam em Lisboa 27 filmes de ficção (não contabilizei os documentários), o que dá cada quase um filme por dia. Talvez sejam filmes a mais, não sei...

Se me perguntassem o que diria dos filmes deste mês, diria que (na minha opinião) foi o mês do “feel good” em matéria de cinema. Aqui ficam uns breves comentários sobre o que vi em Janeiro:

28 ANOS DEPOIS: O TEMPLO DOS OSSOS (28 YEARS LATER: THE BONE TEMPLE) de Nia DaCosta

A nova sequela desta saga é mais sobre a terrível natureza humana do que sobre zombies. O filme vale sobretudo pela excelente interpretação de Ralph Fiennes e é por vezes gratuito na sua carnificina. Não é o melhor da saga, mas vê-se bem.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

AS CORES DO TEMPO (LA VENUE DE L’AVENIR) de Cédric Klapisch

Nesta comédia dramática, um grupo de desconhecidos são herdeiros de uma casa abandonada onde acabam por descobrir a história da família que desconheciam. Entre o passado e o presente vamos conhecendo e simpatizando com os personagens, com o grande Monet a ajudar à festa. Um dos filmes “feel good” do mês.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A CRIADA (HOUSEMIAD) de Paul Feig

Confesso, não li o famoso livro de Freida McFadden, mas diverti-me imenso com este thriller onde Amanda Seyfried está perfeita e onde nem tudo é o que parece. Suspense suficiente para nos mantermos agarrados ao ecrã e diria que, apesar da violência, é na realidade um “feel good” filme.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

FAMÍLIA DE ALUGUER (RENTAL FAMILY) de Hikari

Um actor americano em crise profissional e pessoal (Brendan Fraser está óptimo), a viver no Japão, aceita trabalhar para uma empresa que proporciona famílias de aluguer a gente desesperada. O resultado é humano, sensível, com um bom sentido de humor e, sim, lágrimas e aquele sentimento de “feel good”. Uma agradável surpresa!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

A GRANDE ELEANOR (ELANOR THE GREAT) de Scarlett Johansson

Quem diria que a actriz Scarlett Johansson seria capaz de nos dar um retrato tão humano sobre a terceira idade, onde uma velhota (uma inesquecível June Squibb) dada a inventar histórias se vê metida numa grande alhada. Sensível e com um apurado sentido de humor, foi o melhor filme que vi este mês e claro que é “feel good”!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

INCÓGNITO (PLAINCLOTHES) de Carmen Emmi (Filmin)

Tom Hardy é um polícia à paisana especialista em seduzir e apanhar gays em flagrante delito nas casas-de-banho públicas; mas um dia apaixona-se por um deles, Russell Tovey. Tem um argumento bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão. Mas o ponto forte é a química sexual entre Hardy eTovey, verdadeiramente “caliente”!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

LIZA MINNELLI: A INCRÍVEL E ABSOLUTAMENTE VERDADEIRA HISTÓRIA (LIZA: A TRULY TERRIFIC ABSOLUTELY TRUE STORY) de Bruce David Klein 

Filha de dois grandes nomes do cinema, Judy Garland e Vincente Minnelli, Liza Minnelli é um dos grandes nomes do “show business” e nesta fantástico documentário, se ainda não sabiam, fica-se a perceber por quê. Liza é uma actriz sem igual, tendo brilhado nos palcos, no cinema e na televisão. Um verdadeiro ícone! Espero que com este brilhante documentário as novas gerações a descubram e não se esqueçam que é “Liza com um Z”.

Classificação: 9 (de 1 a 10)

MARTY SUPREME de Josh Safdie

Bem, este filme livremente inspirado numa história verídica sobre um jogador de ténis de mesa, é capaz de ser um dos filmes mais hiperativos dos últimos anos, ao ponto de ser por vezes irritantemente histérico e de visão desconfortável. O personagem principal (um extraordinário Timothée Chalamet) é verdadeiramente odioso e os personagens que o rodeiam não são melhores.

Classificação: 7 (de 1 a 10)

MATA-TE AMOR (DIE MY LOVE) de Lynne Ramsay

Verdade, a Jennifer Lawrence faz muito bem este tipo de papéis, em que a personagem vai enlouquecendo ao longo da história sempre com resultados imprevisíveis. O filme parece por vezes não ter grande assunto e arrasta-se por mais tempo do que era necessário, vale por ela e é sempre bom reencontrar Sissy Spacek

Classificação: 4 (de 1 a 10)

MIROIRS NO.3 de Christian Petzold

Um drama psicológico sobre perdas e procuras. Uma vítima de um acidente de carro é acolhida por uma mulher solitária e a vida de ambas nunca mais será a mesma. O ritmo lento pode afastar muita gente, mas há uma tensão constante que torna a visão do filme quase compulsiva.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PESSOAS QUE CONHECEMOS NAS FÉRIAS (PEOPLE WE MEET ON VACATION) de Brett Haley (Netflix)

Emily Bader e Tom Blyth são o casal romântico nesta comédia sobre os encontros e desencontros de dois amigos. Claro que faz lembrar o superior WHEN HARRY MET SALLY, mas tem graça, os actores têm química e tem aquele sentimento de “feel good” de que eu tanto gosto.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PRIMATE (PRIMATE) de Johannes Roberts

Um macaco raivoso espalha o terror e a morte neste filme, onde os teenagers do costume são “carne para canhão” e onde o gore brilha. A seu favor tem suspense e tensão suficiente para nos prender às cadeiras. Os, tal como eu, fãs do terror vão gostar.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

PONTO DE RUPTURA (THE RIP) de Joe Carnahan (Netflix)

Após o assassinato de uma agente policial, um pequeno grupo de agentes vê-se numa situação que envolve a descoberta de barris cheios de dinheiro e onde todos são suspeitos. Matt Damon e Ben Affleck reencontram-se neste thriller tenso, onde o melhor é o argumento.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SALON KITTY - O BORDEL DOS NAZIS (SALON KITTY) de Tinto Brass (Filmin)

Produto típico de década de 70, aos anos que queria ver este filme e finalmente consegui. Muita gente nua, sexo soft-core, nazis mauzões, interpretações histéricas, numa história verídica onde um bordel virou covil de espiões nazis. Não é bom, mas é um “guilty pleasure” que se vê com um sorriso nos lábios e com a noção que hoje não fariam um filme destes.

Classificação: 4 (de 1 a 10)

SOCORRO (SEND HELP) de Sam Raimi

O realizador Sam Raimi está de volta e trás consigo Rachel McAdams, uma das mais versáteis actrizes da sua geração que ainda não conseguiu o sucesso que merece. Aqui ela é a rainha da “selva”, numa espécie de filme de terror cuja moral é: cuidado com quem subestimas e ninguém muda. Divertido e violento como só Raimi sabe fazer... e um pouco de “feel good”. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

SONG SUNG BLUE de Craig Brewer

Hugh Jackman e Kate Hudson são um par feito no céu neste drama musical sobre um casal que se tornou famoso pelos espectáculos que faziam de homenagem a Neil Diamond. Muita música, muito drama... se não fosse verdade, diria que Hollywood tinha ido longe de mais com tanta tragédia.

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VALOR SENTIMENTAL (AFFEKSJONSVERDI) de Joachim Trier

O reencontro dramático de um pai com as suas duas filhas, começa de forma bocejante, mas graças ao irrepreensível elenco depressa me conquistou. Fez-me lembrar os filmes de Ingmar Bergman, com tempos mortos mas com mais emoção. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)


sexta-feira, 3 de maio de 2024

TAROT: CARTA DA MORTE (Tarot) de Anna Halberg & Spenser Cohen

A História: Um grupo de amigos brinca a ler o seu futuro num Tarot, quebrando uma regra de ouro: nunca se deve usar um baralho alheio. Claro que o seu futuro está condenado!

O Elenco: Um grupo de jovens sem garra, nem nada que os destaque uns dos outros, dá vida, ou melhor, morte, a uma galeria de personagens desinteressantes.

O Filme: As cartas do Tarot são fantásticas e as entidades que estas invocam davam para fazer um filme aterrorizante... Infelizmente, a história arrasta-se sem suspense, emoção, imaginação (as mortes são uma tristeza) ou atmosfera. A estreia nas longas-metragens da dupla Spenser Cohen & Anna Halberg é tudo menos auspiciosa e irritou-me terem dado cabo de uma ideia que até tinha potencial.

Vale a Pena Ver? Bem, eu não gostei. Mas se gostam mesmo de filmes de terror, provavelmente vais querer ver.

Classificação: 3 (de 1 a 10)




terça-feira, 29 de agosto de 2023

FALA COMIGO (Talk to Me) de Danny & Michael Philippou

Um grupo de amigos descobre uma espécie de mão embalsamada através da qual conseguem contactar o além. O que começa como uma simples brincadeira cheia de adrenalina, depressa se torna em algo mortalmente perigoso.

A ideia de objectos que nos ajudam a contactar o além não é nova, sendo o mais conhecido o tabuleiro Ouija, e já foi usada muitas vezes no cinema, mas neste novo filme os irmãos Danny & Michael Philippou conseguem dar-lhe uma nova “roupagem” e o resultado surpreendeu-me pela positiva.

Sim, não é original, tem pouco suspense e é previsível, mas consegue prender a nossa atenção, provocar alguns calafrios e a história está muito bem construída. Tem a grande vantagem de, contra o que seria de esperar, não se transformar num matadouro “gore” de adolescentes e tem um elenco bastante convincente. É provável que venha a ter sequelas, mas não precisa delas para nada. Se gostam de bom cinema de terror não percam! 

Classificação: 7 (de 1 a 10)





segunda-feira, 26 de junho de 2023

TETRIS de Jon S. Baird

Para se entreter nas horas livres, na União Soviética, Alexey Pajitnov cria um jogo de computador de nome Tetris, dando lugar a uma guerra de interesses internacionais, onde todos querem assegurar os direitos do que viria a tornar-se um dos maiores sucessos do género. Entra Henk Rogers, um jovem americano disposto a dar tudo por tudo para conseguir os direitos do jogo e o reconhecimento do seu criador.

Quem é que diria que um filme sobre a criação de um jogo de computador podia ser tão empolgante! Mas a verdade é que me apanhou completamente de surpresa!

Começa em ritmo lento, mas quando damos por nós estamos completamente envolvidos na acção e completamente do lado de Henk e Alexey (excelentes interpretações de Taron Egerton e Nikita Efremov). Pensar que isto é baseado em facto reais, torna a coisa ainda mais interessante e recomendo a todos os que gostam de um bom thriller, de uma boa comédia, de um bom drama... de bom cinema!

Classificação: 8 (de 1 a 10)




segunda-feira, 27 de março de 2023

JUSTIÇA PARA EMMETT TILL (Till) de Chinonye Chukwu

Em 1955, o jovem Emmett Till é linchado no Missouri por ter dado um piropo a uma branca. A sua mãe, Mamie, decide desmascarar publicamente o racismo por detrás do crime e levar os criminosos à justiça.

Por muitos anos que viva nunca vou compreender o que leva as pessoas a serem racistas (sim, eu sei que, como na canção do AVENUE Q, todos somos um pouco racistas) ao ponto de cometerem crimes só pelo facto de os outros serem diferentes aos demais; e quem diz etnia, também diz preferências sexuais, religiosas e políticas. Este filme é um retrato emotivo de um acontecimento real que abalou os Estados Unidos nos anos 50, mas também extremamente actual, pois tanto lá como no resto do mundo está a ver um grande retrocesso civilizacional, para o pior!

Voltando ao filme, Danielle Deadwyler, como a destroçada, mas poderosa mãe, devia ter sido nomeada para o Óscar, dando-nos uma interpretação cheia de força que coloca Michelle Yeoh, e Ana de Armas (não vi o filme com a Andrea Riseborough) a um canto. Não acho que um actor deva ser nomeado só por causa da sua etnia, mas neste caso talvez ela tenha sido vítima do racismo ‘à Hollywood’.

Um daqueles filmes que devia ser visto por todos, racistas e não racistas, para perceberem a estupidez humana... bem, de humano aqueles sulistas não tinham nada!

Classificação: 7 (de 1 a 10)




quarta-feira, 8 de março de 2023

TEMOS UM FANTASMA (We Have a Ghost) de Christopher Landon

Uma família muda-se para uma velha casa e descobrem que esta é habitada por um fantasma. Sem medo, partilham imagens do mesmo na Internet e depressa se tornam um fenómeno, mas o fantasma precisa de ajuda e a CIA está atenta.

Acredito que em papel a ideia deve ter parecido hilariante, mas o resultado é decepcionante. Vendido como comédia, falha em ter graça; enquanto filme de aventuras é pouco ou nada emocionante; como filme de terror é tudo menos isso. Esperava mais do realizador Christopher Landon, que nos deu divertidas comédias de terror como FREAKY, HAPPY DEATH DAY e SCOUTS GUIDE TO THE ZOMBIE APOCALYPSE; mas para mim este é o seu filme mais fraco. O elenco não é mau, mas é uma pena ver David Harbour, Anthony Mackie e Jennifer Coolidge tão mal aproveitados. Bem, no IMDB o filme até conseguiu a nota de 6, o que quer dizer que há quem ache graça.

Classificação: 3 (de 1 a 10)


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

JORGE FOI AOS FILMES: FEVEREIRO 2023















Este Fevereiro, entre cinema e streaming vi onze novos filmes, entre eles o melhor foi o TÁR. Aqui ficam os meus apontamentos/opinião sobre os mesmos.

BATEM À PORTA (Knock at the Cabin) de M. Night Shyamalan

 Um casal e sua filha vão passar um fim de semana numa cabana no meio dos bosques. Aí são “visitados” por quatro estranhos cuja missão é salvar a Humanidade. Para que assim seja o casal tem que sacrificar um dos seus membros.

Os filmes de M. Night Shyamalan têm sempre uma grande premissa e, dependendo dos casos, um desenlace inesperado. Este seu novo filme começa muito bem, colocando-nos uma questão que nos faz pensar, seríamos capazes de sacrificarmos a nossa vida em nome da Humanidade... pior ainda, faríamos o mesmo se um grupo de possíveis fanáticos religiosos nos invadissem a casa? A grande questão com que a família sobre “ataque” se debate é se aqueles quatro estranhos estão ou não a dizer a verdade. Assim, com ambiente tenso e boas interpretações, seguimos a trama até ao final e... Bem, para mim falta-lhe qualquer coisa e não fiquei convencido.

 Classificação: 5 (de 1 a 10)

DESAPARECIDOS (Vanishing) de Denis Dercourt

Alice, uma perita forense, em Seoul para dar umas palestras, vê-se envolvida na investigação de crimes relacionados com o tráfico de órgãos.

O trailer prometia um thriller intenso, mas não é isso que o realizador Denis Dercourt nos dá e é uma pena. A história do tráfico de órgãos é interessante e há um verdadeiro senso de perigo nas ruas e corredores de Seoul, mas os personagens são um pouco frouxos, o suspense quase nulo e, sem dúvida, falta thriller a este filme.

 Classificação: 4 (de 1 a 10)

OS ESPÍRITOS DE INISHERIIN (The Banshees of Inisherin) de Martin McDonagh

Numa ilha irlandesa, onde não se faz praticamente nada a não ser beber uns copos num bar, um amigo diz ao outro que já não gosta dele e que lhe agradece que o deixe em paz, caso contrário cortará cada um dos seus próprios dedos sempre que este o incomodar.

Como é que nos sentiríamos numa situação semelhante”? É uma questão incómoda que esta comédia negra nos coloca, captando a nossa atenção entre paisagens bucólicas, bons diálogos, cenas dramaticamente humorísticas e um grupo rico de personagens que parecem não ter saída daquela vida.

Quanto aos amigos, estou certo de que cada um de nós se irá identificar com um deles. Pádraic (Colin Farrell) vive a sua vida sem qualquer tipo de ambição, desejando apenas ser feliz e simpático para os outros. E Colm (Brendan Gleeson) que quer algo mais da vida, sonhando deixar um legado para a posteridade sem ser interrompido por conversas banais até o conseguir. Farrel dá-nos aqui talvez a melhor interpretação da sua carreira, provando de uma vez por todas que não é apenas uma cara bonita. A seu lado Kerry Condon e Barry Keoghan, como a irmã de Pádraic e o “tonto da vila”, são excelentes e estão todos nomeados para os Óscares, incluindo também Brendan Gleeson.

É um filme desprovido de “glamour”, que nos faz rir de coisas sérias, nos faz questionar sobre as nossas amizades e ao mesmo tempo é comovente e humano. Uma comédia amarga que é sem dúvida um dos grandes filmes deste ano!

Classificação: 8 (de 1 a 10)

HOLY SPIDER de Ali Abbasi 

Uma jornalista vai até a Mashhad, uma cidade sagrada no Irão, a fim de investigar uma série de crimes em que as vítimas são prostitutas. A polícia local parece não estar muito interessada em descobrir o assassino. Este é um vulgar homem de família, que acredita estar a limpar a rua das pecadoras, tudo em nome de Deus. 

Obviamente proibido e condenado no Irão, este drama policial dá-nos um retrato negro de uma sociedade machista e religiosamente fanática. Baseado numa história real, é um filme forte que merece a atenção de todos nós. O que mais me impressionou no filme é o fanatismo religioso que leva muita gente a apoiar os actos deste psicopata, a sua família incluída; bem como a forma como as mulheres são tratadas na sociedade iraniana. Um amigo meu iraniano confirmou-me que o filme é muito realista, o que me assusta ainda mais. Eu sei que é provavelmente uma questão cultural/religiosa, mas como é possível ainda haver nos dias de hoje sociedades deste género? 

O filme é um verdadeiro murro no estômago, que não foge do grafismo dos estrangulamentos e que mexe com o nosso sistema nervoso. Zar Emir-Ebrahimi e Meddi Bajestani são excelentes como a jornalista e o assassino, respectivamente. Também é um filme que nos ajuda a colocar as nossas vidas em perspectiva, pois passamos o tempo a queixarmo-nos de tudo, mas temos muita sorte em não ter nascido e/ou viver numa sociedade como aquel. Um filme importante a não perder! 

Classificação: 7 (de 1 a 10) 

A INSPEÇÃO (The Inspection) de Elegance Bratton

Um jovem, cuja mãe não aceita a sua homossexualidade, inscreve-se nos Marines, onde vai ter que provar que é tão bom e capaz quanto os outros, enfrentando homofobia e racismo.

Baseado numa história verídica, temos aqui um drama que aborda o tema do ‘homossexualismo’, homofobia e racismo tentando evitar os clichés do género, acabando por preferir uma abordagem realista que o aproxima mais de filmes como o FULL METAL JACKET (sem a guerra) do que do cinema Queer. Jeremy Pope vai muito bem como o jovem recruta e Gabrille Union é fantástica como a sua homofóbica mãe, a melhor cena do filme é entre eles os dois. Recomendo!

Classificação: 7 (de 1 a 10)

NA TUA CASA OU NA MINHA (Your Place or Mine) de Aline Brosh McKenna

Debbie e Peter tiveram uma noite de amor faz muito tempo e apesar de viverem em locais opostos nos Estados Unidos ficaram amigos desde então. Quando Debbie tem que ir a Nova Iorque, Peter decide ir até Los Angeles tomar conta do filho dela. Assim, ela fica na sua casa e ele na dela, com consequências que nenhum esperava... mas que nós, o publico, já prevíamos.

A nova comédia romântica da Netflix, que chegou a tempo para o Dia dos Namorados, deve ter parecido muito divertida no papel e a ideia de juntarem Reese Witherspoon com Ashton Kutcher deve ter parecido brilhante. Infelizmente, o resultado arrasta-se sem graça por cerca de duas horas desinteressantes, onde Witherspoon e Kutcher demonstram ausência de química e a galeria de personagens secundários é quase embaraçosa (pobre Steve Zahn como o “jardineiro”). Dêem-me o WHEN HARRY MET SALLY mil vezes!!!

Classificação: 1 (de 1 a 10)

ONDE O DESEJO SE ESCONDE (Brazen) de Monika Mitchell

Grace é uma famosa escritora de policiais que vai visitar a sua irmã, mas quando esta é a primeira vítima de um serial killer, ela une forças com o detective borracho que vive na casa ao lado... nisto descobre-se que a mana, uma doce professora, era conhecida noutros meios por Desiree.

Não li o best-seller de Nora Roberts, mas acredito que seja melhor que esta sua adaptação cinematográfica. Faz muito tempo que não via um filme tão mau, daqueles que acabam por nos fazer rir pelas piores razões. A história tipo “whodunit” não tem surpresas, o erotismo é nulo e o suspense não existe. Quanto ao elenco, encabeçado por Alyssa Milano, é vazio de emoções e o talento está ausente. Tem cenas e diálogos de qualidade dúbia, apenas bons para provocar gargalhadas. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 2 (de 1 a 10)

SHARPER de Benjamin Caron

O jovem dono de uma livraria apaixona-se por uma estranha e acaba vítima das vigarices desta e do seu parceiro. Entretanto ficamos a saber mais sobre a vida da estranha, do seu parceiro e da mãe deste. 

Mas que grande cambada de vigaristas e pobres daqueles que lhes caiem nas mãos! O filme começa de forma morna e parece nunca mais arrancar, mas quando damos por isso estamos embrenhados num argumento muito interessante, em que tudo é possível e nada é o que parece. Um bom elenco, com Julianne Moore em grande forma, dá vida a uma galeria de personagens que nos fazem desconfiar de todos, mesmo dos mais bonzinhos. Vale a pena deixarmo-nos enrolar por esta trama de vigaristas. 

Classificação: 6 (de 1 a 10)

TÁR de Todd Field

Lydia Tár é uma talentosa, obsessiva e controladora maestrina/compositora, que tem a honra de ser a primeira directora de uma grande orquestra berlinense. Devido às suas acções, paixões e à deturpação das suas palavras, vê a sua vida profissional e pessoal entrar numa espiral destrutiva.

Confesso que estava com muito receio de ir levar com um filme chato e pretensioso, algo que as primeiras imagens (o genérico final a passar no início do filme) pareciam confirmar. Mas Cate Blanchett aparece e de repente vi-me completamente absorvido pela sua personagem “maior que a vida”. É praticamente impossível desviar o olhar desta extraordinária actriz, aqui a dar-nos talvez a melhor interpretação da sua carreira (se não ganhar o Óscar é porque o politicamente correcto invadiu Hollywood e isso assusta-me).

Quanto ao filme, tanto a realização como o argumento de Todd Field são de excelente qualidade, levando-nos numa viagem emocional e empolgante pontuada com algum humor. Sim, existem uma ou duas pontas soltas (porque será que a nova protegida de Tár vive naquele estranho prédio?), mas fazem parte do universo meio esquizofrénico da mente de Tár e o final é de génio!

O filme toca também num tema muito corrente, a “cancel culture”, e fá-lo de forma incisiva, sem receios. Toda a sequência da aula dada por Tár onde um aluno diz que não toca ou ouve Bach por causa da vida íntima deste, é brilhante! Um dos grandes filmes do ano!

Classificação: 9 (de 1 a 10)

O URSO DO PÓ BRANCO (Cocaine Bear) de Elizabeth Banks

Ele há coincidências muito estranhas. No dia 23 de Fevereiro de 1977 estreava em Lisboa o filme GRIZZLY – O MONSTRO DA FLORESTA, onde um urso muito grande semeava a morte numa floresta. Exatamente 46 anos depois, no dia 23 de Fevereiro deste ano, estreia entre nós novo filme com um urso “assassino”. Desta vez ele descobre acidentalmente os efeitos de um carregamento de cocaína que cai “acidentalmente” na sua floresta.

Vi o GRIZZLY aquando da sua estreia e adorei; foi para mim um dos melhores filmes de terror que tinha visto até então. Este novo urso é tão violento quanto o outro, mas o suspense e o terror são substituídos por um sentido de humor por vezes hilariante. Elizabeth Banks deve ter-se divertido imenso a realizar o filme, que é muito livremente inspirado em acontecimentos reais, e deixa a sua imaginação à solta com as exageradas cenas gore; a sequência da cabana da guarda-florestal e da ambulância tem que ser vista para acreditarem. O bem escolhido elenco dá vida a um estranho grupo de personagens cujo destino está à mercê do urso.

Não é um grande filme de terror, mas é uma boa comédia, por vezes exagerada, mas com muita piada. Pode não ser aconselhável a estômagos fracos, mas provoca muitas gargalhadas e é bom para “desopilar o fígado”. Vejam por vossa conta e risco!

Classificação: 6 (de 1 a 10)

VIVER (Living) de Oliver Hermanus

Um aborrecido funcionário público, daqueles burocratas sem sentido de humor, fica a saber que tem poucos meses de vida e percebe que não viveu a sua. Decidido a recuperar o tempo perdido, falta ao trabalho e tenta encontrar alguns prazeres no tempo que lhe resta.

Não vi o original de Akira Kurosawa de que este filme é um remake, por isso não posso fazer comparações. Tal como a maioria dos seus personagens, é um filme contido, onde as emoções não vêm ao de cima e tudo acontece de forma sossegada. Num papel que lhe assenta que nem uma luva, Bill Nighy está no seu melhor, se bem que não foge do seu registo habitual, sendo bem secundado por um circunspecto elenco, onde sobressai a cor e luz de Aimee Lou Wood como Margaret. É um filme comovente, que consegue evitar a lamechice do tema, mas que nos deixa com um sabor amargo na boca. A minha vontade era começar à estalada a todos aqueles funcionários públicos... esperem lá, eu sou funcionário público. Medo!

Classificação: 6 (de 1 a 10)