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domingo, 26 de março de 2017

JUDAICA 2017 – MOSTRA DE CINEMA E CULTURA

Na próxima terça-feira, dia 28 de Marcço, no Cinema São Jorge em Lisboa, inicia-se a edição deste ano do JUDAICA – MOSTRA DE CINEMA E CULTURA, onde irão ser exibidos vários filmes e documentários. A Mostra decorre no São Jorge até dia 2 de Abril, seguindo depois para Cascais (6 a 9 de Abril), Belmonte (5 de Maio e 3 de Junho) e Castelo de Vide (12 sde Maio a 10 de Junho).

Como todos os pretextos são bons para eu procurar cartazes de filmes, aqui vos deixo uma galeria com cartazes de quase todos os filmes e documentários que vão ser exibidos no decorrer da Mostra.

Para mais informações aconselho a visitarem o site da Mostra, para isso basta clicarem aqui.




















segunda-feira, 20 de março de 2017

A BELA E O MONSTRO (Beauty and the Beast) de Bill Condon

A História: Um príncipe sem coração é transformado num Monstro e, a não ser que alguém se apaixone por ele, viverá assim para todo o sempre. Belle é uma jovem diferente das outras que a fim de salvar o seu pai, fica a viver no palácio amaldiçoado do Monstro.

Os Actores: Desde que a vi na saga do Harry Potter que Emma Watson não me conquista; não gosto do seu ar de “cabra” sonsa e não estava a imaginá-la no papel de Belle. Felizmente, ela até não se porta mal, dando-nos uma Belle independente, senhora do seu nariz e não muito doce; os seus dotes vocais não são muito bons, mas safa-se bem nas canções. No campo da voz, Dan Stevens como o Monstro e Luke Evans como Gaston, revelam vozes fortes e quentes, que condizem com os seus personagens. No papel de LeFou, Josh Gad é muito divertido e uma das melhoras coisas deste filme. Um elenco de luxo dá vida aos personagens amaldiçoados, com destaque para Audra McDonald como a fabulosa Madame Garderobe (o guarda-vestidos) e Emma Thompson como a doce Mrs. Potts (o bule de chá).

O Filme: A pergunta essencial aqui é, ganhamos alguma coisa que uma versão em figura real do clássico de animação da Disney? A resposta é, não; na realidade, com excepção de uma ou duas novas canções, esta remake não trás de novo nem ao original nem ao musical da Broadway. Tendo em conta que mais de metade dos personagens principais são puro CGI, o que não os distingue muito do filme de animação, talvez não faça muito sentido esta nova versão. Agora esqueçam-se de tudo isso e deixem-se levar pela magia desta nova produção da Disney. Eu sou suspeito, não só adoro contos de fadas como sou um verdadeiro apaixonado por musicais e aqui ambos os géneros se juntam para nos dar um espectáculo luxuoso digno de ser apreciado no grande ecrã de um cinema.
Com DREAMGIRLS, o realizador Bill Condon já tinha revelado ter talento para dirigir musicais e aqui volta a fazê-lo muito bem. Os números musicais fluem de forma natural, ao mesmo tempo que há toda uma atmosfera fantástica que envolve a acção, com um apurado sentido visual e a dose certa de humor. Muito se tem falado do personagem gay do filme, LeFou, e é ridículo toda a polémica que foi criada por causa disso; acho mesmo que essa característica do personagem já existia no original, por isso não percebo porque tanta conversa à volta deste assunto. O filme é muito mais que isso, com a sua mensagem que ser-se diferente não é uma coisa má, antes pelo contrário, e que a beleza importante é a interior.
Quanto às canções novas, a melhor é “Evermore” e pouca gente escreve canções tão emocionais como Alan Menken. Mas fiquei triste por, mais uma vez, a fabulosa canção “Be Human Again” não ter sido usada no filme. Foi escrita para o original, do qual foi cortada, tendo sido depois recuperada para o musical da Broadway. Aqui é substituída pela bonita “Days in the Sun”, mas esta não está ao mesmo nível.
Apesar de continuar a achar que o original é talvez o melhor filme de animação da Disney, gostei desta nova versão e deixei-me arrebatar pela sua magia; como é que eu podia resistir ao delírio visual de “Be Our Guest”? Por isso deixem-se convidar pela Disney e vão ao cinema evadir-se da realidade por umas horas!

Classificação: 7 (de 1 a 10)


















AQUARIUS de Kleber Mendonça Filho

A História: Clara, uma viúva de 65 anos, vive sozinha num apartamento junto à praia. Quando uma grande companhia decide comprar o prédio para o mandar abaixo e o transformar num condomínio de luxo, Clara recusa-se a vender o seu apartamento, entrando em guerra com eles.

Os Actores: No papel principal, a veterana Sonia Braga, que orgulhosamente ostenta as suas rugas, é simplesmente excelente como Clara, criando a sua personagem com grande naturalidade. A sua Clara é uma mulher apaixonada e apaixonante, de mente aberta, mas também agarrada à sua história. O restante elenco, apesar de ser todo muito bom e dar o apoio certo a Braga, nunca consegue estar à altura dela.

O Filme: Com duração de mais de duas horas, este filme podia tornar-se chato e, apesar de ter alguns apontamentos que pouco adiantam à história, a verdade é que se segue sempre com interesse, mas talvez ganhasse se fosse mais pequeno. O realizador Kleber Mendonça Filho consegue fazer-nos sentir empatia pela sua personagem e sem isso o filme não funcionaria. Apesar de se tratar de um drama, ele pontua o filme com humor e alguns momentos picantes (com pilas à mostra), que ajudam a prender-nos à história. É também um retrato de um Brasil corrupto, mas cuja situação retratada não acontece apenas no Brasil. Fala-nos ainda do confronto entre gerações com as velhas e tem uma cena brilhante onde, durante uma entrevista, ao perguntarem-lhe o que acha da música em MP3, Clara fala de um vinyl do John Lennon que comprou e a repórter falha em perceber a mensagem de Clara. No emocionante clímax, senti o meu coração a bater mais depressa do que normal e isso foi bom!

Classificação: 6 (de 1 a 10)




NERUDA de Pablo Larrain

A História: Chile anos 40. O famoso poeta Pablo Neruda, após juntar-se ao Partido Comunista, é perseguido por um inspector da polícia determinado em prendê-lo ou mesmo matá-lo

Os Actores: Depois de NO, o talentoso Gael García Bernal volta a ser dirigido por Pablo Larrai. O personagem do inspector, um homem quase a roçar o imbecil e que por vezes me fez lembrar o Inspector Closeau dos filmes da Pantera-Cor-de-Rosa, não lhe assenta muito bem e só quando fica com um ar completamente perdido é que ele brilha. No papel de Pablo Neruda, Luis Gnecco dá-nos um homem irritante, nada humilde e um bocado javardo; isso não ajuda muito a simpatizarmos com a sua luta; mas provavelmente Neruda era mesmo assim. Em termos de elenco, é Mercedes Morán, como a “mulher” de Neruda, quem mais se destaca, roubando a atenção em todas as cenas em que aparece.

O Filme: Este é o segundo filme de Pablo Larraín a estrear em Lisboa este ano; o outro foi o JACKIE e, quando escrevi sobre o mesmo mencionei o facto de o filme anterior de Larraín, O CLUBE, ser dos melhores que vi em 2016. Infelizmente, esta biografia sobre Pablo Neruda não está ao nível desse filme, sendo mesmo uma grande decepção. A primeira parte é enfadonha e desinteressante... tenho mesmo que confessar que travei uma luta inglória contra o sono. O filme só melhora na segunda parte, principalmente quando a personagem da “mulher” de Neruda está presente. As vozes off em nada ajudam a narrativa e falta alma ao filme. Mais do que uma simples biografia, o filme é sobre a obsessão de um homem em apanhar outro, só que esse lado só ganha força mais ou menos nos 30 minutos finais, principalmente na perseguição na neve.

Classificação: 3 (de 1 a 10)