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domingo, 6 de maio de 2012

TEMOS DE FALAR SOBRE KEVIN (We Need to Talk About Steve) de Lynne Ramsay


Eva, um espírito livre, abdica de tudo para se dedicar à família e criar o seu pequeno Kevin. O problema é que Kevin é uma criança estranha, difícil, quase diabólica, que dá com ela em doida.  Aos 15 anos, ele comete um crime horrendo, mergulhando a vida de Eva num verdadeiro inferno.

Há filmes assim, que mesmo quando acabam não conseguimos deixar de pensar neles. Focando um tema controverso, o assassínio de um grupo de estudantes por um colega, a realizadora Lynne Ramsay foge do acto em si e debruça-se sobre a relação do jovem com a sua família, principalmente com a sua mãe. Assim, aqui não temos sensacionalismos, mas sim um retrato realista e profundo de uma mulher dividida entre o dever de mãe e os seus verdadeiros sentimentos.

No papel de Eva, a mãe, Tilda Swinton é simplesmente espantosa e acredito que, sem ela, este filme não era possível. É um crime que, mais uma vez, Hollywood se tenha esquecido dela nos Óscares. Esta extraordinária actriz, com esta sua interpretação, merece todos os prémios de interpretação que por aí andam. Meryl Streep estava óptima como Margaret Thatcher, mas Swinton é melhor neste filme.

Três jovens actores dão vida a Kevin e todos eles conseguem captar na perfeição a personalidade deturpada e maquiavélica do personagem. São eles Rock Duer (3/4 anos), Jasper Newell (6/8 anos) e Ezra Miller (12-18 anos); o primeiro é assustador na cena do jogo da bola, o segundo completamente manipulador na cena do braço partido e o terceiro respira maldade por todos os seus poros. Quanto a John C. Reilly, é convincente como o pai que é incapaz de perceber o que se passa.

Um dos filmes fortes do ano, que faz pensar e que retrata uma das tristes realidades da sociedade. O facto de o filme não tomar partidos, nem perder tempo em explicações, dá-lhe ainda mais poder. A não perder! Classificação: 8 (de 1 a 10)


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