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sábado, 22 de julho de 2017

LADY MACBETH de William Oldroyd

A História: Na Inglaterra rural do século 19, Katherine é uma jovem que foi comprada para casar com um homem mais velho que não sente qualquer desejo ou amor por ela. Quando este e o seu austero pai se ausentam por uma temporada, Katherine enrola-se com Sebastian, um dos empregados do marido, por quem se apaixona perigosamente.

Os Actores: A jovem Florence Pugh é excelente como Katherine e consegue, apesar de todas as coisas más que a sua personagem faz, colocar-nos do lado dela. Ela tão depressa parece uma mulher fria e inexpressiva, como se transforma numa mulher loucamente apaixonada e muito “caliente”. O filme pertence-lhe por direito! O restante elenco dá autenticidade aos seus personagens e apenas Cosmo Jarvis, como Sebastian, falhou em me convencer pela sua paixão por Katherine... se calhar ele só quer é sexo.

O Filme: Na sua estreia nas longas metragens, William Oldroyd revela-se um realizador cuidado, de grande sentido estético, que sabe como nos prender ao ecrã, apesar do ritmo por vezes lento da acção. Os jogos de sedução e crime que pontuam a história, estão bem desenvolvidos, sem nunca caírem no gratuito e mantendo o filme num constante ambiente de tensão. O desenrolar final dos acontecimentos não surpreende, mas faz todo o sentido e a imagem de Katherine sentada no seu sofá irá assombrar-me pelos próximos tempos. Para mim, o lado mais interessante do filme é a forma em como somos manipulados a gostar de uma jovem capaz de assassinar a sangue frio, como se a sua situação amorosa justificasse qualquer uma das suas acções. Sem dúvida um filme interessante e um novo realizador a ter em atenção.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




quarta-feira, 19 de julho de 2017

DUAS MULHERES, UM DESTINO (Sage Femme) de Martin Provost

A História: Claire, uma parteira solitária, recebe um telefonema da antiga amante do seu pai, Béatrice, a qual levou este ao suicídio quando o deixou. Curiosa por saber o que ela fez com a sua vida, Claire aceita encontrar-se e juntas acabam por criar laços de amizade.

Os Actores: Duas grandes Catherines, Frot e Deneuve, dão vida, respectivamente, a Claire e a Béatrice. A química que partilham entre si é a alma e o coração deste drama pontuado por humor. Ambas dão-nos excelentes interpretações e há muito tempo que não via Deneuve tão bem; a verdade é que o papel lhe assenta que nem uma luva e o mesmo se pode dizer do papel de Frot.

O Filme: Imagino o prazer que deve ter dado ao realizador Martin Provost não só dirigir este duo de actrizes, como também escrever estes papéis para elas. A sua câmara filma-as com amor e carinho e tudo o resto é quase secundário. É um drama por vezes comovente que nos fala de pessoas reais, em cujas vidas não acontece nada de especial e que, no entanto, têm vidas tão ricas em emoções que nos fazem acreditar que, apesar dos problemas, é bom estarmos e sentirmo-nos vivos. Não é uma lição de moral, mas apenas um pequeno filme, com grandes actrizes e uma história simples, sem pretensões de ser artístico ou de nos revelar grandes verdades.

Classificação: 6 (de 1 a 10)


domingo, 2 de julho de 2017

PARIS PODE ESPERAR (Paris Can Wait / Bonjour Anne) de Eleanor Coppola

A História: Anne, a esposa de um produtor de cinema, aceita uma boleia de carro até Paris, na companhia de Jacques, um sócio do marido, enquanto este voa até Budapeste. Pela estrada fora, Anne descobre uma França que desconhece e o prazer da comida francesa.

Os Actores: A sempre bonita Diane Lane está em pleno estado de graça, iluminando o ecrã com toda a sua naturalidade e beleza. No papel de Jacques, Arnaud Viard é um charmoso sedutor e, num pequeno papel, Alec Baldwin limita-se a ser ele próprio.

O Filme: Esta simples comédia convida-nos a fazer uma simpática viagem de carro por terras de França, enquanto nos desperta os sentidos para a sedutora cozinha francesa. Curioso como, para a sua estreia na realização de filmes de ficção, a esposa de Francis Ford Coppola, Eleanor Coppola, optou por nos dar uma obra levezinha, que se segue com um sorriso nos lábios e que nos deixa com “água na boca”. O filme também tem um humor muito leve que assenta que nem uma luva nas presenças de Diane Lane e Arnaud Viard. Vê-se como uma refrescante brisa de Verão, sem grandes rasgos, mas sem dúvida agradável de assistir.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



terça-feira, 27 de junho de 2017

IN MEMORIAM (The Last Word) de Mark Pellington

A História: Harriet é uma mulher de idade avançada que decide contratar uma jovem jornalista para escrever o seu obituário. Para o efeito, a jovem contacta as pessoas cujas vidas se cruzaram com a de Harriet e descobre que ninguém tem nada de bom para dizer sobre ela. É então que Harriet decide alterar a sua vida.

Os Actores: Shirley MacLaine é, e sempre foi, uma das melhores actrizes de sempre; uma força da natureza tão boa em dramas como em comédias. Aqui, com a bonita idade de 83 anos, ela é a alma e o coração do filme, dando-nos uma interpretação que tem tanto de divertida como de emocional. A seu lado, a jovem Amanda Seyfried aguenta-se bem com o confronto com esta grande veterana e consegue ter também os seus momentos. No papel da pequena Brenda, AnnJewel Lee Dixon é um bocadinho irritante.

O Filme: Existem filmes que vivem apenas de personagens fortes e de histórias simples, sem necessidade de grandes filosofias ou efeitos especiais. Este é um desses pequenos filmes, que se segue com interesse, com um sorriso nos lábios e, por vezes, uma lágrima ao canto do olho. O realizador Mark Pellington quase que se limita a apoiar Shirley MacLaine, sem grandes floreados mas deixando, por vezes, algumas cenas prolongarem-se por demasiado tempo. Não há surpresas a nível de argumento e o desfecho é previsível, mas é sempre um grande prazer ver MacLaine no grande ecrã e ela é razão suficiente para ser ver o filme.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



quinta-feira, 15 de junho de 2017

BORBOLETA NEGRA (Black Butterfly) de Brian Goodman

A História: Paul é um escritor com um bloqueio artístico que vive isolado numa montanha. Um dia, após uma discussão numa cafetaria, onde é “salvo” por um estranho (Jack), convida-o para sua casa e depressa percebe que cometeu um erro. Entretanto, um psicopata anda a matar mulheres pelas redondezas.

Os Actores: Há muito tempo que não via o Antonio Banderas, mas aqui tem um dos piores desempenhos da sua carreira. Exagerado e nada convincente, o seu Paul é tão mau que até dá pena. A seu lado Piper Perabo e Jonathan Rhys Meyers não estão muito melhor.

O Filme: O maior defeito deste thriller cheio de twists, mas sem grandes surpresas, é o ar artificial que acompanha toda a história. O realizador Brian Goodman dá-nos um filme onde tudo parece forçado e nada parece real. A seu favor tem o facto de não ser chato, mas mesmo assim a história flui sem interesse e os personagens nada têm de credível. Quanto menos eu escrever sobre a história, maior a chance de poderem ser surpreendidos com os acontecimentos, por isso direi apenas que tem twists a mais e nenhum deles me convenceu.

Classificação: 2 (de 1 a 10)



domingo, 11 de junho de 2017

MULHER-MARAVILHA / A MÚMIA


No meu blog JORGE’S DARK PLACE podem ler a minha opinião sobre estes dois filmes, bem como ver uma galeria de cartazes, oficiais e não oficiais, dos mesmos. Para o visitarem é só clicarem aqui: http://jorgesdarkplace.blogspot.pt

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O SENTIDO DO FIM (The Sense of an Ending) de Ritesh Batra

A História: Tony é um reformado divorciado que parece estar bem com a sua vida. Ao receber uma carta de uma antiga namorada, referente a uma pequena herança que lhe foi deixada pela mãe desta, começa a recordar o seu passado e é obrigado a rever algumas das suas acções.

Os Actores: Não tenho nada contra Jim Broadbent e até acho que ele é um bom actor, mas nunca simpatizei muito com o senhor. Talvez por isso não tenha sentido qualquer tipo de empatia com o seu personagem; ele é convincente no papel, mas não mexeu comigo. O jovem Billy Howle dá vida à mesma personagem quando jovem e só me fez lembrar, fisicamente e no estilo de interpretação, Eddie Redmayne. No papel da jovem Veronica, Freya Mavor revela-se uma actriz promissora e, na versão mais velha, Charlotte Rampling empresta a Veronica o seu lado frio e olhar penetrante. Em papéis secundários, Harriet Walter, Michelle Dockery, Matthew Goode e Emily Mortimer dão credibilidade às suas personagens.

O Filme: O filme anterior de Ritesh Batra, DABBA (A Lancheira), foi para mim uma agradável surpresa e foi cheio de pensamentos positivos que fui ver este filme. Baseado num best-seller de Julian Barnes que eu não li, é um drama que promete mais do que aquilo que, emocionalmente falando, me ofereceu. Acredito que o facto do personagem principal não ser muito interessante não ajuda nada e, por vezes, achei que a acção se arrastava um pouco. Tenho pena que a personagem de Veronica (a antiga namorada) não tenha sido mais explorada, pois é a personagem mais cativante da história. Achei graça a uns pequenos apontamentos homoeróticos (por exemplo: a cena entre Tony e o irmão de Veronica), mas estes não vão a lado nenhum. Depois é tudo um bocado contido, sem grandes oscilações de humor, drama ou emoção. Gosto de filmes mais emotivos, que me consigam prender à história que contam e não é esse o caso com este SENSE OF AN ENDING, cujo título poético parece prometer algo de diferente e mais intenso.

Classificação: 4 (de 1 a 10)


terça-feira, 2 de maio de 2017

FÁTIMA de João Canijo

A História: Tal como diz no cartaz, acompanhamos a viagem de “11 mulheres ao longo de 9 dias e 400 km até chegarem a Fátima”; pelo caminho ficamos a conhecer um pouco de cada uma delas, tanto o bom como o menos bom.

Os Actores: Rita Blanco e Anabela Moreira lideram este elenco feminino com naturalidade e talento, onde, para além delas, se destaca Vera Barreto. Mas, na verdade, estão todas bem e tornam as suas personagens reais. Fazem-nos acreditar na sua fé (se bem com um palavreado pouco próprio para beatas), nas suas dores físicas e emocionais, nas suas rivalidades e fazem-no com a dose certa de humor.  

O Filme: Muita gente poderá pensar que este filme de João Canijo é uma experiência religiosa, uma homenagem à fé e a Fátima. Nada disso, as suas personagens podem ser um grupo de beatas, mas nenhuma delas revela uma devoção muito intensa. Um dos aspectos mais curiosos é o facto de não sabermos quais os motivos ou promessas que levam estas mulheres a fazer esta peregrinação, o que interessa a Canijo é a viagem e as relações que se criam entre as suas personagens. Li algures que ele deu liberdade às actrizes de improvisarem os seus diálogos e isso é uma mais valia, pois dá uma naturalidade ao filme que o torna mais real. Por vezes quase que se sente o cheiro que deve inundar as roulottes onde elas dormem. Mas duas horas e meia é demasiado tempo para acompanhar estas personagens e dispensava longos planos de elas a caminharem sozinhas, onde nada acontece; acredito que isso tenho como objectivo sentirmos o cansaço que elas sentem, mas não havia necessidade. Como também não havia necessidade de as ver todas nuas a tomarem banho; não tenho nada contra a nudez, mas achei a cena um pouco gratuita. Também li que existe uma versão mais longa do filme, mas para mim esta chega e sobra.

Classificação: 5 (de 1 a 10)


terça-feira, 25 de abril de 2017

O JARDIM DA ESPERANÇA (The Zookeeper’s Wife) de Niki Caro

A História: Em Varsóvia, durante a perseguição dos Nazis aos judeus, Antonina e Jan Zabinski, os donos do jardim zoológico local, ajudam vários judeus a escapar às garras dos Nazis.

Os Actores: A grande Jessica Chastain, que este ano já nos brindou com a sua inesquecível interpretação em MISS SLOANE, está de regresso para voltar a iluminar o ecrã com a sua beleza e talento natural. Chastain é daquelas actrizes que faz parecer que não é necessário esforço para dar vida às personagens. Ela é, sem dúvida, a melhor coisa deste drama e, com excepção de Daniel Brühl como o “mau” da fita, o restante elenco não está à sua altura.

O Filme: Baseado numa história verídica e numa altura em que nos chegam notícias sobre homossexuais que são postos num campo de concentração na Chechénia e em que a religião das Testemunhas de Jeová é proibida na Rússia, este filme recorda-nos o flagelo que foi o Nazismo. Não devemos esquecer que o Nazismo começou com pequenas perseguições, que pareciam inconsequentes e que se transformaram naquilo que a História nos conta. A realizadora Niki Caro pega na história dos Zabinski e dá-nos uma visão mais intimista da perseguição aos judeus, mas acho que posso dizer que o faz de uma forma algo ligeira. O filme tem momentos dramáticos, daqueles capazes de pôr o público a chorar, mas confesso que as cenas que mais mexeram comigo foram as que envolvem os animais. Acho que nunca tinha pensado em como terá sido a vida de animais encarcerados numa cidade a ser bombardeada e acreditem que me fez muita impressão. Para mim, o problema deste filme, com o qual não fui capaz de me sentir emocionalmente muito envolvido, é que a história dos Zabinski, apesar dos perigos reais que viveram, é muito delicodoce, falta mais dramatismo à mesma e talvez um lado mais negro que contrastasse com a bonita fotografia de Andrij Parekh.

Classificação: 5 (de 1 a 10)



MA LOUTE de Bruno Dumont

A História: Vários turistas andam a desaparecer sem deixar rasto nas praias de uma pequena localidade de grande beleza natural, cabendo ao inspector Machin desvendar o mistério. Ao mesmo tempo, a excêntrica família dos Van Peteghems, vai passar o Verão na grande mansão que possuem junto a essas praias. Os destinos de todos depressa se cruzam.

Os Actores: Preparem-se  para ver os excelentes actores Fabrice Luchini, Juliette Binoche e Valeria Bruni Tedeschi como nunca os viram. Não quero com isto dizer que tenha achado que eles estão no seu melhor, mas acredito que devem ter cumprido as ordens do seu realizador e, tal como o restante elenco, devem ter-se divertido mais a fazer o filme do que eu a vê-lo. As suas interpretações são naturalmente exageradas, a fazer lembrar caricaturas.

O Filme: Se gostam de cinema absurdo, surrealista, mesmo bizarro, esta comédia francesa é para vocês. O filme começa bem e durante os primeiros 15/20 minutos ri-me imenso e com gosto; pensei mesmo que poderia estar a ver a comédia do ano. Infelizmente, o que no princípio tem graça, ao fim de algum tempo, com a repetição das situações, acaba por perder a mesma. O realizador/argumentista Bruno Dumont mistura o humor “splastick”, a fazer lembrar as comédias de Bucha e Estica (achei que as personagens do inspector e do seu ajudante são inspiradas nessa famosa dupla cinematográfica), com canibalismo, milagres e uma família verdadeiramente excêntrica (talvez estranha seja o termo mais correcto). Claro que nada disto é para levar a sério, mas a acção arrasta-se por demasiado tempo e o resultado final está aquém da promessa dos primeiros 15/20 minutos de filme. Mas não deixa de ser um objecto curioso... se ao menos fosse mais curto.

Classificação: 3 (de 1 a 10)