Sábado, 31 de Março de 2012

VIAGEM AO CENTRO DO MUNDO de Kevin Connor


A equipa responsável pelo SEXTO CONTINENTE voltou à obra de Edgar Rice Burroughs para mais um filme de aventuras fantásticas, agora com a presença do grande Peter Cushing.

Um cientista (Cushing) e o seu assistente (Doug McClure do SEXTO CONTINENTE) estão a fazer experiências com uma super-escavadora e vão parar ao centro da terra. Ainda descobrem uma civilização pré-histórica, governada por pássaros com poderes telepáticos, que escravizam os nativos (um destes é a boazona Caroline Munro).

O filme era muito divertido e, se bem me lembro, melhor que o SEXTO CONTINENTE. Adorava rever estes filmes. A Cinemateca bem que podia fazer um ciclo dedicado a filmes baseados na obra de Edgar Rice Burroughs.

Aqui vos deixo o divertido trailer.


UMA ILHA NO TECTO DO MUNDO de Robert Stevenson


Antes do Indiana Jones ter reinventado o cinema de aventuras, no Natal de 1974 a Disney ofereceu-nos este delicioso filme, do qual eu já me tinha esquecido de falar.

O pai de um jovem desaparecido, parte numa expedição com o fim do encontrar. A única coisa que ele sabe, é que o filho andava à procura de uma tribo viking perdida algures no tempo. Quando a expedição chega ao seu destino, vêem-se obrigados a lutar pelas suas vidas.   

Na altura adorei este filme; uns anos depois revi-o e não mudei a minha opinião. Durante anos considerei-o um dos melhores do género. O filme tinha um dirigível fabuloso, orcas (ou seriam baleias?) gigantes, vikings com olhos diabólicos e um vulcão em erupção. Tudo muito emocionante e divertido. Nem sei como é que ainda não se lembraram de fazer uma remake!

Não resisto a deixar-vos aqui o trailer.


Domingo, 25 de Março de 2012

JOHN CARTER de Andrew Stanton


Ao refugiar-se numa caverna no Arizona, John Carter vê-se transportado para Marte, onde se apaixona por uma bela princesa e tem que lutar contra os maus, incluindo algumas estranhas criaturas.

Tudo aquilo que falta na segunda triologia do STAR WARS está aqui. A imaginação, o bom humor, o espírito de aventura, personagens interessantes, um herói merecedor desse adjectivo, acção na dose certa sem cair no repetitivo estilo “jogo de computador” e, acima de tudo, tem como única pretensão divertir-nos. Estamos perante uma pura série B feita com muito dinheiro e com excelentes efeitos especiais. A mistura de CGI com pessoas reais é perfeita e o uso do 3D (no meu ver desnecessário) não me chateou nada, nem tirou brilho à fotografia.

É uma pena que este filme esteja a ser um desastre de bilheteira nos Estados Unidos, pois isso quer dizer que não vamos ver novas aventuras do John Carter no cinema, mas o realizador Andrew Stanton (WALL-E, FINDING NEMO) no seu primeiro filme de “carne e osso”, consegue dar-nos um bom sucessor do cinema de aventuras que se fazia nos anos 30-40. Infelizmente nunca li a obra de Edgar Rice Burroughs, mas acho que ele iria ficar orgulhoso desta adaptação.  Seja como for, acho que este filme vai ganhar o estatuto de culto e tornar-se um sucesso em vídeo.

O masculino Taylor Kitsch dá vida a John Carter e fá-lo com humor, nunca se levando a sério (as cenas, ainda na Terra, em que ele tenta fugir são muito divertidas). Como a princesa marciana, a boazona Lynn Collins habita bem o papel. William Dafoe dá a sua personalidade ao estranho Tars Tarkas. James Purefoy dá o ar da sua graça como um amigo da princesa. Do lado dos maus, Mark Strong é uma malvada entidade e Dominic West a sua bruta marionete.

Para todos aqueles que gostam de ir ao cinema para umas horas de evasão e que adoram a trilogia original do STAR WARS, este filme é imperdível! Classificação: 7 (de 1 a 10)


OS JOGOS DA FOME (The Hunger Game) de Gary Ross


No futuro, a fim de manter o seu poder, a classe governante inventou um jogo (Os Jogos da Fome) em que 24 adolescentes (12 rapazes e 12 raparigas), oriundos dos 12 distritos em que se divide o país, são forçados a lutar uns contra os outros até à morte. Este ano, uma das jovens é Katniss Everdeen, que se ofereceu no lugar da sua irmã a fim de poupar a vida desta.

Se conhecem o japonês BATTLE ROYAL, o presente filme é uma versão levezinha e americana do mesmo. A premissa de ambos os filmes é exactamente a mesma. Mas o que na versão japonesa é feio, sujo e violento, aqui é irritantemente limpinho e a violência parece uma brincadeira de crianças. O melhor do filme é tudo o que antecede os jogos. Gostei do ar decadente, provavelmente inspirado na corte de Luís XIV, da classe governante e das personagens que o habitam, bem como do ar “desgraçado” das classes trabalhadoras. Este contraste está bem conseguido e merecia um filme melhor. Quanto aos jogos não são muito interessantes e o seu resultado demasiado previsível para o meu gosto.

A bonita Jennifer Lawrence vai bem como a heroína, já Josh Hutcherson tem um ar demasiado sonso como o seu parceiro (o namorado que ela deixa no seu distrito, Liam Hemsworth, é muito mais giro). Melhor que eles são as participações do sempre excêntrico Woody Harrelson, do sexy Lenny Kravitz e de uma irreconhecível Elisabeth Banks.

Isto merecia um tratamento mais negro e sangrento. O resultado é uma versão quase infantil do BATTLE ROYAL. Classificação: 4 (de 1 a 10)


Sábado, 24 de Março de 2012

O TRONO DE FOGO de Jesus Franco


Aos 12 anos já sabia que Christopher Lee era um mestre do terror, assim quando este filme estreou em 1977 e olhei para o cartaz, quis ir logo a correr ver o filme. O que eu não sabia na altura é que o realizador espanhol Jesus Franco era especialista em série Z (um tipo de cinema que hoje em dia já não chega aos nossos cinemas).

Lembro-me que fiquei decepcionado com o filme e de o ter achado chato. De terror tinha muito pouco. Lee fazia de um malvado juiz que torturava e matava jovens desnudadas, acusando-as de bruxaria, mas de bruxaria não havia nada (ou assim me lembro). 

QUO VADIS de Melvin LeRoy


Um elenco de luxo numa das mais famosas produções histórico-bíblicas de Hollywood. A primeira vez que o vi foi em 1976 no Éden e vi-o pelo menos mais duas vezes no cinema.

Sempre gostei destas “peplum” históricos, cheios de figurantes e personagens coloridos (Peter Ustinov era um louco Nero). Este é um dos meus preferidos do género. A sequência do incêndio de Roma é espectacular e não usaram CGI; as cenas dos cristãos atirados às feras nas arenas são realistas e eficazes. Numa dessas cenas, um toureiro português enfrenta um touro que tem como alvo a Deborah Kerr.

A verdade é que já não se fazem filmes destes. O GLADIATOR não lhe chega aos pés. 

Deixo-vos aqui o cartaz de quando o filme foi reposto no Odeon, bem como o da sua estreia no São Jorge em 1952.

Quinta-feira, 22 de Março de 2012

O SEXTO CONTINENTE de Kevin Connor


Agora que nos nossos cinemas é exibido JOHN CARTER baseado na obra de Edgar Rice Burroughs, é uma boa altura para recordar um dos primeiros filmes que vi com dinossauros.

Um submarino alemão afunda um navio inglês e captura os sobreviventes. Ao desviarem-se da rota vão dar a uma ilha onde o tempo parou, com dinossauros e homens pré-históricos. Tudo acaba com um vulcão em erupção.

Sempre adorei este tipo de coisas e este filme, dentro da sua categoria de série B, é um bom exemplo do género. Agora seria uma boa altura para os nossos canais de televisão o exibirem, bem como a sua sequela.







A NOITE DO PECADO de James Ivory


Hollywood anos 20 (a minha época preferida), as festas loucas e o contagioso charleston. Para um fã de musicais como eu isto parecia ser o filme certo e os meus pais nem sonharam que me iam levar para o meio de uma noite louca de sexo e crime.

Inspirado num escândalo do época, em que o actor do mudo Fatty Arbuckle assassinou a sua namorada e o amante desta, o filme de musical tinha muito pouco. Raquel Welch dançava um pouco, mas o sexo era o prato forte desta noite. 

A PRESA (The Grey) de Joe Carnahan


Um avião transportando um grupo de rudes trabalhadores de uma exploração petrolífera, despenha-se no meio de uma zona inóspita e gelada do Alaska. Os poucos sobreviventes depressa são obrigados a lutar contra uma violenta alcateia.

Devo estar a ficar mais preguiçoso do que aquilo que tenho consciência. Cada vez tenho menos paciência para filmes que duram mais de 90 minutos e tenho saudades dos bons tempos da série B, em que histórias como esta não eram levadas a sério e não tentavam ser mais do que um drama de acção com elementos de terror.

Não é que este filme seja mau. Na realidade está bem filmado e tem um bom elenco, mas não ia à espera que fosse lamechas. Do realista acidente de avião aos violentos e crus ataques dos lobos, as cenas de acção são muito boas. A paisagem fria, bela e agreste ajuda a criar atmosfera, mas depois temos uns interlúdios quase poéticos e não há paciência para o sentimentalismo final com as carteiras. O facto de o filme acabar em anti-clímax também não o favorece muito. Classificação: 4 (de 1 a 10)


AMOR E OUTRAS CENAS (Wanderlust) de David Wain


George e Linda são um casal nova-iorquino em crise financeira e que se vêem obrigados a ir viver com o irmão dele em Atlanta. Pelo caminho, vão parar sem querer ao meio de uma comunidade hippie e, depois de uma má experiência em casa do mano, decidem juntar-se à comunidade.

Às vezes sabe bem, mesmo muito bem, ver filmes que não desafiam a nossa mente em nada e cujo único interesse é apenas divertir-nos. Este é uma dessas comédias. Não é demasiado estúpida e tem algumas sequências muito engraçadas. Mas o melhor de tudo é que é óbvio que o elenco se divertiu imenso a fazer este filme e esse sentimento é contagioso.

Como o casal em crise, Paul Rudd e Jennifer Aniston têm química e são uma presença simpática. Um bom elenco de secundários dá-lhes o apoio necessário, com destaque para Justin Theroux como o líder da tribo, Lauren Ambrose como uma grávida em estado de graça e Joe Lo Truglio como o escritor nudista.

Um bom antídoto para a crise! Classificação: 6 (de 1 a 10)


Quarta-feira, 21 de Março de 2012

TUBARÃO de Steven Spielberg


Semanas depois de ter visto um filme com um urso assassino (GRIZZLY), do qual tinha gostado muito, estreia um filme com um tubarão assassino. As comparações eram inevitáveis e, em 1977, ganhou o urso.

Recordo-me de ver o cinema Éden completamente cheio na sessão a que fui ver o TUBARÃO (com bilhetes comprados no “mercado negro”) e de toda a gente dar um salto na cadeira numa das cenas (é quando aparece uma cabeça dentro de um barco naufragado). O filme tinha muita conversa e, para um puto de 12 anos (eu), isso não era assim muito interessante. Eu queria era ver o tubarão a comer pessoas e não havia muitas cenas dessas.

Recentemente revi o filme e gostei muito mais. Hoje, acho que o que torna o filme tão eficaz são os diálogos e as relações entre os personagens principais. Nunca mais vi o GRIZZLY, mas gostava de o rever e voltar a fazer comparações entre os dois.

O LEÃO E O VENTO de John Millius


Acreditam se vos disser que nunca vi o famoso LAWRENCE DA ARÁBIA? Pois é verdade; acho que nunca calhou e o facto da minha família não ser grande fã do filme também nunca me criou grande vontade de o ver. Provavelmente, o filme que vi mais próximo desse clássico é capaz de ter sido este.

Lembro-me muito pouco da história, apenas que Candice Bergen era raptada por uma tribo árabe cujo chefe é o Sean Connery (com um raptor destes quem é quer ser resgatado?). Na altura achei o filme parado e um pouco chato.

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

ESCADA DE CARACOL de Peter Collinson

O cartaz prometia um filme de terror, mas na realidade era mais um thriller de suspense, onde um psicopata assassinava jovens deficientes.

A então muito em voga Jacqueline Bisset, é uma jovem mulher que perde a voz ao ver o seu marido e filho morrerem num incêndio. Vai então viver para a mansão do tio (Christopher Plummer) e depressa se torna um dos alvos do psicopata.

Quando vi este filme, não fazia a mínima ideia que se tratava de uma remake (na altura provavelmente nem sabia o que isto queria dizer) de um clássico dos anos 40, e gostei da atmosfera “whodunit” da história. Anos mais tarde vi o original e era muito mais atmosférico.

A TORRE DO INFERNO de John Guillermin


A frase publicitária deste filme não enganava: “Foi sou uma pequena faísca... e a noite arder num abrasador suspense!”. Julgo que este foi o primeiro e melhor filme-catástrofe (género muito em voga nos anos 70) que vi.

Produzido pelo especialista do género, Irwin Allen, o filme tinha um elenco de luxo, que dava vida às diversas personagens que enfrentavam as chamas que devoravam um grande arranha-céus. O suspense era permanente, as emoções não faltavam e eu adorei!. Foi, por cá, um dos grandes êxitos de bilheteira de 1976. Aqui vos deixo três cartazes da estreia.




Quinta-feira, 15 de Março de 2012

FRANKENSTEIN de James Whale


Quando o filme foi reposto no cinema Caleidoscópio, não foi possível os meus pais levarem-me a vê-lo. Umas semanas depois descobri que ele ia ter uma sessão no velho Promotora e convenci o meu pai a levar-me.

Já conhecia o monstro de Frankenstein, por o ter visto a fazer companhia ao Abbott e Costello, mas este era o primeiro filme da clássica série da Universal. Boris Karloff era excelente como a trágica criatura, Colin Clive um over-acting Dr. Frankenstein e o realizador James Whale conseguia criar a atmosfera sombria e dramática necessária à história. Julgo que a minha paixão pelo terror gótico começou aqui e nunca mais se foi embora. Tenho saudades dos tempos em que podia ver estes filmes numa sala de cinema.

O REGRESSO DA PANTERA COR-DE-ROSA de Blake Edwards


Em 1976 tive o meu primeiro encontro com o famoso Inspector Closeau e com a sua amiga “pantera cor-de-rosa”. O mau da fita era o Christopher Plummer e lembro-me que achei o filme divertido. Vi outros filmes da série, mas este continua a ser aquele que eu acho ser o melhor de todos.

Terça-feira, 13 de Março de 2012

FLORBELA de Vicente Alves do Ó


O seu nome era Flor, Florbela. O marido dava-lhe porrada e ela foge para os braços de um jeitoso médico amigo, com quem acaba por casar após o divórcio. Juntos vão viver para Matosinhos. Um dia, Florbela recebe uma carta do irmão a pedir-lhe para se encontrar com ele na sua casa em Lisboa; rapidamente ela larga tudo e todos e corre para junto do seu adorado irmão. Com medo de a perder, o marido segue-a até Lisboa.

Imagino que deve ser difícil para um realizador cortar certas cenas para bem do resultado final do filme. É como quando nós vamos numa viagem em que tiramos centenas de fotos e depois, para tornar o álbum mais atractivo e menos chato, temos que abolir algumas. Algumas pessoas conseguem distanciar-se do lado pessoal e mandar fora quase metade das fotos, outras deixam ficar quase todas. Infelizmente, Vicente Alves do Ó faz parte do último grupo (bem como Steven Spielberg com o seu WAR HORSE) e o filme sofre por isso.

Uma montagem mais eficaz, poderia ter tornado este filme mais interessante e menos aborrecido. A acção arrasta-se, principalmente na primeira hora, onde parece que a história não vai a lado nenhum. Há pelo menos três sequências que nada adiantam: a ida ao baile de rua (nunca vi um Charleston dançado com tão pouca graça), o leilão/festa em casa da Sophia de Arriaga (quem é esta e o que faz aqui?) e o motim junto ao eléctrico. As cenas oníricas são bonitas, mas cortam o drama e eram dispensáveis.

O filme precisava de ser mais conciso e centrar-se mais nas emoções ou falta destas de Florbela e na sua relação com os homens da sua vida. Supostamente, ela foi uma mulher que não teve medo de confrontar as mentalidades da época e de se dedicar de alma e coração às suas paixões. Mas pouco ou nada disto é-nos mostrado. Acredito que quem conhecer a história de Florbela Espanca irá perceber muitas das coisas que se passam neste filme. Para quem, como eu, desconheça os factos, as mesmas coisas irão provavelmente passar-nos ao lado.

A seu favor, o filme tem uma produção cuidada, bons meios técnicos e uma excelente actriz no papel principal. Dalila Carmo dá corpo e alma a Florbela e fá-lo com talento e paixão. Infelizmente, no papel do seu irmão, Ivo Canelas é um canastrão incapaz de transmitir as emoções do seu personagem. Já Albano Jerónimo é convincente como o marido compreensivo de Florbela.

As melhoras cenas do filme são as passadas em Vila Viçosa, mas sabem a pouco. Tenho que confessar que não senti a loucura dos anos 20, nem as paixões arrebatadoras de Florbela. Acho que os ingredientes para um bom filme estão cá todos e até parece uma produção “made in Hollywood”, mas falta-lhe alma e emoção. Classificação: 3 (de 1 a 10)