Etiquetas

domingo, 30 de dezembro de 2012

THE PAPERBOY – UM RAPAZ DO SUL (The Paperboy) de Lee Daniels


Um conceituado repórter, Ward, regressa à sua sulista cidade natal a fim de escrever um artigo sobre um condenado à morte que poderá estar inocente. A sua principal fonte é uma mulher de nome Charlotte que trocou cartas com o condenado e deseja casar com este; entretanto o jovem irmão de Ward, Jack, apaixona-se por Charlotte.

O título anterior do realizador Lee Daniels foi o muito badalado PRECIOUS, mas acreditem que o presente filme merecia tanta ou mais atenção que esse. Não sabia muito bem o que ia ver e (pelas reacções do público presente não era o único) fiquei agradavelmente surpreendido. Estamos perante um dos filmes mais fortes deste ano, com uma forte carga sexual e de uma violência crua que não estava nada à espera.

Não pensem que se trata da história de uma paixão entre um jovem e uma mulher mais velha, nada disso, se bem que também há disso. O ambiente quente e húmido dos pântanos parece afectar todos os personagens da pior maneira possível, levando-os a comportamentos excessivos e violentos. Felizmente, aqui o politicamente correcto não se aplica e o resultado é um filme escaldante, duro e nada aconselhável a pessoas muito sensíveis.

O elenco é notável. Zac Efron deixa a sua imagem de menino asseado e é uma revelação como o jovem lascivamente apaixonado por Charlotte e o facto de passar uma boa parte do filme em cuecas não tem nada de gratuito. O seu personagem tem uma relação verdadeiramente química com a sua criada de cor, uma excelente e divertida Macy Gray. Como o condenado, John Cusack volta a colocar a sua carreira no bom caminho, num papel badalhoco a raiar a insanidade. Matthew McConaughey é convincente como Ward, o repórter com um segredo negro e gosto por situações perigosas. Por fim, Nicole Kidman é espantosa como a ninfomaníaca Charlotte, dando-nos aqui uma das suas melhores interpretações; a sequência em que ela simula sexo oral na prisão é de antologia e aquela em que ela salva o jovem Jack das mordidelas das alforrecas é inesquecível. Há muito que não via nada de tão arrojado feito nos Estados Unidos.

O filme faz lembrar o cinema que se fazia nos anos 70, em que os realizadores não tinham medo de arriscar e fazer filmes feios, porcos, mas bons. A banda sonora também é excelente. Altamente recomendado! A não perder! Classificação: 8 (de 1 a 10)


Sem comentários:

Enviar um comentário