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domingo, 26 de fevereiro de 2017

VEDAÇÕES (Fences) de Denzel Washington

A História: América anos 50. Troy, um afro-americano, cuida da sua família da melhor forma que sabe, ao mesmo tempo que se vê obrigado a enfrentar as consequências dos seus actos extraconjugais.

Os Actores: Os actores devem adorar quando lhes dão papéis fortes, que podem defender e interpretar com todo o seu talento. É esse o caso do elenco deste drama. Denzel Washington, longe do seu registo habitual, dá-nos um personagem amargo e irritante, que apetece odiar, mas de quem ao mesmo tempo sentimos alguma pena. A seu lado, Viola Davis é simplesmente brilhante e rouba todas as cenas em que aparece. O jovem Jovan Adepo é uma revelação no papel do filho de ambos. Em papéis mais secundários, Mykelti Williamson relembra-nos do seu talento no papel do irmão de Troy e Stephen Henderson convence como o velho amigo de Troy.

O Filme: No seu regresso à cadeira de realizador, Denzel Washington adapta ao cinema a peça de teatro de August Wilson, com a qual ele e Viola Davis ganharam em 2010 os Tony para melhores actores dramáticos da Broadway. O argumento foi adaptado pelo autor da peça e talvez tenha sido esse o problema, pois achei o filme demasiado teatral na sua estrutura. Nunca vi a peça, mas Washington filma quase como se tivesse num palco, conseguindo criar uma sensação de claustrofobia, mesmo nas cenas ao ar livre. Não que isso seja mau, mas acredito que funcione melhor em palco. O texto é denso e ao princípio um bocado desinteressante, mas depois melhora e capta a nossa atenção. Por vezes comovente, o resulto varia com o tipo de ligação que sentirem com os personagens; pessoalmente, senti-me um mero espectador. Acima de tudo é um filme de actores e por esse lado merece uma visita ao cinema.

Classificação: 6 (de 1 a 10)





MULHERES DO SÉCULO XX (20th Century Women) de Mike Mills

A História: Dorothea, uma mulher a criar sozinha o seu filho adolescente, pede às suas duas hóspedes, Julie e Abbie, que a ajudem na educação do filho.

Os Actores: Nunca percebi porque razão é que Annette Bening nunca conseguiu o estatuto de actrizes como Glenn Close ou mesmo Meryl Streep. Como esta última, Bening é uma actriz versátil que capta a nossa atenção e cujas interpretações elevam sempre o nível dos filmes em que aparece. Aqui é excelente como uma mulher que não sabe muito bem como proceder com o seu filho e que ao mesmo tempo sente uma enorme necessidade de viver. No papel do filho, Lucas Jade Zumann cativa com o seu ar inocente, ingénuo e super curioso. Gostei imenso da interpretação de Billy Crudup como um mecânico meio hippie por quem Dorothea se sente atraída. Greta Gerwig vai bem no seu registo habitual e Elle Fanning continua a cultivar o seu ar de falsa inocente.

O Filme: Gostei imenso do filme anterior de Mike Mills, BEGINNERS, onde Christopher Plummer surpreende o seu filho Ewan McGregor ao dizer-lhe que tem um cancro e um jovem amante masculino. As minhas expectativas por este novo filme eram altas e talvez por isso tenha ficado decepcionado. Enquanto comédia não me fez sorrir muito e enquanto drama não me tocou emocionalmente. A premissa era boa, mas senti que a estrutura quase episódica da acção não ajuda a criarmos uma ligação com os personagens e por vezes parece afastar-se do assunto principal, a relação entre mãe e filho. Para mim os melhores momentos são um jantar onde se discute a menstruação e a cena em que Bening e Crudup dançam ao som de dois discos distintos, supostamente um deles para “straights” e o outro para “gays”.

Classificação: 4 (de 1 a 10)




domingo, 12 de fevereiro de 2017

JACKIE de Pablo Larraín

A História: Após o assassinato do Presidente John Kennedy, a sua esposa Jackie esforça-se por ultrapassar o seu desgosto e choque, ao mesmo tempo que luta para garantir que o seu marido fique para sempre na memória do povo americano.

Os Actores: Natalie Portman é uma perfeita Jackie Kennedy, uma mulher que disfarça a sua força usando como fachada uma personalidade frívola e quase tonta. Sim, ela fala de uma forma estranha, mas supostamente era assim que falava Jackie. Como o irmão de John Kennedy, Peter Sarsgaard tem um ar desgastado e infeliz. Greta Gerwig muda finalmente de registo como Nancy, uma empregada e amiga de Jackie. Billy Crudup é o jornalista que quer revelar a visão de Jackie sobre os acontecimentos e, no que jugo ter sido um dos seus últimos desempenhos, John Hurt convence como o padre a quem Jackie se confessa.   

O Filme: O ano passado, o realizador Pablo Larraín deu-nos o fortíssimo EL CLUB e esperava mais desta sua estreia no cinema americano. Não é que o filme seja mau, mas os acontecimentos são-nos mostrados quase como se de um documentário se tratasse, sem grande emoção. Para mim o momento mais interessante é já perto do final, quando ao passar por uma loja de moda, Jackie percebe que marcou a sua época, ou melhor, o seu reinado. Como Jackie diz e muito bem, o governo de Kennedy foi uma espécie de Camelot, um tempo de sonhos e fantasia que durou pouco. Gostava que esta abordagem tivesse sido mais explorada e, como apaixonado que sou por musicais, adorei ouvir a canção tema do musical CAMELOT, pelos vistos um favorito de John Kennedy. A música de Mica Levi é omnipresente no decorrer da acção, dando ao filme uma atmosfera lúgubre, e o guarda-roupa de Madeline Fontaine recria na perfeição o universo de Jackie e dos anos 60. Mas o filme é sobretudo Natalie Portman e, se bem que não acho que ela mereça este ano o Óscar, ela está mesmo muito bem.

Classificação: 5 (de 1 a 10)




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ELEMENTOS SECRETOS (Hidden Figures) de Theodore Melfi

A História: Katherine, Dorothy e Mary são três inteligentíssimas mulheres negras a fazerem trabalhos de baixa categoria na NASA, onde são tratadas com desdém por serem negras e mulheres. Quando os especialistas masculinos da NASA não sabem como bater os russos na corrida espacial, é a oportunidade delas mostrarem o quanto valem.

Os Actores: Este é daqueles filmes onde se percebe que o elenco foi escolhido a dedo com resultados excelentes. Não há um elo fraco no meio dos actores, mas claro que o destaque natural vai para Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe como as três corajosas mulheres que, à sua maneira, mostraram o quanto valem as mulheres e os negros. Qualquer uma delas tem o seu momento na ribalta e juntos formam um trio imbatível. O sempre charmoso Kevin Costner está em grande forma como o seu chefe e Jim Parsons convence como um invejoso colega. Quanto a Kirsten Dunst, mais uma vez prova que é óptima a fazer de cabra.

O Filme: Quando leio que um filme é inspirado em factos verídicos fico sempre com algum receio, pois em muitos dos casos o resultado é uma drama lamechas e muito sério. Felizmente, o realizador Theodore Melfi revela um engraçado sentido de humor que nos cativa desde o início até ao final. Percebe-se que ele filma as suas personagens com carinho, misturando habilmente a sua vida profissional com a pessoal, levando-nos a envolver emocionalmente com estas brilhantes mulheres. Claro que ele também nos faz sentir raivosos pela forma com elas são tratadas pelos brancos e, por vezes, deu-me vontade de morder em alguns deles, mas nunca me senti manipulado. Gostei dos momentos de conflito e suspense que são criados e saí do cinema satisfeito, com um sorriso feliz nos lábios!

Classificação: 7 (de 1 a 10)















domingo, 5 de fevereiro de 2017

DOIS FILMES DE TERROR

FRAGMENTADO (Split) de M. Night Shyamalan
Não há dúvida que o realizador/argumentista M. Night Shyamalan sabe como captar a nossa atenção e prender-nos à cadeira. Infelizmente, o clímax não é tão forte como poderia ter sido, mas James McAvoy é simplesmente extraordinário no papel do homem com 23 personalidades distintas.

A DESAPARECIDA, O ALEIJADO E OS TROGLODITAS (Bone Tomahawk) de S. Craig Zahler
Depois de ter ouvido falar tanto deste filme, as minhas expectativas eram altas e fiquei muito desiludido. Não é que seja mau, mas senti que a acção se arrasta por mais de duas horas. o melhor é mesmo o delicioso título com que o filme foi baptizado em Portugal.


No meu blog JORGE’S DARK PLACE podem ler a minha opinião sobre o filmes, bem como ver uma pequena galeria de cartazes dos mesmos: jorgesdarkplace.blogspot.pt

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

LA LAND LAND: MELODIA DE AMOR (La La Land) de Damien Chazelle

A História: Sebastian é um pianista de jazz, Mia é uma aspirante a actriz. Os seus caminhos cruzam-se em Los Angeles e dos apaixonam-se, mas os seus sonhos pessoais ameaçam o futuro da sua relação.

Os Actores: Às vezes é assim, dois actores parecem perfeitos um para o outro e o resultado causa faíscas no ecrã. É esse o caso de Emma Stone e Ryan Gosling; a química entre ambos é palpável e não consigo imaginar outro par contemporâneo que pudesse estar tão bem. É verdade, as suas qualidades enquanto cantores e bailarinos não são o seu melhor talento, mas os números musicais fluem nas suas mãos e fazem-nos acreditar que qualquer um de nós poderia fazer o mesmo. Stone é definitivamente melhor e mais versátil do que Gosling, pelo que não me espantaria se este ano o Óscar de melhor actriz fosse ter à sua mão, mas ele tem uma presença que enche o ecrã. Juntos são explosivos!

O Filme: O filme anterior do realizador Damien Chazelle foi o excelente WHIPLASH e estava muito curioso para ver o que ele faria a seguir, mas não estava à espera de um musical. O que muita gente pode não saber, é que o Musical enquanto género cinematográfico é talvez o mais difícil de se conseguir fazer. Uma série de factores têm que estar em harmonia para nos conseguir fazer acreditar que o que estamos a ver no ecrã pode ser real. Este género foi, e continua a ser, o meu preferido e é sempre com receio que vou ver um novo filme musical. Felizmente, Chazelle tem o talento que é necessário para nos fazer acreditar nesta bonita, fantasista e realista história de amor. A sua câmara dança com os actores e trouxe-me à memória clássicos da MGM, como por exemplo AN AMERICAN IN PARIS ou THE BAND WAGON. O filme tem ainda uma atmosfera anos 60 que me fez lembrar os musicais de Jacques Demy (nomeadamente o LES DEMOISELLES DE ROCHEFORT) e a música tem uma sonoridade semelhante ao trabalho de Michel Legrand, compositor dos musicais de Demy. Gosto muito do facto de Chazelle não ter abandonado os famosos “finais felizes”, mas deu-lhes uma volta brilhante sem pretensões de reinventar o género, mas mais não posso revelar. Muitos irão dizer que Stone e Gosling estão longe de ser um novo Astaire e Rogers (mesmo sem saberem quem estes são), mas se pensarem isso não perceberam que o importante é viver o sonho; a grande mensagem de Chazelle é que qualquer um de nós pode fazer um número musical, mesmo sem termos grande talento. Visualmente cuidado e perfeito, é um filme que nos faz sonhar e que levanta a moral. Muitos vão achar ridículo que os personagens cantem e dancem, pessoalmente adoro isso, mas sou suspeito, pois amo de paixão o Musical! A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)