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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

TEATRO: THE PRIDE de Alexi Kaye Campbell

A semana passada fui até Londres onde, entre outras coisas, assisti a esta peça. Talvez não faça muito sentido falar dela aqui no meu blog portuga, mas gostei tanto da mesma que não resisto.

Londres, 1958. Sylvia convida Oliver, o autor do livro que ela está a ilustrar, para ir jantar com ela e o seu marido, Philip. Os dois homens sentem uma forte atracção um pelo outro, mas Philip tem problemas em assumir a sua homossexualidade, numa época em que a mesma era considerada um crime.
Londres, 2008. Oliver é um gay viciado em sexo com estranhos, o que leva o seu namorado Philip a abandoná-lo. Cabe à sua amiga Sylvia dar-lhe apoio, ao mesmo tempo que sente que, de certa forma, ele abusa emocionalmente dela.

Estas duas histórias cruzam-se de forma brilhante numa encenação simples e num lindíssimo mas praticamente vazio cenário. O texto de Alexi Kaye Campbell é tão bom que até dói; as suas personagens são fortes, interessantes e reais; o diálogo escrito numa linguagem simples é envolvente, com um balanço a todos os níveis notável entre o humor e o drama. O director Jamie Lloyd respeita esse balanço, conseguindo fazer-nos rir e chorar com este drama emocionalmente envolvente. Sem receios, ele não foge do lado físico do sexo gay, dando-nos uma cena fortíssima que não deixará ninguém indiferente.

Como Oliver, Al Weaver é comovente, primeiro como um tímido gay e depois como um gay promíscuo e perdido. Como Philip, Harry Hadden-Paton é convincente tanto como o gay reprimido e infeliz que vive nos anos 50, como o gay decidido que vive nos anos 00. Se é verdade que estes dois actores são excelentes, então Hayley Atwell é simplesmente fabulosa e divina, uma verdadeira estrela! É impressionante como, numa questão de segundos, ela passa da esposa infeliz de Philip para a amiga super-divertida de Oliver. Atwell, que já tinha visto em filmes, foi para mim uma verdadeira revelação. Para além deste trio admirável de actores, também temos um óptimo Matthew Horne em três papéis secundários que vão do cómico ao dramático.


Não vi muitas peças dramáticas no teatro, mas esta foi uma das melhores coisas que vi até hoje e só espero que algum produtor português tenha a coragem e o bom gosto de a importar para Portugal. Simplesmente inesquecível!



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