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terça-feira, 27 de novembro de 2012

A BATALHA DE MIDWAY de Jack Smight


Um elenco de veteranos dá vida às personagens reais que viveram um episódio decisivo da Segunda Guerra Mundial. A acção passa-se nas águas do Pacífico e mostra como os americanos conseguiram vencer os, até então invencíveis, japoneses.

Mais que o elenco, o filme trazia consigo o famoso sistema de som “sensurround”, que fazia com a sala do Tivoli estremesse com cada explosão e nós sentíamo-nos como se estivéssemos metidos numa verdadeira batalha. Como dizia a publicidade “os espectadores irão ver, ouvir e sentir o fragor infernal do maior combate da guerra do Pacífico” e não mentia.

O filme foi um sucesso quando estreou por cá no Verão de 1979 e nunca percebi porque razão o “sensurround” caiu em desuso; pessoalmente acho que era muito mais eficaz e interessante que o 3D. Em Lisboa, o Tivoli era a única sala que usava este sistema de som e ainda me lembro de ver as grandes colunas que o produziam. 

Sem dúvida que os anos 70 foram uma época muito interessante e rica para se ser cinéfilo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O SUBSTITUTO (Detachment) de Tony Kaye


Henry Barthes é um professor substituto que salta de escola em escola, evitando contacto humano com os colegas e alunos. Na nova escola onde vai leccionar, os alunos são problemáticos, os professores impotentes e os pais ausentes, mas é aqui que ele vai sentir alguma coisa, para o que muito ajuda uma jovem prostituta que se cruza no seu caminho.

14 anos depois do extraordinário AMERICAN HISTORY X, chega-nos um novo filme de Tony Kaye e, mais uma vez, estamos perante um filme poderoso e incapaz de deixar os espectadores indiferentes. Kaye mostra-nos um mundo real, onde as novas gerações se sentem completamente perdidas e com dificuldade em sentir alguma coisa, onde as gerações mais velhas se sentem incapazes de os ajudar ou pura e simplesmente não querem saber ou desistiram de o fazer. O filme é cru e brutal, conseguindo criar uma sensação de  angústia que custa a abandonar-nos. Por outro lado, também nos demonstra que há vidas bem piores que as nossas e isso dá-nos algum reconforto.

O elenco é notável! Desde os principais aos secundários, todos são extremamente convincentes nos seus papéis. Adrien Brody, de quem não sou grande fã, é excelente como Henry e não me admiraria de o ver entre os candidatos aos Óscares deste ano (se bem que o filme estreou nos “states” faz já muitos meses). Sami Gayle é uma verdadeira revelação como a jovem prostituta e Betty Kaye, como a aluna artística incompreendida por todos, é dolorosamente real. Uma última palavra para o veterano James Caan, brilhante como um dos outros professores.

No fim do filme, um amigo meu disse que o mesmo era “assustadoramente real!” e não podia estar mais certo. Mas apesar da sua fotografia “suja” e de ser de visão dura, este filme deve ser visto por todos, mas principalmente por pais ausentes, professores e alunos. Uma das grandes e mais fortes estreias deste ano! Classificação: 8 (de 1 a 10)


sábado, 24 de novembro de 2012

TÁXI DRIVER de Martin Scorsese


Dois dias antes de fazer os meus 15 anos, fui ver este famoso filme de Martin Scorsese. O filme era “interdito a menores de 18 anos”, mas como tive sempre ar de ser mais velho do que na realidade era, lá consegui entrar e pude assim apreciar aquele que considero uma das melhores obras do Scorsese.

Robert DeNiro fazia de um veterano do Vietnam que trabalha como taxista em New York, observando toda a decadência e crime da cidade. Um dia conhece uma jovem prostituta, Jodie Foster, e decide salvá-la das garras do seu chulo, com resultados violentos.

A muita imitada sequência do “You talkin' to me?”, com DeNiro de arma em punho em frente de um espelho, pertence a este filme. Quanto a DeNiro está aqui no seu melhor e é também aqui que Jodie Foster faz a transacção de actriz juvenil para actriz adulta, com resultados espantosos.

Nos anos 70, Hollywood era uma cidade cheia de inspiração, talento e sem medo de fazer filmes polémicos. Talvez por isso tenha sido uma época tão rica em filmes emblemáticos como este. Hoje em dia, Hollywood é uma espécie de parque de diversões, só preocupada em fazer dinheiro e produzir filmes para teenagers, repletos de cenas de acção e efeitos CGI. Tenho esperança de que qualquer dia as coisas mudem.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

FILMES QUE VI MAS ESQUECI: 1979 - Parte 4


Para hoje escolhi mais cinco títulos que vi no ano de 1979 e dos quais pouco me lembro.

SE O MEU CARRO FALASSE... de Robert Stevenson – as primeiras aventuras do famoso Herbie, o carro maravilha dos estúdios da Disney. O estranho é que me lembro mais do trailer que vi da sequela deste filme e que nunca vi, do que do presente filme.

O TESOURO DO CASTELO de Norman Tokar – um tesouro escondido num castelo foi atracção suficiente para mim, mas mesmo com a presença de Jodie Foster, David Niven e Helen Hayes não fiquei com nada na memória.

O PRÍNCIPE VALENTE de Henry Hathaway – um clássico do cinema de aventura com um bom elenco e que sei que gostei, mas não me recordo de nenhuma cena.

NOSTALGIA DO AMOR de Dino Risi – o cartaz prometia um musical cheio de plumas, algo que eu adoro, e eu não pude resistir. Tenho a ideia do filme ser divertido, mas nada mais.

OS 39 DEGRAUS de Don Sharp – quando vi esta remake do clássico de Hitchcock, ainda não tinha visto o original, mas apesar de ter gostado (de 1 a 5 dei-lhe 3 estrelas) não me lembro de nada. 





terça-feira, 20 de novembro de 2012

UM DIA EM NOVA YORK de Stanley Donnen e Gene Kelly


Em Junho de 1979 consegui ver finalmente e pela primeira vez este musical da MGM. Já tinha visto uma cena do mesmo no ISTO É ESPECTÁCULO, que me tinha deixado com água na boca, por isso corri que nem um louco quando o filme foi reposto no defunto Quarteto.

Três marinheiros têm um dia de licença em New York e conhecem três raparigas por quem se apaixonam. A história era assim simples, mas o filme é um dos mais alegres musicais da história do cinema.

O elenco é fabuloso e dá uma vida ao filme que torna a sua visão irresistível. A realização/coreografia de Donnen e Kelly tira o melhor proveito dos cenários reais (supostamente foi o primeiro musical filmado em cenários reais) e delicia-nos em todos os  seus momentos.

O número que dá título ao filme, “On the Town”, é tão contagiante que sempre tive vontade de me juntar ao elenco e cantar e dançar com eles pelas ruas de Nova York. Mas o grande momento pertence a Ann Miller e ao seu “Prehistoric Man”, onde ela nos dá aquele que eu considero ser o seu melhor e mais divertido número de sapateado. Mas há muito mais, nesta jóia do musical americano.

Como sabem adoro musicais, é mesmo o meu género preferido, e este é um dos melhores que vi até hoje. É verdade que já não se fazem filmes destes, mas é bom saber que podemos revisitá-los vezes sem conta sem nunca nos cansarmos. Simplesmente adoro isto!


domingo, 18 de novembro de 2012

A CONQUISTA DO OESTE de Henry Hathaway, John Ford e George Marshall


Antigamente, quando os meses de Verão se aproximavam, os cinemas voltavam ao passado e reponham êxitos de outros tempos, proporcionando a malucos do cinema como eu a visão de filmes que, de outra forma nunca, iríamos conseguir ver (isto foi antes dos tempos do vídeo e da internet).

Em 1979, um desses filmes foi este western com elenco de luxo. Uma super-produção em 70mm, contava a história de uma família através de várias gerações e o filme dividia-se, salvo o erro, em cinco partes. Recordo-me de uma excitante sequência nuns rápidos, da carga de uma manada de búfalos sobre os colonos (ou seria sobre a linha do comboio?) e da Debbie Reynolds a cantar. A música do filme, da autoria de Alfred Newman, era muito boa e ainda o é.

Um verdadeiro épico, daqueles que já não se fazem e que devem ser vistos no ecrã gigante de um cinema como o velho Império, presentemente transformado numa “igreja”.

A AVENTURA DO POSEIDON de Ronald Neame


Outra reposição no cinema Império, desta vez de um dos mais famosos filmes catástrofe da história do cinema. A história é conhecida; na noite da passagem de ano uma onde gigante vira o grande navio Poseidon de pernas para o ar e os sobreviventes tentam chegar à superfície.

O suspense era palpável, os efeitos sem CGI bons ao ponto de receberem um Óscar, o elenco estava recheado de gente talentosa e o resultado final é mesmo um dos filmes melhores filmes deste género. Eu sei que este não foi o primeiro exemplo do género, mas era tão eficaz que lançou as regras que se viriam a aplicar aos títulos que se seguiram, nomeadamente os produzidos pelo mestre do género, Irwin Allen.

Esqueçam a desinteressante remake e vejam é o original! Deixo-vos aqui o cartaz da reposição e "teasers" usados para promover a estreia no Condes e Berna em 1973.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

MELODIA INTERROMPIDA de Curtis Bernhardt


No velho cinema Europa, houve uma altura em que tinham umas sessões especiais chamadas de “Quinta-feira à Tarde”, onde passavam filmes já com muitos anos. Infelizmente só me lembro de ir a uma dessas sessões.

O filme que vi foi este MELODIA INTERROMPIDA, um drama biográfico que contava a história de Marjorie Lawrence. Ela foi uma famosa estrela do mundo da ópera que um dia se vê condenada a uma cadeira de rodas, pensando que assim acabava a sua carreira. Com a ajuda do marido ela começa a cantar para soldados que ficaram deficientes e aos poucos e poucos recomeça a sentir-se viva.

Pela história, já devem ter percebido que estamos perante um daqueles grandes melodramas que Hollywood fazia tão bem nos anos 40/50. Confesso que adoro o género, sempre povoado por divas “bigger than life” e capaz de me fazer chorar. Neste filme, a diva era a bonita e talentosa Eleanor Parker, que com este papel conseguiu uma nomeação para o Óscar de melhor actriz desse ano. Esta actriz que hoje em dia é sobretudo conhecida pelo seu papel de Baronesa em MÚSICA NO CORAÇÃO, teve uma ilustre carreira e merecia ser redescoberta.

Quanto ao filme, lembro-me perfeitamente de chorar no final. Tenho saudades destes melodramas e deste tipo de actrizes. 


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

FILMES QUE VI MAS ESQUECI: 1979 - Parte 3


Aqui ficam mais dois títulos estreados em Lisboa me 1979. Vi os dois em Maio desse ano e apesar de ter gostado, recordo-me de muito pouco.

OS RAPAZES DA COMPANHIA C de Sidney J. Furie – um grupo de jovens soldados no Vietname, desde o seu treino à verdadeira acção. Tenho ideia do filme ter umas nuances gay, mas não me lembro porque achei isso Só me lembro de uma cena em que um dos soldados se atira para cima de uma mina, salvando a vida dos seus colegas ou seria de outras pessoas? Julgo que esta cena se passava num estádio de futebol, mas não tenho a certeza.

ALGUÉM MATOU O MARIDO DELA de Lamont Johnson – nesta comédia feita na tentativa de tornar Farrah Fawcett-Majors  numa estrela de cinema, o marido da sua personagem é assassinado e os principais suspeitos são ela e o seu amante, Jeff Bridges. Acho que o filme era divertido, mas não me lembro absolutamente de nada.




domingo, 11 de novembro de 2012

ARGO de Ben Affleck


Em Novembro de 1979, no Irão, a Embaixada norte-americana é invadida por revolucionários iranianos e os funcionários são feitos reféns. No entanto, seis deles conseguem escapar e refugiam-se na casa do embaixador do Canadá, mas a sua situação é perigosa e cabe a um agente da CIA, especialista em situações deste género, resgatá-los. A fim de o fazer, ele inventa um filme de ficção-científica, cujas filmagens poderão ter lugar no Irão e os seis funcionários passam a ser membros da equipa de produção.

Se isto não fosse baseado numa história verídica, diríamos que os argumentistas de Hollywood se tinham passado e criado a menos credível situação para um filme do género. Mas, como acontece muitas vezes, a realidade é mais estranha que a ficção e o resultado é incrível. Como é que eles se lembraram de tal coisas? Só os americanos!

O filme vem provar que Ben Affleck é muito melhor realizador do que actor. Conseguindo aqui um retrato realista e impressionante de uma situação de risco que nos cola à cadeira até ao último minuto. Affleck tem aqui o seu grande momento de realizador e não me surpreenderia se ele fosse nomeado para o Óscar nessa categoria. A reconstituição de época é tão real que por momentos pensei que algumas das cenas eram de arquivo. Affleck dá-nos assim um inesquecível documento de uma situação conturbada, conseguindo manter o suspense e fazer-nos torcer pelos seus personagens. Acho mesmo que este filme poderá ser um dos grandes nomeados aos prémios de cinema relativos a este ano.

Aflleck pode não ser um actor muito expressivo, mas é sem dúvida um excelente director de actores, conseguindo boas interpretações por parte de todo o elenco. Dentro deste tenho que destacar a presença bem disposta e convincente de Alan Arkin e John Goodman, bem como de Scott McNairy, como o funcionário que não acredita que a missão poderá ter sucesso. Quanto a Affleck, o rapaz até que nem se porta mal no seu papel.

Um dos filmes mais interessantes e emocionantes do ano. A não perder! Classificação: 8 (de 1 a 10)




domingo, 4 de novembro de 2012

AS PALAVRAS (The Words) de Brian Klugman e Lee Sternthal


Um escritor, Clay, apresenta o seu novo livro a uma plateia de fãs. Este conta a história de um outro escritor, Rory, a quem por acidente um velho manuscrito vai parar às mãos e ele consegue-o publicar como sendo seu; o livro é um sucesso, mas o autor original aparece e as coisas complicam-se.

Para o seu primeiro filme como realizadores e argumentistas, Brian Klugman e Lee Sternthal dão-nos um drama baralhante e que deixa muita coisa por explicar. O coração do filme é a história de Rory e do livro que ele “rouba”, sendo também esta a parte mais interessante do filme. A história de Clay é a que deixa mais coisas em aberto, a começar por qual a ligação entre ele e Rory, se é que existe alguma. Quanto à história do autor do livro “roubado” é a mais convencional.

Quanto ao elenco, o filme pertence por direito a Bradley Cooper e a Jeremy Irons. O primeiro, para além de ser um borracho simpático, é um bom actor, capaz de nos fazer acreditar no seu personagem. Quanto a Irons, como a versão velha do autor original, está de volta ao bom caminho e espero que continue. Já Dennis Quaid, que está cada vez mais fisicamente parecido com Jack Nicholson, não me convenceu como Clay e Ben Barnes é demasiado inexpressivo e foi uma má escolha para o papel da versão jovem do autor original. As bonitas Zoe Saldana e Olívia Wilde não têm grande hipótese de brilhar neste filme de homens, que poderá cativar mais o público feminino.

Este é um daqueles filmes que poderá dar azo a muitos debates entre amigos, pois é livre de várias interpretações. Pessoalmente não desgosto disso, mas gostava de me ter sentido mais envolvido na história. Classificação: 5 (de 1 a 10)